Na última semana, um caso repercutiu pela comunidade educacional do Brasil: um jovem obteve nota zero ao apresentar redação cheia de expressões difíceis. Por um lado, alguns não entenderam o que tinha acontecido, visto que o texto era rico em vocabulário e citações. Já outros citaram que talvez esse tenha sido justamente o motivo da nota.
Devido a incerteza da situação, conversamos com o professor de redação Diego Silva, do cursinho preparatório PasseiMed, que nos explicou alguns motivos que puderam levar ao zero na redação.
O que aconteceu
Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, prestou o vestibular da Universidade de São Paulo (USP), o Fuvest, para uma vaga no curso de Direito. Usando expressões rebuscadas e pouco ditas no dia a dia, o aluno entregou a redação esperando ansiosamente pela nota. O resultado? Zerada.
Surpreso, e sem entender o que tinha acontecido, buscou uma resposta para o zero na página de resultados. Junto à sua mãe (que por sinal é advogada) entrou com recurso na Justiça para entender a nota.
Porém, de acordo com a organização do vestibular, não houve indícios suficientes que demonstrassem a compreensão do tema. Mesmo com citações, para a universidade, o jovem não conseguiu abordar o tema definido.

Expressões difíceis na redação
Mas, o que chamou a atenção de diversos professores e alunos ao redor do país foi a maneira como o texto foi construído. Alguns afirmaram que o uso excessivo de expressões difíceis dificultou o entendimento, enquanto outros alegaram que a situação educacional do país se encontra em alerta.
Na rede social, um usuário levantou uma reflexão, questionando “desde quando escrever bem, com vocabulário amplo e estrutura sofisticada, passou a ser um problema?”. Em outro comentário, alguém dizia que “era só fazer o básico bem feito”.
Segundo o professor de redação, Diego Silva, o uso excessivo de palavras rebuscadas agiu ao contrário do que era esperado. “A seleção [excessiva] de palavras de uma erudição maior acaba sendo negativa pro texto”.
Isso ocorre porque o corretor precisa avaliar o texto em uma leitura corrida. E, mesmo tendo tecnólogias que o auxiliem na busca por palavras, o ideal é que, de acordo com Diego, não seja utilizada.
Por sua vez, a redação de Luis levantou questões importantes para que futuros vestibulandos fiquem atentos: até que ponto se deve usar expressões difíceis para estruturar seu raciocínio?
Quais foram os erros encontrados na redação?
O professor Diego Silva apresenta que, embora amplo vocabulário, a estrutura da redação de Luis Henrique mostrou alguns outros erros, como:
- estrutura do texto diferente da proposta,
- falhas de coesão,
- e, principalmente, a fuga do tema.
Leia o texto de Luis na íntegra
Intentona pela Reconstituição da Interioridade
Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito. Djaimilia de Almeida concebe, em A Visão das Plantas, valer-se a epísteme lírico-narrativa de concepções hermenêutico-historiográficas, as quais decorrem da dialética antagônica e maquiavélica ao postularem a teleologia hodierna. Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo. Entretanto, à medida em que impera a dinamicidade, fragilizam-se axiomas em difusas postulações. Nesse ínterim, ressoa o sofrer recôndito na fragmentação identitária ao se concernir ao perdão – significado – múltiplos significantes: o condicionamento e a limitação, seja em razão da violência simbólica ou da tecnocracia.
Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária. Articula a dialética bourdiana – de Pierre Bourdieu – a internalização de signos culturais, fundamentados por efemérides violentas, a partir da impotência reflexiva inerente ao sujeito-interlocutor, o qual se resigna à unidimensionalidade distópica que o cerca. Dessa forma, transfigura-se a universalidade associada ao imperativo categórico no perdão condicionado: busca incessante por relegar a outrem o esvaziamento eudaimônico da individualidade esvaziada.
Ademais, nota-se haver a instrumentalização da razão a partir do Antropo-tecno-ceno – era em que ocorre a comodificação cultural a partir do uso de emergentes adventos tecnológicos. Nesse ínterim, Michael Sandel postula ser promovida pela tecnocracia a associação de concepções desenvolvimentistas à égide capitalista, ocasionando a negligência da seguridade social. Assim, desnuda-se o perdão limitado como sendo uma intentona à valorização do indivíduo cujo “status quo” encontra-se invisibilizado, uma vez que ocorre a busca mercadológica pelo perdão.
Diante do exposto, revela-se a tendência, no espectro contemporâneo, à fragmentação da “psique” coletiva, sendo o “perdão” a elucidação de sua fenomenologia. Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes.
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