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Crescimento de médicos no Brasil é alto, mas proporção de especialistas não acompanha

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médicos cresce no Brasil
Crescimento médico no Brasil segue evoluindo, mas falta de especialistas preocupa e pode impactar a qualidade do atendimento à população.

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Em uma demografia apresentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), foi observado um crescimento de 253.090 mil no número de médicos no Brasil entre 2011 e 2024. Entre diversas escolas médicas espalhadas pelo país (cerca de 500) e o desejo secular de ser médico, o número não é um verdadeiro espanto. O que gera uma preocupação, no entanto, é que o número de médicos especialistas não acompanha o crescimento geral da profissão.

São 323.449 mil médicos especialistas no país, que representam um percentual de 59,1%. Embora um número acima dos 50%, essa parcela não chega na média de especialistas em relação aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que se mantém no percentual de 62,9%.

Tabela demonstrativa da comparação do Brasil com outros países participantes do OCDE. Foto: Reprodução.

Essa discrepância nos números evidencia algo muito maior do que o simples fato de novos médicos não realizarem a residência; demonstra, por exemplo, a falta preocupante de mão-de-obra especializada em prontos-socorros e UTIs.

Impacto direto no atendimento médico

Para trabalhar na prestação de serviços para a população, eventualmente o médico formado precisará passar por uma espécie de “especialização”. Seja ela na forma de uma residência médica, com uma escolha de especialidade de fato, ou através de cursos básicos e rápidos para atuação em pronto atendimento.

E, se você é um entusiasta da Medicina, sabe que além da diferença de tempo para obter o certificado, também há diferença na preparação. Cursos de atuação são menos rigorosos e necessitam de menos dedicação do que uma residência, sendo um dos motivos pelos quais muitos jovens médicos optam por migrar para essa opção após a graduação em Medicina.

O cardiologista Agnaldo Piscopo, participante ativo da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), relatou em seu artigo para o Veja Saúde que “essa realidade é sentida na pele”. Após 35 anos de formação e atuação, Agnaldo afirma que gostaria de compartilhar a profissão com plantonistas mais jovens mas “não existe muita oferta de profissionais com este perfil”.

Sem especialistas, o atendimento em UTIs e UPAs se mostra fragilizado. Foto: Reprodução.

Apesar de uma opção mais rápida para atuação médica, não é somente disso que um pronto-socorro necessita. A linha de frente de um atendimento médico requer profissionais que saibam manusear vias aéreas, realizar procedimentos invasivos e tratar de condições de risco. Se falta especialistas em um pronto-socorro, a população que recorrer à esse local corre grande risco de qualidade no atendimento.

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O caminho para a especialização

Foto: Reprodução.

Embora diferente de uma residência médica, algumas sociedades da área investem em cursos de especialização que auxiliem nessa evasão de médicos especialistas. A Socesp, por exemplo, iniciou em 2002 o seu Centro de Treinamento em Emergências para colaboração com a formação de médicos no país.

Entre as capacitações oferecidas, a Socesp conta com o curso de ACLS, de Suporte Avançado de Vida em Cardiologia que é destinado para a preparação de médicos para o atendimento de vítimas de parada cardiorrespiratória. De acordo com o diretor do Centro de Treinamento em Emergências, Agnaldo Piscopo, o treinamento é baseado na simulação de situações reais, para aprofundamento de competências.

Esse é um exemplo de opção para quem não deseja ou não consegue vaga em uma residência médica. Para não parar a formação e continuar se profissionalizando em determinadas áreas, apostar em cursos mais amplos e com uma concentração de aprendizado maior é o caminho até uma especialização aprofundada.

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