Candidatos que prestaram a prova teórica da residência médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no último domingo (30/11/2025) relatam irregularidades graves durante a aplicação.
Entre os problemas, há denúncias de envelopes de prova distribuídos sem lacre. Diante disso, um grupo de mais de 200 concorrentes exige a anulação do exame e ameaça recorrer à Justiça.
As denúncias circularam nas redes sociais e ganharam força após reclamações formalizadas à polícia e à comissão de residência.
A prova teórica do processo seletivo 2025/2026 da Unifesp ocorreu no campus da Universidade São Judas Tadeu, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo.
Para concorrer, os candidatos pagaram taxa de inscrição de R$ 660, com o edital oferecendo mais de 600 vagas para diferentes especialidades médicas.
O calendário estipula divulgação do resultado da 1ª fase a partir de 12 de dezembro, prova prática em janeiro de 2026 e resultado final em fevereiro.
Relatos de falhas durante a prova
De acordo com participantes, diversas falhas comprometeram a segurança e a organização do exame:
- Envelopes sem lacre: Várias salas receberam os pacotes de prova já abertos. “A sala 53 recebeu seu envelope de provas completamente aberto. O lacre não havia sido utilizado e o plástico adesivo permanecia intacto”, diz uma das mensagens enviadas ao Coreme.
- Falta de suporte dos fiscais: Alguns candidatos afirmam que não houve conferência de identidade no momento da assinatura da lista de presença. Outros reclamam que não havia sacos plásticos suficientes para lacrar celulares e pertences, obrigando candidatos a deixar aparelhos desligados em bolsas, ou até mesmo manter smartwatches, proibidos pelo edital.
- Tempo desigual e queda de energia: Em uma das salas, ocorreu uma queda de luz de cerca de 15 minutos, e candidatos relatam que o tempo da prova não foi uniformemente compensado. Alguns tiveram a compensação de tempo; outros, não.
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Outro candidato, que pediu anonimato, contou que o pacote de folhas de respostas chegou aberto sobre a mesa antes do exame, situação que, segundo ele, permitiria que alguém pré-preenchesse respostas antes da distribuição oficial.
Candidatos organizam ação coletiva
Após a prova, os participantes começaram a trocar relatos em redes sociais pedindo anulação do exame aplicado pela Unifesp.
Rapidamente, formou-se um grupo de mobilização contra o que consideram “descumprimento flagrante das regras”. Hoje, mais de 200 candidatos planejam entrar com ação coletiva.
Eles registraram boletins de ocorrência na Polícia Civil do Estado de São Paulo e encaminharam representações à COREME, comissão responsável pelo programa de residência médica da Unifesp, bem como ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina).
A investigação inicial corre no 8º Distrito Policial (Brás), segundo nota da SSP. A Pasta informou que convocou os envolvidos a prestarem depoimento, e que diligências seguem em curso.
Polícia investiga denúncias
A Polícia Civil já recebeu os primeiros relatos e boletins registrados por candidatos.
A apuração busca determinar se houve violação das regras do edital, possível fraude ou negligência na guarda e distribuição dos materiais da prova.
Até o momento, não há confirmação pública de que a investigação encontrou provas de fraude. A apuração continua.
Em nota oficial, a Unifesp reconheceu que dois envelopes entregues no dia da prova estavam sem lacre.
No entanto, a instituição afirmou que não havia sinais de violação nos materiais nem faltavam cadernos de prova ou de respostas.

Segundo a universidade, todos os envelopes foram transportados em caixas lacradas, por veículos blindados e com escolta, e sob vigilância por câmeras de segurança.
A abertura dos lacres teria ocorrido apenas minutos antes da distribuição, no corredor das salas, conforme o protocolo.
A instituição também disse que as comissões responsáveis revisaram todo o material e que não identificaram irregularidades maiores que pudessem comprometer o certame.
A Unifesp pretende uma anulação ao exame?
A expectativa do grupo de candidatos envolve dois cenários principais: anulação da prova e reaplicação ou, alternativamente, aceitação de recursos individuais que questionem o resultado.
A investigação policial pode influenciar qualquer decisão futura, especialmente se for comprovado risco à isonomia ou à inviolabilidade do exame.
A Unifesp deve divulgar em breve o resultado da primeira fase, conforme cronograma previsto a partir de 12 de dezembro. A prova prática está marcada para 9 e 10 de janeiro de 2026, conforme edital.









