Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos, passou no curso de Medicina em três universidades públicas após fazer Enem dentro de um hospital em São Paulo, devido a uma doença rara chamada anemia aplásica medular severa.
O jovem estudava no Colégio Militar de Belém quando descobriu a doença, em maio de 2025. Após o diagnóstico, Ítalo precisou sair de Belém para realizar tratamento em São Paulo. Foi quando recorreu à Justiça para conseguir fazer o Enem sem precisar estar presente na sala de prova.
A determinação no estudo gerou para o jovem paraense três aprovações em Medicina, todas elas em universidades públicas: Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade do Estado do Pará (UEPA) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Doença rara: como se caracteriza e tratamento
A anemia aplásica medular severa é uma condição rara que afeta a medula óssea, impedindo que sejam produzidas as células sanguíneas de maneira adequada. Devido a essa falta de produção, o sistema imunológico fica mais vulnerável e exposto a infecções.
A doença pode afetar qualquer pessoa, independente da idade. Por isso, o tratamento varia de acordo com a gravidade, idade, causa e disponibilidade de um doador para transplante de medula óssea.
No caso de Ítalo, para o início de tratamento, o estudante precisou passar por sessões de quimioterapia e ficar isolado no hospital por um tempo, o que gerou a necessidade de realizar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) no hospital.
Transplante de medula óssea
Achar um doador de medula óssea é difícil, com chance de compatibilidade de 1 em cada 100 cem mil doadores. Mas, para sorte de Ítalo e da família, existia uma doadora 100% compatível bem ao lado: sua irmãzinha mais nova, de apenas 6 anos.

Na publicação feita pelo jovem em seu perfil, Ítalo se mostrou agradecido pela infusão de medula e pela chance de realizar o procedimento. “Muito grato a Deus e à minha irmãzinha Ísis, menina corajosa e de nobre coração que com só 6 aninhos fez a doação de medula. Te amo imensamente, irmã”, declarou o paraense.
De acordo com o pai do estudante, Wagner Cantanhede, após o transplante de medula óssea, a imunidade de Ítalo ficou muito baixa e foi preciso ficar em isolamento, com os devidos cuidados médicos.
Vestibular no hospital
Mas, mesmo após o diagnóstico e com a imunidade baixa, o estudante não abriu mão do estudo e de prestar o Enem para Medicina.
“Deus continuou nos dando força, renovando a nossa fé a cada dia, e isso me deu esperança para continuar seguindo meus sonhos, o sonho da medicina”, disse Ítalo em entrevista para o G1.

Foi quando a família recorreu à Justiça e conseguiu a liberação para que o jovem realizasse a prova seguindo os protocolos e cuidados médicos, dentro do hospital em São Paulo.
Futuro na Medicina
Agora, Ítalo segue para a continuidade do tratamento e dos estudos na Universidade Estadual do Pará, escolhida para fomentar seu caminho na formação médica. De aprendizado dessa fase, o estudante diz que:
“Do lado do paciente, eu consegui aprender muitas coisas sobre como agir nessa profissão e como eu quero ser. Vou me dedicar, tentar fazer o melhor possível para poder tratar de outras pessoas que sofreram e que estão numa situação semelhante à minha.”
A experiência vivida durante o tratamento, marcada por desafios dentro e fora do hospital, agora passa a servir de exemplo para o médico que ele pretende se tornar, transformando em aprendizado toda a dor passada.
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