Os resultados do Enem 2025 na área de Redação deixou muita gente se questionando o que tinha feito de errado ao dissertar sobre o tema. A grande variação dos pontos chamou atenção para as correções feitas. Afinal, alunos que antes tinham tirado 900 ou mais na redação, agora tinham recebido notas menores que 800.
Por exemplo, o estudante de Medicina e mentor de vestibulandos, Vinícius de Oliveira, tirou 760 na redação do Enem em 2025, mesmo que tivesse tirado notas acima de 900 nos anos anteriores. Em entrevista ao G1 disse que nem mesmo quando fez a prova só de brincadeira tirou uma nota como essa.
A partir dos questionamentos, o G1 realizou uma busca e teve acesso a documentos oficiais (como cópias de e-mails e depoimentos de corretores) que mostram que, na correção do Enem 2025, houve diferenças suficientes nos critérios para alterar a nota dos candidatos. Saiba a seguir quais foram elas:
Competência 4 na redação
A competência 4 é sobre o uso de elementos coesivos (expressões que conectam ideias e garantem fluidez no texto) e, antes, era estabelecida quase que matematicamente. Ou seja, o corretor observava quantas vezes e como essas palavras apareciam no texto, o que auxiliava na definição da nota do aluno.
No Enem 2025, no entanto, essa regra ficou mais aberta e menos detalhada. A banca passou a usar critérios subjetivos, classificando o uso das coesões como pontual, regular, constante ou expressiva. O julgamento, dessa forma, passou a depender da interpretação do corretor.
“A gente perdeu parâmetro. Era um outro direcionamento antes. No fim das contas, cada um levou em conta uma orientação”, afirma um dos corretores entrevistados pelo G1.

Maior punição na competência 5
É obrigação do aluno mostrar uma solução para o problema discutido no texto. Nessa solução, precisa ficar claro 5 itens: quem será o agente (por quem?), qual será a ação (o que deverá ser feito?), a finalidade (com que objetivo?), o meio (de que forma?) e detalhamento da ideia.
Antes, caso o estudante esquecesse um desses itens, ele seria prejudicado com a perda de 40 pontos. Porém, em 2025, houve uma nova orientação na correção dessa competência: se o aluno esquecesse especificamente de inserir a “ação“, a punição dada deveria ser de 120 pontos.

E o repertório sociocultural?
Dois meses antes do Enem ser realizado, o Inep divulgou, em sua Cartilha do Participante, que o uso de citações genéricas, sem a devida contextualização, deveriam ser desconsideradas. Isso foi algo que os candidatos já sabiam antes de efetuar a prova, porém uma orientação extra mudou essa diretriz.
O documento, enviado aos corretores depois dos treinamentos presenciais, estabeleceu que a competência 2 deveria dialogar com a 3. Isso quer dizer que, a partir daquele momento, os repertórios socioculturais seriam avaliados e punidos em duas competências, aumentando o seu peso.
Inep nega alteração
O presidente do Inep, Manuel Palacios, disse em entrevista ao G1 que não houve nenhuma mudança no critério de correção da redação do Enem. “São os mesmos corretores e a mesma instituição aplicadora [Cebraspe]. A equipe de capacitação é daqui do Inep e usou os mesmos critérios.”
O Ministério da Educação (MEC) ainda chegou a afirmar que as provas sempre são corrigidas por, no mínimo, dois avaliadores. Além disso, um terceiro corretor é chamado quando há divergência, para garantir justiça e tratamento isonômico a todos os participantes.

Mão de obra qualificada?
Junto com a problemática das correções, os relatos dos avaliadores ao G1 mostram condições de trabalho preocupantes. No geral, cada corretor ganha cerca de R$ 3 por dissertação corrigida e chegam a ler 200 textos no dia, mesmo com instabilidades no sistema e falhas na comunicação com supervisores.
O portal do G1 afirma que entrou em contato com o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), responsável pela correção das redação desde 2023, mas o órgão informou que apenas o Inep pode responder questões relacionadas ao Enem.
Segundo o portal, o Inep, por sua vez, não respondeu às questões relacionadas à remuneração e à sobrecarga de trabalho dos profissionais.
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