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Resultado do Enamed 2025: Cerca de 30% dos cursos de Medicina não alcançam boas notas

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Levantamento do Inep mostra que 1 em cada 3 cursos teve desempenho insuficiente.

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, nesta segunda-feira (19), o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. O levantamento aponta que cerca de um terço das graduações em Medicina avaliadas no país obteve desempenho insatisfatório.

O exame foi realizado no dia 19 de outubro de 2025 e contou com a participação de 92% dos 96,6 mil inscritos confirmados, segundo o Ministério da Educação (MEC).

Desempenho insuficiente

De acordo com o balanço apresentado em Brasília pelo MEC, mais de 100 cursos receberam as notas 1 e 2, faixas consideradas insuficientes para a formação de novos médicos. Especificamente, 24 graduações obtiveram o conceito máximo de reprovação (nota 1), enquanto 83 ficaram com a nota 2.

A avaliação considerou o desempenho global de aproximadamente 89 mil alunos, englobando tanto concluintes quanto estudantes em outros estágios da formação.

Entre os formandos, cerca de 39 mil universitários prestes a ingressar no mercado de trabalho, apenas 67% demonstraram proficiência adequada. Isso indica que quase 13 mil futuros profissionais não apresentaram o conhecimento mínimo exigido pelo exame.

Disparidade entre instituições

A análise detalhada dos dados revela diferenças significativas de desempenho dependendo da categoria administrativa da instituição de ensino. As universidades públicas federais e estaduais lideram os índices de qualidade. Nas federais, 87,6% dos cursos alcançaram os conceitos de excelência (faixas 4 e 5). Nas estaduais, esse índice foi de 84,7%.

Em contrapartida, as piores avaliações concentram-se nas instituições públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nos conceitos mais baixos.

O setor privado com fins lucrativos também apresentou desempenho aquém do esperado, com 58,4% das graduações nas faixas de reprovação. As instituições privadas sem fins lucrativos registraram um terço dos cursos com conceitos insuficientes.

Cortes de vagas e suspensão do Fies

Como consequência imediata do resultado do Enamed 2025, as faculdades mal avaliadas sofrerão penalidades administrativas. Embora 107 cursos tenham ficado nas faixas 1 e 2, as sanções diretas do MEC recaem sobre 99 deles, uma vez que a pasta não possui gerência direta sobre universidades estaduais e municipais.

As punições variam de acordo com a gravidade da nota e incluem a suspensão de novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a restrição de ingresso de novos alunos. O plano de supervisão estabelece que:

  • 8 cursos terão o vestibular suspenso e não poderão receber novos alunos;
  • 13 cursos deverão reduzir a oferta de vagas pela metade (50%);
  • 33 cursos sofrerão um corte de 25% nas vagas;
  • 45 cursos ficam impedidos de ampliar o número de cadeiras.

Durante a coletiva de imprensa, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que as medidas visam proteger a população e garantir a qualidade da assistência médica. Segundo Santana, as instituições terão prazo para defesa e a supervisão serve como ferramenta de correção e aperfeiçoamento do ensino.

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Ação judicial e novo formato de avaliação

A divulgação do panorama da educação médica no país enfrentou resistência nos tribunais. Na semana anterior ao anúncio, a Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) protocolou uma ação judicial para barrar a publicidade das notas.

A entidade argumentou que o MEC definiu a metodologia de cálculo apenas após a aplicação da prova, o que teria prejudicado a preparação das faculdades. A associação também alegou risco de danos à imagem e reputação das instituições de ensino. A Justiça, no entanto, negou o pedido, classificando o risco alegado como “meramente hipotético” e autorizando a transparência dos dados.

O Enamed foi instituído para substituir o antigo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) especificamente para a área médica. O novo formato é mais robusto, tendo ampliado a prova de 40 para 100 questões. O cronograma prevê que, a partir de 2026, a avaliação seja aplicada também a estudantes do quarto ano da graduação.

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