O vazamento do Provão Paulista ganhou destaque nas redes sociais após imagens das provas da edição 2025 circularem durante a aplicação do exame nos dias 4 e 5 de novembro, voltado aos estudantes da 3ª série do Ensino Médio.
O episódio levou o governo de São Paulo a abrir uma apuração sobre o uso indevido de celulares em sala de aula, levantando dúvidas sobre a segurança do processo seletivo que garante acesso direto a vagas em universidades públicas paulistas como USP, Unesp e Unicamp.
O caso ocorre em meio à consolidação do Provão Paulista como um dos principais mecanismos de ingresso ao ensino superior do estado, e acendeu o alerta entre estudantes e professores sobre a fiscalização nas escolas.
O que aconteceu
Vídeos e fotos de cadernos de prova começaram a circular em plataformas como TikTok e X (antigo Twitter) poucas horas após o início do exame. Em algumas postagens, estudantes afirmaram que colegas conseguiram manter o celular em sala, contrariando as regras oficiais. As imagens mostram trechos legíveis de questões e até comentários irônicos sobre o conteúdo das provas, o que indica que os registros ocorreram durante a aplicação.
A repercussão do vazamento do Provão Paulista foi imediata. Em fóruns de discussão e nas próprias redes sociais, alunos criticaram a falta de controle sobre o uso de aparelhos e questionaram a validade do exame. Um participante escreveu: “A gente entrega o celular, mas nem todo mundo respeita. É injusto com quem estuda e faz tudo certo”. A situação levantou preocupações sobre a equidade entre os concorrentes e a eficácia das medidas de fiscalização.
Reação oficial
Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou que está verificando os registros de imagens e o uso de dispositivos eletrônicos durante a aplicação do exame. A pasta reforçou que o edital do Provão Paulista prevê eliminação imediata do participante que fizer registros por foto, vídeo ou som, ou que mantenha qualquer aparelho ligado em sala.
O documento determina ainda que os celulares devem ser lacrados em envelopes transparentes antes do início da prova, medida que cabe aos aplicadores fiscalizar. Apesar disso, relatos apontam falhas na execução do protocolo. Até o momento, o governo paulista não divulgou o número de alunos identificados com irregularidades, mas confirmou que as investigações seguem em andamento.
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A secretaria também destacou que as escolas receberam orientações específicas sobre segurança e que casos comprovados de descumprimento podem resultar em anulação da prova e exclusão do exame.
Sobre o Provão Paulista
Criado em 2023, o Provão Paulista Seriado é aplicado pela Seduc-SP em parceria com a Fundação Vunesp e substitui o antigo vestibulinho das Fatecs como via principal de acesso às universidades públicas estaduais. O exame é voltado a estudantes do ensino médio da rede pública, incluindo as escolas técnicas e de jovens e adultos (EJA).
Em 2025, cerca de 375 mil alunos participam da prova, que oferece 15.717 vagas em instituições como USP, Unesp, Unicamp, Univesp e Fatecs. O modelo é seriado: o desempenho do estudante é acumulado ao longo das três séries do ensino médio, e a média final define a classificação para as vagas.
Exame segue e investigações continuam
Apesar das denúncias de vazamento, o Provão Paulista 2025 segue normalmente nesta sexta-feira (7), quando será aplicado para estudantes da 1ª série do Ensino Médio. A Seduc-SP reafirmou seu compromisso com a transparência e a lisura do processo, e garantiu que os casos de uso indevido de celular serão analisados individualmente.
Enquanto as apurações continuam, especialistas defendem reforço na fiscalização e revisão dos protocolos de segurança para as próximas edições, a fim de preservar a credibilidade de um exame que se tornou central no acesso ao ensino superior paulista.










