A abertura de cursos de Medicina deverá seguir chamamento público definido pelo Ministério da Educação (MEC), de acordo com a decisão, por maioria, do Supremo Tribunal Federal (STF), onde afirma que a pasta tem autonomia para estabelecer editais e critérios técnicos para criação e ampliação de vagas. A decisão valida o modelo previsto na Lei do Mais Médicos e afeta diretamente instituições privadas, estudantes e o planejamento da formação médica no país.
O julgamento analisou ação que questionava a exigência de edital para novos cursos. Com o entendimento do STF, o MEC não é obrigado a aceitar pedidos individuais de abertura. A criação de cursos passa a depender de processos públicos, com critérios previamente definidos.
O que motivou a ação no STF
A controvérsia chegou ao Supremo por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pelo Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub) e pela Associação Brasileira de Universidades Comunitárias (Abruc). As entidades argumentavam que a exigência de chamamento público para abertura de cursos de Medicina violaria a autonomia universitária e o princípio da livre iniciativa.
Antes da Lei do Mais Médicos, instituições podiam protocolar pedidos individuais para criação de cursos. Com a nova regra, o MEC passou a organizar editais específicos, definindo previamente número de vagas e municípios contemplados, com base em critérios técnicos.
O que o STF decidiu sobre cursos de Medicina

O Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a exigência de chamamento público para a abertura de cursos de Medicina. Na prática, a Corte confirmou que:
- O MEC pode definir regras específicas para criação e ampliação de vagas.
- A abertura não precisa ocorrer por meio de análise de pedidos individuais.
- A expansão deve seguir edital com critérios técnicos e planejamento regional.
A decisão também foi tomada em conjunto com a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 81, que trata do mesmo tema. Com isso, o modelo ganha segurança jurídica e reduz a possibilidade de novas disputas judiciais sobre o formato de autorização.
Repercussões para a educação médica

Para instituições privadas
- Fica afastada a possibilidade de solicitar individualmente a abertura de novos cursos de Medicina.
- As instituições devem aguardar editais estruturados pelo MEC.
- A participação dependerá do cumprimento de requisitos técnicos e regionais definidos previamente.
Para estudantes e o setor de saúde
- A expansão tende a ocorrer de forma planejada.
- As novas vagas de Medicina devem ser direcionadas a regiões com necessidade comprovada.
- O modelo busca reforçar critérios de qualidade e infraestrutura antes da autorização.
A decisão do STF sobre cursos de Medicina impacta diretamente vestibulandos e estudantes que aguardam novas oportunidades de ingresso, além de gestores acadêmicos que dependem de autorização federal para ampliar a oferta.
Edital revogado e impacto recente
O debate ocorre após o MEC revogar um edital que previa a criação de 5.900 novas vagas de Medicina. A decisão foi tomada depois de resultados considerados insatisfatórios no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que indicaram desempenho baixo em parte significativa dos cursos avaliados.
Relatórios apontaram que cerca de 30% dos cursos podem sofrer medidas administrativas após notas baixas. O episódio reforçou o argumento do governo federal de que a expansão precisa estar associada a indicadores de qualidade.
O que muda daqui para frente
Com a decisão, o MEC passa a conduzir integralmente o processo de abertura de cursos de Medicina por meio de chamamento público. A definição de novas vagas deverá considerar:
- Necessidade regional de médicos.
- Estrutura da rede local do Sistema Único de Saúde (SUS).
- Capacidade de oferta de campos de prática.
- Projeções demográficas e assistenciais.
A abertura de cursos de Medicina, portanto, permanece possível, mas dentro de um modelo centralizado e técnico. A decisão do STF consolida o papel do MEC na organização da expansão e estabelece parâmetros mais rígidos para novas autorizações.
Entenda a Lei do Mais Médicos
A Lei do Mais Médicos instituiu o modelo que vincula a abertura de cursos de Medicina às necessidades do Sistema Único de Saúde.
Entre os principais pontos:
- Novos cursos devem atender municípios com déficit de médicos.
- A autorização depende de avaliação técnica da estrutura local.
- O objetivo é alinhar formação médica e políticas públicas de saúde.
Com a decisão do STF, esse modelo passa a ter respaldo definitivo no Judiciário, influenciando diretamente o futuro da formação médica no Brasil.
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