A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC), abriu uma nova frente entre o governo e as instituições com curso de Medicina.
A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) afirmou que análises preliminares conduzidas por diferentes instituições identificaram inconsistências nos números apresentados oficialmente.
Segundo a entidade, os dados divulgados pelo MEC divergem daqueles que as próprias instituições informaram ao governo como insumos para a etapa estatística do exame, em dezembro de 2025. A discordância estaria concentrada na contagem de estudantes considerados proficientes, indicador decisivo para avaliar a qualidade dos cursos de Medicina.
A Anup relata que, diante desse cenário, decidiu aguardar esclarecimentos técnicos do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) antes de emitir um posicionamento definitivo sobre o desempenho nacional.
Associação entrou na justiça para esclarecimentos sobre metodologia
Na última semana,a associação buscou suspender judicialmente a divulgação dos resultados, argumentando que ainda havia dúvidas sobre a metodologia e sobre a transparência dos critérios estatísticos utilizados no Enamed. O pedido foi negado pela Justiça, o que permitiu a apresentação do balanço nacional nesta segunda-feira.
O exame, aplicado aos estudantes do último ano de Medicina, tem sido citado pelo MEC como parte central da política de qualificação da formação médica. As notas variam de 1 a 5, e resultados 1 e 2 são classificados pelo ministério como insuficientes.
Até o momento, nem o MEC nem o Inep detalharam publicamente se investigarão as divergências relatadas pelas instituições.
Veja a nota enviada pela Anup ao Portal Melhores Escolas Médicas:
“A Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) informa que está acompanhando a divulgação dos resultados do ENAMED. Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados hoje. Diante disso, a Associação aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados.”
Judicialização, debate metodológico e o futuro do Enamed
A reação da Anup se soma a um debate que ganhou força em 2025: a mudança no sistema avaliativo da Medicina. O Enamed, que substitui o Enade da área, passou de 40 para 100 questões, adotou matriz unificada e incorporou a Teoria de Resposta ao Item (TRI). As portarias e notas técnicas do Inep, publicadas ao longo de 2025, definiram critérios de proficiência e modelos estatísticos como o Rasch.
Para as instituições privadas, a principal crítica recai sobre a definição tardia de detalhes metodológicos, o que teria dificultado o planejamento pedagógico e a comunicação com estudantes. O MEC, por outro lado, afirma que o novo modelo fortalece o Sinaes e amplia a capacidade regulatória sobre a formação médica.
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Cursos terão cortes de vagas, suspensão de vestibular e restrições ao Fies
De acordo com os dados divulgados, entre os 351 cursos participantes, 107 ficaram nas faixas 1 e 2. Destes, 99 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, sob responsabilidade direta do MEC. Essas instituições sofrerão medidas cautelares escalonadas, conforme o desempenho:
- 8 cursos terão suspensão total do ingresso e bloqueio de novos contratos Fies
- 13 cursos perderão 50% das vagas
- 33 cursos terão redução de 25%
- 45 cursos ficam proibidos de ampliar vagas
- Todos os 99 cursos terão processo de supervisão instaurado
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