Negros com ensino superior têm menor presença cargos

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Nos últimos anos, o quadro de emprego no Brasil não esteve animador. De 2014 para 2017, o número de desempregados quase dobrou e se manteve alto, com pequena queda em 2019, mas crescente intensificada em 2020, principalmente por conta da pandemia.

 

Infelizmente, a situação não está fácil para ninguém, mas, em um país com desigualdades latentes, alguns grupos ainda precisam enfrentar maiores percalços em uma realidade que já é difícil.

 

Com a piora dessa realidade, trabalhadores negros acabam sendo mais penalizados e compõem o grupo com maior dificuldade para atuar em carreiras de ensino superior. Consequentemente, eles acabam exercendo ocupações de menor qualidade.

 

Leia também: Empreendedores negros e menos escolarizados sofrem mais na pandemia

 

Segundo estudo da consultoria IDados, entre o primeiro trimestre de 2015 e 2020, o número de profissionais negros sobre-educados (que cursaram ensino superior, mas atuam em cargos de nível médio ou fundamental) cresceu mais do que brancos na mesma condição.

 

O levantamento mostra que no primeiro trimestre deste ano, 37,9% dos homens negros e 33,2% das mulheres negras estavam trabalhando em posições com nível inferior. Em 2015, esses percentuais eram de 33,6% e 27,3%, respectivamente.

 

Já para os trabalhadores brancos, também foi observado um crescimento no grupo de sobre-educados, porém em menor grau. Entre homens, o percentual passou de 27,2% para 29,6%, já com as mulheres, essa variação foi de 24,9% para 27,8%.

 

“A discriminação é, sem dúvida, um dos motivos do aumento de sobre-educados entre os negros. Há inúmeras evidências de que existe discriminação na hora da contratação quando o funcionário é negro”, explica Ana Tereza Pires, pesquisadora do IDados e responsável pelo estudo.

 

1 em cada 3 negros com ensino superior atua em cargo de nível inferior (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

 

Negros qualificados não estão sendo absorvidos pelo mercado

Com a política de cotas, houve aumento na quantidade de negros com diploma de ensino superior. De 2011 a 2015, o número de homens negros graduados no mercado de trabalho cresceu de 1,7 milhão para 2,7 milhões, enquanto entre as mulheres foi 2,5 milhões para 4 milhões.

 

No entanto, o mercado não foi capaz de absorver esses profissionais. Segundo a pesquisadora, outros fatores, como a exigência do Inglês e de outras qualificações, acabam fazendo com que a graduação não seja suficiente.

 

“A própria competitividade do mercado de trabalho também pode fazer com que um diploma não seja suficiente. Às vezes, a facilidade que é dada para o homem branco, por exemplo, de estudar numa escola particular, fazer cursos de inglês e ter outros treinamentos, pode se tornar um fator extra que acaba pesando na hora de o empregador tomar a decisão”, diz Ana Tereza.

Em diversos setores, a presença de negros em áreas que demandam alta qualificação e especialização é menor, conforme mostra um mapeamento realizado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert). Em contrapartida, esse grupo cresce em atividades que não exigem graduação.

 

O percentual de trabalhadores formais negros no setor bancário é de apenas 23,1%, nas empresas aéreas é de 29,7% e no setor de óleo e gás chega a 34,6%. Mas esses números se invertem nos setores de telemarketing (64,1%), limpeza urbana (55,4%), e segurança (52,9%).

 

“Não existe uma regra dentro da instituição que diga: ‘não, não vamos contratar negros para a coordenação, não vamos colocar negros nos lugares de altos salários’”, diz o sociólogo e diretor do Ceert, Mario Rogério. “Existe uma informalidade que vai tirando alguns grupos de determinadas posições”, completa.

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