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Polilaminina: pesquisadora admite falhas no estudo, mas defende eficácia

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pesquisadora da polilaminina
Pesquisadora reconhece inconsistências no pré-print, mas afirma que tratamento segue promissor e que estudos clínicos já foram autorizados pela Anvisa.

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A pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, reconheceu recentemente que o artigo inicial sobre a substância apresenta inconsistências de dados e falhas textuais. No entanto, a cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reafirmou que o medicamento experimental é eficaz.

Além disso, Tatiana ainda anunciou que o documento acadêmico passará por uma revisão geral para corrigir a apresentação metodológica dos resultados clínicos.

O artigo pré-print e a rejeição científica

O texto divulgado inicialmente pela equipe médica é classificado no meio acadêmico como um pré-print, pois ainda não passou pela revisão independente de outros cientistas. Em entrevista ao portal G1, a pesquisadora justificou a publicação prematura do artigo sobre a polilaminina.

“Pensei: ‘Isso aí não vai dar Ibope, vou deixar lá só para registrar que a gente fez isso em algum momento, por questões de autoria’. Mas ele não estava bem escrito”, afirmou a Tatiana.

Embora a pesquisa traga relatos de melhora motora em pacientes, o documento original encontrou forte resistência e foi rejeitado por importantes publicações internacionais.

A primeira versão corrigida do trabalho foi submetida às revistas da editora Springer Nature, do renomado grupo Nature, e ao periódico especializado Journal of Neurosurgery. Mas ambas recusaram a publicação do artigo científico.

Tatiana Sampaio admite falhas no estudo da polilaminina, mas defende eficácia do tratamento e afirma que pesquisa seguirá com revisão científica.

A ausência do grupo controle nos testes preliminares

Além dos erros assumidos na redação do estudo, a pesquisa inicial da polilaminina recebeu críticas contundentes devido à ausência de um grupo controle metodológico.

O grupo controle é um método na pesquisa clínica, onde os participantes voluntários são divididos aleatoriamente em duas equipes distintas durante o teste.

Uma equipe recebe o tratamento experimental real, enquanto a outra recebe uma substância inativa, o placebo, que possui aparência idêntica ao medicamento verdadeiro.

Porém, em entrevista ao jornal Estadão sobre o estudo da polilaminina, a pesquisadora explicou seu posicionamento inicial.

“A situação extrema é: aplicamos em 150 pacientes em uso compassivo e todos voltam a andar. Aí eu vou ser totalmente contra o grupo controle. Mas isso não aconteceu ainda”, pontuou a cientista ao Estadão, destacando os dilemas éticos da pesquisa.

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Anvisa aprova início dos testes

Apesar das controvérsias acadêmicas recentes, o desenvolvimento do tratamento seguirá os trâmites regulatórios oficiais para tentar comprovar cientificamente sua segurança em seres humanos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a primeira fase dos estudos clínicos já está oficialmente autorizada para começar no Brasil.

Essa etapa inicial envolverá apenas cinco voluntários, com idades variando estritamente entre 18 e 72 anos, que sofreram lesões completas da medula espinhal torácica. Para participar, as lesões devem estar localizadas entre as vértebras T2 e T10, e o paciente precisa ter indicação cirúrgica em menos de 72 horas.

Tratamento experimental com polilaminina busca recuperar movimentos em pacientes com lesão na medula e já tem testes clínicos autorizados no Brasil.

Próximos passos da pesquisa

A Tatiana Sampaio garantiu que o artigo científico original passará por uma revisão geral detalhada. Falando novamente ao portal G1, ela admitiu que o processo de reestruturação incluirá correções textuais profundas.

“Tem trechos que eu estou explicando mal e aí posso explicar melhor”, justificou a pesquisadora sobre as futuras mudanças na forma como os resultados foram descritos.

Além disso, em declaração ao jornal Estadão, a bióloga reconheceu que a comunicação do projeto para a sociedade pode ter ultrapassado os limites ideais.

“Eu acredito que o excesso de divulgação é prejudicial porque transforma os estudos em notícias. Eu não tenho rede social, não faço declarações bombásticas e jamais afirmei que tinha encontrado a cura para lesão medular. O momento adequado para divulgação dos resultados de uma pesquisa é avaliado subjetivamente. Talvez tenhamos errado. Só que não é todo mundo que carrega a culpa de saber sobre uma medicação que parece promover melhora e fica calada. O que eu digo para todas as pessoas que tiveram lesão medular nos últimos anos e não sabiam que existia uma possibilidade de melhora que não foi divulgada?”, refletiu.

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