A Itália enfrenta uma crise sem precedentes: faltam mais de 65 mil profissionais, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, para atender à população. Por isso, o país passou a recrutar diretamente do Brasil, oferecendo pacotes atrativos com salários de até €7 mil (cerca de R$ 44,6 mil), moradia, passagem aérea e cursos de idioma. Os hospitais públicos e privados agora buscam médicos e enfermeiros brasileiros para suprir a escassez de profissionais da saúde no país. As vagas são para casas de repouso, centros comunitários de saúde e projetos humanitários.
O país flexibilizou o reconhecimento provisório de diplomas estrangeiros por meio do Decreto Milleproroghe. Esse mecanismo permite que médicos e enfermeiros atuem de forma rápida, enquanto aguardam a equivalência oficial no sistema italiano.
De acordo com o governo italiano, a busca em específico por profissionais brasileiros se dá pela chegam formação robusta e atendimento humanizado dos profissionais, o que facilita sua acolhida nos sistemas de saúde da Itália.
Além das medidas na saúde, o governo italiano aprovou o Decreto Flussi, que prevê a emissão de quase 500 mil vistos de trabalho para não-europeus entre 2026 e 2028. Em 2026, serão liberadas cerca de 164.850 autorizações, conforme decisão do Conselho de Ministros.
Esses vistos se dividem em dois grupos:
- Não sazonais (visto temporário que permite a um estrangeiro trabalhar num país por um período limitado): 230.550 autorizações não sazonais ou para profissionais autônomos, voltadas para saúde, construção, tecnologia, entre outros;
- Sazonais (fora de picos de demanda ou períodos de alta temporada): 267.000 autorizações sazonais, direcionadas à agricultura e ao turismo.
Em paralelo, a Itália busca planejar a imigração de forma contínua e previsível, substituindo quotas anuais por um cronograma plurianual.
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Urgência por força de trabalho
Com o rápido envelhecimento da população e uma queda acentuada nas taxas de natalidade, a Itália registrou em 2024 um excedente de 281 mil mortes sobre nascimentos. A população recuou para 58,93 milhões, mantendo a tendência de queda da última década.
Para estabilizar o número de habitantes até 2050, seria necessário acolher cerca de 10 milhões de imigrantes, segundo dados do think tank Osservatorio Conti Pubblici.
Enquanto isso, um estudo do Instituto I-Aer projeta que, entre 2024 e 2028, a Itália deve criar 3 milhões de empregos. Desse total, aproximadamente 640 mil (21%) serão preenchidos por estrangeiros. Isso representa uma fatia essencial na economia, especialmente porque quase metade das vagas abertas (48%) não foram preenchidas, gerando prejuízos estimados em €13,2 bilhões (cerca de R$ 85 bilhões).
Apesar das metas ambiciosas, nem todos os vistos se traduzem em emprego efetivo. Em 2023, dos 130 mil vistos disponibilizados, somente 56% receberam autorização inicial; 29% obtiveram o documento; 13% firmaram contrato; e 7,5% chegaram a obter residência definitiva. As cifras de 2024 seguem praticamente inalteradas, o que revela um gargalo burocrático que pode comprometer todo o plano.






