Um raio que atingiu manifestantes durante uma caminhada política no Distrito Federal deixou ao menos 30 pessoas feridas, oito delas em estado grave, no último domingo (25). O episódio ocorreu em meio a uma forte chuva e acendeu um alerta para os riscos das descargas elétricas atmosféricas, comuns no Brasil.
O país registra cerca de 78 milhões de raios por ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e está entre os que mais contabilizam acidentes desse tipo no mundo.
Embora raros em relação ao total da população, os casos de pessoas atingidas por raios podem causar consequências graves e até fatais. Entender como esse fenômeno ocorre e quais são os efeitos no corpo humano é essencial para prevenção e resposta rápida em situações de emergência.
O que aconteceu durante a caminhada com Nikolas Ferreira?

O incidente ocorreu na região central de Brasília, durante uma manifestação que antecedia a chegada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao local. A concentração de pessoas acontecia ao ar livre, sob chuva intensa, quando uma descarga elétrica atingiu a área.
Equipes do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal prestaram atendimento a dezenas de pessoas. Parte das vítimas precisou ser encaminhada a hospitais públicos da capital, enquanto outras receberam atendimento ainda no local. Não houve registro de mortes até o momento, mas alguns pacientes apresentaram quadro clínico instável, o que reforça a gravidade do tipo de acidente.
Situações como essa são mais frequentes em ambientes abertos, com grande número de pessoas expostas, especialmente durante tempestades.
O que são os raios?

Raios são descargas elétricas de altíssima intensidade que ocorrem durante tempestades. Eles se formam a partir do acúmulo de cargas elétricas nas nuvens, que buscam equilíbrio ao se conectar com o solo, com outras nuvens ou com objetos elevados.
Quando a descarga atinge o solo, qualquer pessoa ou objeto no trajeto pode ser afetado direta ou indiretamente. O impacto não depende apenas do ponto exato onde o raio cai, mas também da propagação da corrente elétrica pelo chão, conhecida como corrente de superfície.
O que acontece com o corpo humano ao ser atingido por um raio?
O corpo humano pode funcionar como um condutor da eletricidade. Quando a descarga elétrica percorre o organismo, ela pode atravessar órgãos vitais em frações de segundo, causando danos imediatos.
Os principais sistemas afetados são:
- Sistema cardiovascular: arritmias cardíacas e parada cardiorrespiratória podem ocorrer logo após o impacto.
- Sistema nervoso: alterações neurológicas, perda de consciência, confusão mental e déficit de memória são relatados em sobreviventes.
- Sistema respiratório: pode haver falência respiratória ou edema pulmonar.
- Pele e tecidos: queimaduras de diferentes graus e marcas características na pele, causadas pela ruptura de vasos sanguíneos.
Em muitos casos, a vítima não é atingida diretamente pelo raio, mas pela energia que se espalha pelo solo, o que pode reduzir a gravidade do impacto, ainda assim, o risco permanece elevado.
Possíveis sequelas após o acidente
Sobreviver a uma descarga elétrica não significa ausência de consequências. Algumas pessoas desenvolvem sequelas que podem ser temporárias ou permanentes, como:
- alterações neurológicas e cognitivas;
- dores crônicas e fadiga persistente;
- problemas cardíacos tardios;
- dificuldades motoras ou sensoriais.
O acompanhamento médico é fundamental mesmo quando os sintomas iniciais parecem leves.
Por que o corpo molhado aumenta o risco?
A resistência natural da pele à passagem de corrente elétrica diminui quando o corpo está molhado. Em situações de chuva, suor ou contato com água, a eletricidade se espalha com mais facilidade pelo organismo, aumentando a chance de lesões internas e queimaduras.
Por isso, tempestades representam um risco ainda maior para quem permanece ao ar livre.
Como se proteger durante tempestades com raios?
A principal forma de prevenção é evitar a exposição. Especialistas e órgãos de proteção recomendam:
- buscar abrigo imediato em edificações fechadas;
- evitar áreas abertas, campos, praias e locais elevados;
- manter distância de árvores, postes, cercas metálicas e estruturas improvisadas;
- não permanecer em contato com água;
- evitar o uso de aparelhos elétricos ligados à tomada durante tempestades.
Eventos ao ar livre devem ser suspensos ao primeiro sinal de descargas elétricas.
Um alerta de saúde pública
O caso registrado durante a caminhada em Brasília reforça que raios não são eventos imprevisíveis ou inofensivos. Eles fazem parte da realidade climática brasileira e representam um risco concreto à saúde coletiva.
Informação, prevenção e respeito aos alertas meteorológicos são medidas essenciais para reduzir acidentes e salvar vidas, especialmente em um país que concentra uma das maiores incidências de raios do planeta.
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