Doses homeopáticas da realidade LGBTQIA+ no Brasil

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“Quem é você na fila do pão?” Alguma vez você já escutou essa pergunta? Geralmente uma cara de deboche e desdém a acompanha com o intuito de diminuir a importância de quem está sendo questionado. Vamos remover essa conotação durante esse tempo de leitura e vamos nos questionar: quem somos na fila do pão? 

Frequentemente somos julgados por nós mesmos e temos regras sociais veladas e explícitas que regem nossos comportamentos e até escolhas. Viver em sociedade é estar preparado para passar por uma corte diferente a cada passo dado.

Se você é uma pessoa cis hétero, já deve sentir uma leve pressão social a depender das expectativas que foram criadas sobre você. Se você é uma pessoa cis homossexual, provavelmente essa pressão é sentida desde o dia em que a sua orientação sexual foi aflorada. E se você é uma pessoa trans, provavelmente a sua vida está imersa em constantes questionamentos.

Apesar da palavra “diversidade” estar em voga, ainda mais agora no mês que comemora o orgulho LGBTQIA+, a vivência, a prática deste termo, ainda é turbulenta. De acordo com a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA), o Brasil é o país da América Latina que comete a maior quantidade de homicídio de LGBTs, além de ser líder quando o assunto é o assassinato de pessoas trans.

A pesquisa realizada pela Box1824 junto com o Google traz um dado alarmante quando o assunto é o ciclo de exclusão social na trajetória LGBTQIA+. A maioria dos casos de exclusão se iniciam nos núcleos familiares. Esse ato afeta vários âmbitos da vida do indivíduo que passa por essa situação, iniciando com a educação e, como um efeito dominó, limita o futuro destas pessoas.

Nos últimos tempos, a população LGBTQIA+ tem conquistado mais direitos, oportunidades e, principalmente, acolhimento. No Brasil, uma das primeiras conquistas do grupo foi a retirada da homossexualidade da lista de doenças do Conselho Federal de Medicina do Brasil.

Também houve a defesa da utilização do termo orientação sexual no lugar de “opção sexual”; a  parada do orgulho LGBT, o processo de resignação sexual, conhecido como “mudança de sexo”; o reconhecimento de união estável entre pessoas do mesmo sexo; alteração do seu registro civil de transexuais em cartório, atualizando o nome e o sexo; além da abertura de casas de apoio em todo o Brasil.

Hoje, todos os estados brasileiros possuem ONGs que estão empenhadas em mudar esse quadro e gerar um futuro diferente para as pessoas que conseguem ser acolhidas pelos seus programas. Ficou com curiosidade em saber como esses trabalhos são desenvolvidos, listamos abaixo uma série de iniciativas. Fique à vontade para entrar em contato, conhecer melhor as ações e até se voluntariar para ajudar na construção de futuros promissores para os assistidos.

 

  1. Casa Aurora (Salvador, BA)

Coordenado pelo casal trans João Hugo e Sellena Ramos, da Associação de Diversidade e Inclusão da Bahia (ADIBA), o local recebe jovens queer de 18 a 29 anos em situação de vulnerabilidade social. O projeto oferece acolhimento integral, alimentação, produtos de higiene, serviços jurídicos, projetos socioeducativos e atendimento psicológico gratuito. A manutenção é feita por meio de financiamento coletivo e doações. 

Perfil: @aurora_casalgbt

 

  1. Casa Chama (São Paulo, SP)

A casa é um ambiente de convívio seguro que produz desde eventos culturais e grupos de estudo até projetos de cuidado e apoio jurídico. Durante a pandemia, o órgão atua com a criação de um fundo emergencial de apoio para pessoas trans afetadas pelo covid-19 e assistidas pelo projeto. 

Perfil: @casachama_org

 

  1. Coletivo Arouchianos (São Paulo, SP)

Busca garantir a visibilidade e promover a cultura, arte, esporte, política e questões sociais da comunidade LGBTI+ na região do Largo do Arouche, em São Paulo. Em novembro de 2019, o grupo passou a atuar também como centro de acolhida, onde rodas de conversa e atendimento psicoterapêuticos são feitos pela recuperação da dignidade humana dos abrigados. 

Perfil: @arouchianos

 

  1. Casa Florescer (São Paulo, SP)

Criada em 2016, a Casa Florescer é o primeiro centro de acolhida exclusivo para mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade social. O projeto tem como objetivo não apenas acolher, mas também reverter o quadro com atendimento social e psicológico. Articulações com as redes de apoio garantem o acesso à alimentação, cursos de qualificação, regularização de documentos e acompanhamento médico capacitado para todas as beneficiadas.

