O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quinta-feira (26), em um evento transmitido no canal oficial do ministério no YouTube, o resultado da primeira etapa do Censo Escolar 2025. O levantamento revelou que o Brasil registrou uma queda recorde no número de matrículas na educação básica.
Em 2025, foram registrados 46,018 milhões de estudantes distribuídos por 178,8 mil escolas, número inferior ao ano passado, quando 47.088 milhões de matrículas foram confirmadas, resultando em queda de 2,3%.

Fonte: Censo Escolar 2025
Motivos da queda
De acordo com o governo, essa redução não aconteceu por conta da evasão escolar, mas sim por fatores demográficos e melhorias no fluxo educacional, que teve taxas menores de reprovação.
Mudança demográfica
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a população jovem está diminuindo. A faixa etária de até 3 anos, por exemplo, teve um recuo projetado de 8,4% entre 2022 e 2025.

Fonte: Censo Escolar 2025
De acordo com os Censo Escolar 2025, existem, pelo menos, 78,7 mil creches em funcionamento no Brasil.
Eficiência escolar
O segundo fator é a maior eficiência escolar. Com a redução das taxas de repetência, o chamado “ajuste de fluxo” permite que os estudantes concluam as etapas de ensino na idade adequada.
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, esse fator evita o inchaço do sistema causado por alunos que permaneciam “estacionados” na mesma série, liberando vagas de maneira mais acelerada.
“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para que eles concluam, eu reduzo o número de matrículas.”, apontou o ministro na coletiva desta quinta-feira.
Distorção idade no ensino médio
Segundo o ministro, a distorção idade-série no ensino médio teve uma redução de 61% de 2022 a 2025.
“Nós saímos de 27,2% para 13,99% só no 3° ano do ensino médio”, afirmou.
O MEC destaca que esse dado é um marco histórico, sinalizando que uma parcela significativamente maior de jovens está conseguindo finalizar a educação básica dentro do tempo previsto.
Inclusão e infraestrutura tecnológica
O Censo Escolar 2025 também mostrou avanços na conectividade e educação de inclusão.
De acordo com a pasta, o percentual de escolas com internet na educação básica passou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025.

Imagem: Censo Escolar 2025
Além disso, houve um crescimento de 82% nas matrículas da educação especial desde 2021, totalizando 2,5 milhões de alunos. A maioria está no ensino fundamental, que concentra 63,4% dessas matrículas.
O percentual de matrículas desses alunos em classes comuns também cresceu, passando de 93,5% em 2021 para 96% em 2025.
Foco na qualidade e na permanência
Apesar de o número total de alunos ser o menor desde 2021, Camilo Santana reforçou que a universalização do ensino nas faixas obrigatórias permanece acima de 90%.
“O atendimento à educação básica permanece em um patamar superior a 90%. É preciso deixar claro que a redução no número de matrículas é um reflexo direto da mudança demográfica e do ajuste de fluxo, mas o acesso está garantido”, explica.









