Conciliar os estudos no Carnaval é uma das principais dúvidas de quem se prepara para o Enem e vestibulares de Medicina. Afinal, é melhor manter o ritmo ou aproveitar os dias de folga? Segundo o professor Rígel Rabelo, sócio-fundador da plataforma Passei, o equilíbrio é o caminho mais seguro para não comprometer o desempenho ao longo do ano.
“Se você reduz um pouco o ritmo de estudo, é mais interessante. Você pode curtir o Carnaval, mas também não pode passar cinco dias sem estudar”, afirma.
O dilema entre estudar no Carnaval ou descansar costuma gerar culpa, principalmente entre vestibulandos em preparação intensiva. No entanto, conforme destaca o professor, a constância no longo prazo é mais importante do que a rigidez em um único feriado.
“Nem estudar o tempo todo, nem deixar totalmente de lado os estudos. O ideal é dosar. Algo como 50% estudo e 50% descanso, ou 60% e 40%”, orienta.
O Carnaval não precisa ser um vilão na preparação
Primeiramente, é preciso entender que a preparação para o vestibular Medicina é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Ou seja, o desempenho depende de regularidade ao longo do ano.
De acordo com Rígel, abrir mão completamente do descanso pode ser um erro estratégico.
“Tirar todos os dias do Carnaval para estudar é um erro crucial, porque você vai se desgastar mentalmente e fisicamente. No final do ano, vai acabar estafado”, explica.
Além disso, o calendário de 2026 prevê vários feriados prolongados. Portanto, o estudante precisa aprender a administrar pausas ao longo do ano.
“A gente vai ter muitos feriadões. Então, tire um tempo para estudar, mas também tire um tempo para fazer o que gosta”, reforça o professor.
Descansar, nesse contexto, não significa abandonar o projeto de aprovação. Pelo contrário, pausas planejadas ajudam a preservar energia, foco e motivação.
Como organizar a rotina de estudos antes do feriado
Para quem deseja estudar no Carnaval sem prejudicar o rendimento, o planejamento começa antes da folia. O ideal, segundo o professor, é ajustar a carga de estudos na semana anterior.
Se há conteúdo acumulado, pode ser interessante intensificar levemente os estudos nos dias que antecedem o feriado.
“Se você tiver matéria acumulada, eu aconselho aumentar um pouquinho a quantidade, mas nunca estudar 100% do que você estudaria normalmente”, afirma.
Além disso, priorizar disciplinas estratégicas, como Biologia, Química e Física, fundamentais para o vestibular Medicina, pode tornar o período mais produtivo.
Portanto, em vez de tentar revisar tudo, o estudante deve selecionar tópicos mais recorrentes ou conteúdos em que apresenta maior dificuldade.
Dicas de estudo para o Carnaval, segundo o professor
Para quem quer manter a rotina de estudos no Carnaval de forma leve e eficiente, Rígel recomenda estratégias simples e aplicáveis.
1. Estudar metade do dia
“O ideal seria fazer isso todo dia: metade do dia você estuda e, a partir da tarde ou da noite, vai fazer o que gosta”, sugere.
Outra alternativa é alternar dias: um mais focado nos estudos e outro dedicado ao lazer.
2. Usar a técnica Pomodoro
Uma das principais dicas de estudo no Carnaval é trabalhar com blocos curtos e concentrados.
“Eu utilizo muito a técnica Pomodoro. Você estuda por um tempo predeterminado, 40 ou 45 minutos, sem pausa nenhuma, deixa o celular longe e foca no conteúdo”, explica.
Depois do bloco de concentração, o estudante pode fazer pequenas pausas e retomar o ciclo. Isso mantém a produtividade sem gerar exaustão.
3. Apostar em revisões rápidas
Revisar teoria, resolver questões ou utilizar resumos e flashcards são estratégias eficazes para períodos curtos. Além disso, materiais em PDF ou aplicativos de questões permitem estudar em deslocamentos, como viagens ou trajetos até blocos e eventos.
4. Manter metas realistas
Prometer seis ou oito horas de estudo durante o Carnaval pode gerar frustração. Segundo o professor, o excesso de rigidez costuma ser prejudicial.
“Você precisa controlar isso. Nem tirar tudo para estudar, nem tirar tudo só para curtir.”

O que evitar ao estudar no Carnaval
Embora seja possível conciliar estudos no Carnaval, alguns erros podem comprometer o rendimento.
Primeiramente, estudar de forma intensa todos os dias do feriado pode causar desgaste acumulado. Além disso, confiar que será possível “compensar tudo depois” também é arriscado, já que o conteúdo tende a se acumular.
Outro ponto é a falta de descanso adequado. É muito importante que você aproveite o que gosta, seja sair para o Carnaval de rua, assistir a uma série ou descansar.
E se eu não conseguir estudar no Carnaval?
Para muitos vestibulandos, a maior dificuldade não é organizar a rotina, mas lidar com a culpa. Nesse caso, o professor é direto: “Se você já passou o Carnaval e não estudou, esqueça. Você não tem como voltar no tempo.”
Ou seja, insistir na culpa não melhora o desempenho. Pelo contrário, pode atrapalhar a retomada. “Não tenha culpa pelo que já passou. O que já passou, já passou. Bola pra frente”, afirma.
Portanto, a orientação é retomar os estudos no dia seguinte ao feriado, reorganizar o cronograma e seguir com constância.
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Mini cronogramas para diferentes perfis
Para tornar a rotina de estudos no Carnaval mais prática, é possível adaptar o planejamento ao estilo de cada estudante:
| Quem vai viajar | – 1 hora de revisão leve por dia – Flashcards e questões no transporte – Foco em revisão, não em conteúdo novo |
| Quem vai curtir blocos | – Estudo pela manhã (1h a 2h) – Blocos de 40 minutos com pausas – Tarde e noite livres |
| Quem quer avançar bastante | 2 dias de estudo mais intenso 2 dias de descanso completo Revisões estratégicas no último dia |
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Equilíbrio é estratégia, não fraqueza
Estudar para o Enem no Carnaval não significa abrir mão totalmente da folia, assim como descansar não significa abandonar o sonho da aprovação em Medicina. O segredo, segundo o professor Rígel Rabelo, está na dosagem.
“Nem estudar o tempo todo, nem deixar de estudar completamente. É sempre uma questão de equilíbrio”, resume.
Assim, mais do que decidir entre estudar no Carnaval ou descansar, o vestibulando precisa pensar em longo prazo. Afinal, a aprovação no vestibular depende de consistência ao longo do ano, e não de cinco dias isolados.







