Uma pesquisa realizada pela Harvard Medical School, em parceria com o Massachusetts General Hospital, revelou que cirurgiões vivem menos do que médicos de outras especialidades, mesmo após ajustes para fatores como sexo, formação acadêmica e renda. O levantamento analisou dados do sistema de saúde dos Estados Unidos e apontou que a mortalidade média entre cirurgiões foi de 355,3 por 100 mil habitantes, contra 228,4 entre os demais médicos.
Na prática, a profissão está associada a um risco de morte 56% maior. Apesar de ser um estudo observacional, ou seja, sem estabelecer relação direta de causa e efeito, os resultados levantam hipóteses importantes sobre as condições de trabalho dos cirurgiões.

Jornadas extensas
Um dos fatores que ajudam a explicar por que cirurgiões vivem menos é a carga horária prolongada. Os plantões costumam se estender por longos períodos, o que compromete a qualidade do sono e a recuperação física. Além disso, a imprevisibilidade dos procedimentos cirúrgicos aumenta o desgaste físico.
Plantões noturnos
Outro aspecto relevante é a frequência de plantões noturnos. A alteração constante do ciclo biológico impacta o metabolismo e favorece o desenvolvimento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Esse fator pode estar diretamente ligado ao maior risco de mortalidade entre cirurgiões.
Alta pressão psicológica
Somada ao esforço físico, a pressão psicológica também é intensa. Cirurgiões lidam diariamente com situações de alto risco, nas quais decisões rápidas podem definir a vida ou a morte de um paciente. Esse cenário de tensão contínua aumenta os níveis de estresse crônico, o que, por sua vez, compromete o sistema cardiovascular e imunológico.
Estresse e riscos adicionais
Além do estresse ocupacional, existem riscos físicos extras: exposição frequente à radiação e maior probabilidade de acidentes em ambientes de alta complexidade. Esses fatores, somados à rotina intensa, podem contribuir para o desgaste físico e para o aumento de riscos à saúde a longo prazo.
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Diante desse cenário, especialistas defendem a importância de repensar a rotina da cirurgia, investindo em políticas de saúde ocupacional que reduzam o desgaste físico e mental da categoria.
Embora a profissão seja essencial para salvar vidas, os dados mostram que cirurgiões vivem menos justamente por estarem submetidos a condições de trabalho extremas. A pesquisa, portanto, reforça a necessidade urgente de equilibrar dedicação profissional e qualidade de vida dentro da medicina.
Acesse e confira o estudo completo.
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