As universidades federais do Paraná (UFPR) e de Uberlândia (UFU) decidiram extinguir a segunda fase de seus vestibulares próprios. A partir dos próximos ciclos de seleção, as instituições concentrarão as provas em um único dia. A mudança ocorre após estudos internos indicarem que a etapa discursiva causava pouco impacto no resultado final, mas gerava altos custos logísticos e grande índice de abstenção.
O modelo substitui maratonas que chegavam a durar até três dias por exames mais curtos e objetivos. Na UFU, o novo formato terá 65 questões objetivas e uma redação, eliminando o antigo modelo que concentrava diversas avaliações discursivas.
Na UFPR, a prova passa a durar cinco horas e meia, composta por 80 questões objetivas e duas questões de Compreensão e Produção de Textos (CPT). A avaliação específica de habilidades será mantida exclusivamente para o curso de música. Para garantir a vocação de cada curso na UFPR, as disciplinas objetivas terão pesos diferentes.
Waldenor Moraes, pró-reitor de graduação da UFU, explica que simulações feitas com resultados anteriores foram importantes para a reestruturação. “Se rodássemos o vestibular só com a primeira fase, o resultado mudaria basicamente a ordem de classificação”, afirma. Segundo os dados da instituição, cerca de 80% dos candidatos manteriam a mesma posição na lista de aprovados, com variações que não ultrapassam a marca dos 20%.
Marco Randi, diretor do Núcleo de Concursos da UFPR, reforça essa análise ao afirmar que a segunda fase dos vestibulares tem pouco impacto no resultado final. “No máximo 10% das vagas seriam trocadas de mãos. Altera pouco o perfil dos aprovados”, diz Randi.
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As instituições também identificaram que o abandono dos candidatos entre a primeira e a segunda fase dos vestibulares comprometia o preenchimento de vagas. O deslocamento obrigatório para a realização dos exames discursivos gerava gastos com transporte, alimentação e hospedagem para estudantes de outras regiões.
“Muitas vezes, a gente perdia esse jovem por uma questão socioeconômica”, destaca Moraes. Com a redução da estrutura de aplicação e correção, a UFPR inclusive projeta uma diminuição no valor da taxa de inscrição cobrada dos candidatos.
“Como universidade pública, buscamos um processo mais isonômico, especialmente para quem tem vulnerabilidade social e econômica”, pontua Randi.
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O impacto da pandemia e o novo perfil dos candidatos
A eliminação da segunda fase também responde a uma mudança estrutural no comportamento dos vestibulandos, acelerada pelo período de ensino remoto na pandemia. As universidades relatam que os alunos chegam ao ensino superior com defasagens em disciplinas essenciais, menor resistência a avaliações exaustivas e altos níveis de ansiedade.
Diante deste cenário, a universidade mineira passou a implementar programas de acolhimento acadêmico focados em ajudar os calouros a organizarem suas rotinas de estudos e a desenvolverem o hábito da leitura de textos científicos.
O encurtamento dos vestibulares reflete um movimento nacional e internacional de adaptação das instituições de ensino. No Brasil, universidades paulistas tradicionais já iniciaram transições semelhantes para dar mais tempo de resposta aos candidatos.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reduziu o volume de questões de sua segunda fase para 2025, enquanto a Universidade de São Paulo (USP) anunciou ajustes e diminuição no número total de perguntas para a seleção de 2026.
Com informações da Folhapress
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