A Anvisa aprovou, neste mês de março, um novo medicamento para retardar o surgimento do diabetes tipo 1. O produto se chama Tzield (Teplizumabe) e é o primeiro imunomodulador com potencial para modificar o curso da doença, o medicamento produzido pela Sanofi pode ser administrado a partir dos 8 anos em pacientes que apresentem sinais da doença, mas ainda não desenvolveram sintomas, fase conhecida como estágio 2 do diabetes tipo 1.
Nessa etapa, exames de sangue já identificam alterações imunológicas e glicêmicas, mesmo antes do diagnóstico clínico.
O que é diabetes tipo 1?
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na qual o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Esse processo destrói progressivamente as células beta, que são fundamentais para a produção desse hormônio.
A insulina tem a função de permitir que a glicose presente no sangue entre nas células e seja utilizada como fonte de energia. Quando essa produção é comprometida, a glicose se acumula na corrente sanguínea, provocando aumento dos níveis de açúcar no sangue e exigindo controle rigoroso da doença.
Como funciona o medicamento
O Tzield atua controlando a resposta do sistema imunológico com o objetivo de retardar o processo em que o próprio organismo ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Ao interferir nessa reação autoimune, o medicamento busca desacelerar a destruição das células beta, preservando por mais tempo a capacidade do corpo de produzir insulina de forma natural.
Na prática, isso pode adiar o momento em que a doença se manifesta de forma completa e em que o paciente passa a depender totalmente do tratamento com insulina. Com esse atraso no avanço da doença, abre-se uma janela maior para acompanhamento médico, adaptação ao diagnóstico e adoção de estratégias de controle e monitoramento da glicose no sangue.

Cenário brasileiro
No Brasil, estima-se que cerca de 600 mil pessoas convivam com a doença, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). O número evidencia o impacto significativo da condição no país e reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento desde as fases iniciais da doença.
Mesmo após a aprovação pela Anvisa, o medicamento Tzield ainda precisa passar por algumas etapas antes de começar a ser utilizado no Brasil. Por isso, a expectativa é que o tratamento comece a aparecer entre o final de 2026 e início de 2027 no setor privado.
Já a disponibilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) depende de avaliações da unidade, processo que pode levar mais tempo até uma decisão final sobre a incorporação do medicamento na rede pública.
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