A audiência de conciliação sobre o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) terminou sem acordo entre as partes na terça-feira (7), em Brasília (DF). O encontro reuniu representantes de entidades do ensino superior, do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para discutir uma ação civil pública que questiona medidas adotadas após a divulgação dos resultados da primeira edição do exame.
A audiência foi apresentada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e pela Associação Brasileira de Mantenedoras das Faculdades (ABRAFI) e teve como objetivo buscar uma solução consensual. Porém, após cerca de duas horas de conversa, não houve entendimento entre os envolvidos.
Agora, o processo será encaminhado ao Ministério Público antes de retornar à Justiça para decisão.

O que foi debatido
Durante a audiência, foram discutidos pontos centrais relacionados à aplicação do Enamed e às consequências regulatórias decorrentes dos resultados.
Entre os principais temas estiveram a metodologia utilizada na avaliação, os critérios adotados para medir o desempenho dos estudantes e a forma como os indicadores foram calculados.
Também entraram em pauta os efeitos das medidas cautelares aplicadas pelo MEC, especialmente no que diz respeito à supervisão e às restrições impostas a cursos com baixo desempenho.
O que dizem as entidades?
A ABMES e a ABRAFI defendem que o Enamed deve ter caráter exclusivamente avaliativo e educacional, sem implicações diretas para o exercício profissional. Segundo esse posicionamento, o exame não foi feito como uma prova de habilitação e não deveria ser utilizado como parâmetro para medidas punitivas.
Outro ponto levantado é a condução da primeira edição do exame. As associações apontam falhas como ausência de critérios previamente definidos, mudanças de regras após a aplicação da prova e falta de comunicação com a comunidade acadêmica.
Também destacam que parte dos estudantes avaliados ainda não havia concluído integralmente a formação prática, o que poderia impactar o desempenho.
Além disso, as entidades contestam interpretações sobre os resultados, argumentando que os dados não indicam, por si só, uma crise na formação médica no país. Para elas, é necessário analisar os números com cautela e considerar o contexto da avaliação.
Punição do MEC às universidades
As discussões ocorrem em meio à publicação de portarias do MEC no dia 17 de março, que estabeleceram punições e medidas de supervisão para cursos de Medicina com desempenho considerado insuficiente no Enamed.
As ações atingem mais de 90 cursos em todo o país e variam conforme o nível de desempenho. Entre as medidas estão a suspensão de novos ingressos, a abertura de processos de supervisão e o acompanhamento mais rigoroso das instituições.
Ao todo, mais de 100 cursos foram classificados com desempenho abaixo do esperado, sendo enquadrados em diferentes níveis de avaliação.
📲 As principais notícias do dia na sua caixa de entrada! Se inscreva na Newsletter da MEM









