A doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, responsável por cerca de 60 a 70% dos casos. De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que mais de 1,2 milhão de brasileiros convivam com a doença, e esse número pode triplicar até 2050 com o envelhecimento da população.
O impacto vai muito além do paciente, afetando também a rotina e o bem-estar de familiares e cuidadores.
O que é a doença de Alzheimer?
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, ou seja, provoca a morte lenta e contínua das células do cérebro.
Com o tempo, o paciente passa a ter dificuldade para lembrar fatos recentes, se desorganiza em tarefas do dia a dia e pode apresentar mudanças no comportamento.
A doença começa de forma discreta e se agrava aos poucos. Inicialmente, o esquecimento pode parecer algo natural do envelhecimento, mas com o tempo afeta atividades simples, como pagar contas, cozinhar ou reconhecer pessoas próximas.
Existem dois tipos principais:
- Alzheimer de início precoce, que aparece antes dos 65 anos e está geralmente ligado a fatores genéticos.
- Alzheimer de início tardio, o mais comum, que ocorre após os 65 anos e resulta de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida.
Quais são os principais sintomas?
O Alzheimer se manifesta de forma gradual, com sintomas que se intensificam com o tempo.
Entre os sinais de alerta mais comuns estão:
- Esquecimento constante, especialmente de fatos recentes (como conversas ou compromissos).
- Dificuldade para se expressar ou encontrar palavras.
- Desorientação no tempo e no espaço, como se perder em lugares conhecidos.
- Mudanças de comportamento e humor, incluindo irritabilidade, agitação e desconfiança.
- Dificuldade para realizar tarefas simples, como vestir-se, cozinhar ou manusear dinheiro.
Nos estágios mais avançados, o paciente pode perder a capacidade de se comunicar, locomover-se sozinho ou reconhecer familiares.
Além disso, um sinal importante é quando o próprio paciente não percebe suas falhas de memória, isso ajuda a diferenciar o Alzheimer de esquecimentos comuns ou de quadros depressivos.
Quem tem mais risco de desenvolver a doença de Alzheimer?
O principal fator de risco é a idade. A partir dos 65 anos, as chances dobram a cada cinco anos.
Outros fatores também aumentam o risco:
- Histórico familiar de Alzheimer.
- Baixa escolaridade, que está relacionada a uma menor “reserva cognitiva” (menor capacidade de compensar perdas cerebrais).
- Doenças cardiovasculares, como diabetes e obesidade.
- Sedentarismo e tabagismo.
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Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do Alzheimer é clínico, mas hoje conta com recursos complementares que ajudam a confirmar o quadro.
O médico avalia:
- Histórico do paciente e dos familiares, observando quando e como começaram os sintomas.
- Exames cognitivos, como o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e o Montreal Cognitive Assessment (MoCA), que avaliam memória, linguagem e raciocínio.
- Exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia, para verificar se há atrofia cerebral, especialmente na região do hipocampo (parte do cérebro ligada à memória).
- Exames laboratoriais, que ajudam a descartar outras causas de demência reversível.
Em alguns casos, exames mais específicos, como análise do líquido cerebrospinal (LCR) ou PET scan, podem identificar proteínas associadas à doença.

Tratamento e cuidados com quem tem Alzheimer
Ainda não existe cura para o Alzheimer, mas o tratamento pode retardar a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida.
O cuidado deve ser multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e, sobretudo, a família.
Os principais pilares do tratamento são:
- Medicamentos, que ajudam a melhorar a comunicação entre os neurônios e controlar sintomas comportamentais.
- Estimulação cognitiva, com atividades que mantenham o cérebro ativo (leitura, jogos, música, conversas).
- Exercícios físicos regulares, que melhoram a circulação e a função cerebral.
- Rotina estruturada e ambiente seguro, evitando situações que causem confusão ou risco de quedas.
- Apoio ao cuidador, fundamental para prevenir exaustão emocional e física.
Como prevenir?
Embora não seja possível evitar todos os casos, mudanças no estilo de vida reduzem significativamente o risco:
- Manter a mente ativa (estudar, ler, aprender novas habilidades).
- Praticar atividade física regular.
- Cuidar da alimentação, com dieta equilibrada e rica em frutas, legumes e peixes.
- Controlar pressão arterial, colesterol e diabetes.
- Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
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A Doença de Alzheimer é um desafio crescente de saúde pública, mas o conhecimento e o diagnóstico precoce são grandes aliados.
Com acompanhamento médico adequado, apoio familiar e hábitos saudáveis, é possível oferecer ao paciente mais tempo com qualidade de vida, além de tornar a jornada do cuidado mais leve e humana.