Perfil: @casaflorescer_

 

  1. Casa Nem (Rio de Janeiro, RJ)

A Casa Nem é um espaço de acolhimento para pessoas LGBTIs em situação de vulnerabilidade social no Rio de Janeiro. Com foco em transexuais e transgeneres, o projeto é um espaço autosustentável que também recebe diversos tipos de doações. Administrada por ativistas trans, a casa oferece acolhimento, apoio e resgate de autoestima para cerca de 50 pessoas que foram vítimas de violência e rejeição familiar. 

Perfil: @casanem_

 

  1. Casa Miga (Manaus, AM)

Criada em 2018, ano em que Manaus registrou o maior número de LGBTIs assassinados no país em termos absolutos, a Casa Miga aacolhe lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis, além de imigrantes ou refugiados LGBTI+. Com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a casa já é uma das referências no suporte às pessoas em vulnerabilidade, com atendimentos psicológicos, sociais e profissionais realizados gratuitamente.

Perfil: @casamigalgbt

 

  1. Astra LGBT (Aracaju, SE)

Fundada em 2001, a Astra trabalha pela conquista e garantia de plenos direitos humanos para a comunidade LGBTI+ de Aracaju, promovendo saúde, educação e cidadania plena aos membros do grupo. Durante a pandemia, a ONG lançou o projeto Acódi LGBT, com foco direto na arrecadação de cestas e de insumos de higienização para auxiliar os atingidos pela crise desencadeada pela pandemia.

Perfil: @astralgbt

 

  1. TransVest (Belo Horizonte, MG)

A Transvest promove um cursinho popular para travestis e transexuais em Belo Horizonte. O projeto oferece, além das aulas preparatórias para o Enem e Encceja, oficinas educativas e eventos culturais. Ensino de idiomas, aulas de defesa pessoal e apoio jurídico são algumas das ações realizadas pela instituição, que também recebe alunos em regime semi-aberto do presídio de Bicas.

Perfil: @ongtransvest

 

  1. Casa 1 (São Paulo, SP)

Pioneira no Brasil, a Casa 1 é um centro de acolhida de jovens LGBTI+ expulsos de casa pela família, um centro cultural e uma clínica social que atua no centro da cidade de São Paulo. O projeto conta com programações socioeducativas e disponibiliza ao público atendimentos psicoterápicos gratuitos ou de baixo custo. Aproximadamente 3.500 pessoas são atendidas mensalmente pelos projetos da casa. 

Perfil: @casa1

 

  1. CasAmor (Aracaju, SE)

Criada em 2018 após a mobilização da sociedade civil, a CasAmor atua como um centro de amparo a comunidade LGBTI+ que se encontra em situação de vulnerabilidade social. Durante a pandemia, o projeto trabalha também com uma campanha de arrecadação de fundos para a distribuição de cestas básicas, itens de higiene pessoal e materiais de limpeza que estão sendo entregues à população. 

Perfil: @casamorlgbtqi

 

  1. Casa Transformar (Fortaleza, CE)

Financiada exclusivamente por doações, a Casa Transformar acolhe membros da comunidade LGBTI+ em situação de vulnerabilidade social em Fortaleza. Novas vagas de acolhida são sempre anunciadas pelas redes sociais do projeto, que também necessita de doações e de uma equipe voluntária. 

Perfil: @casatransformar

 

casa rosa

  1. Casa Rosa (Sobradinho, Distrito Federal)

A Casa Rosa será um abrigo, uma casa de acolhimento para LGBT’s expulsos de casa ou em situação de fragilidade, e aqui haverão oficinas, aulas, tratamentos em grupo e eventos culturais organizados para reintegrar estes jovens na sociedade.

Perfil: @casarosadf

 

casinha acolhida

  1. Casinha Acolhida (Rio de Janeiro)

A Casinha Acolhida é uma ONG carioca que atua oferecendo apoio à população LGBTQIA+, em particular aos expostos a situação de vulnerabilidade e violações de direitos – oferecendo atendimento emergencial-pontual ou continuo. Os projetos englobam serviço social, assistência jurídica, empregabilidade, educação, cultura e saúde.

Perfil: @casinhaacolhida

 

  1. Instituto Transviver (Caruaru, Pernambuco)

Considerado como grupo terapêutico, a organização é um espaço aberto que visa potencializar diálogos e troca de experiências relacionais e promovendo uma melhoria na adaptação ao modo de vida individual e coletivo. Facilitar discussões e reflexões nas questões trazidas pelos componentes do grupo, assim como a capacidade de lidar com situações inquietantes, na construção de confiança nas relações sociais e ainda, podendo proporcionar alívio emocional. Deste modo, a utilização dos grupos terapêuticos junto ao público transgênero, tem como objetivo promover diálogos, discussões e reflexões, sobre questões pertinentes a este universo, como as vulnerabilidades vivenciadas por estas pessoas, além de favorecer o fortalecimento emocional.

Perfil: @transviver 

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