A nova Cartilha de Redação do Enem 2025 trouxe um alerta importante para os candidatos, que é, usar citações genéricas ou decoradas pode prejudicar a nota. O Inep reforça que o repertório sociocultural precisa ser pertinente ao tema e articulado com a argumentação, o que exige reflexão, não memorização.
Pela primeira vez, o documento menciona diretamente o termo “repertório de bolso”, usado para definir referências prontas que aparecem de forma automática, sem relação real com o tema proposto.
Segundo o órgão, essa prática tem se tornado comum nas redações, especialmente entre estudantes que decoram citações filosóficas, literárias ou históricas para tentar demonstrar erudição.
Agora, o Inep deixa claro que esse tipo de estratégia pode reduzir pontos na Competência II, que avalia o desenvolvimento e a argumentação do texto.
O que é repertório sociocultural e o que mudou
O repertório sociocultural, segundo o Inep, é o conjunto de conhecimentos que o candidato mobiliza para sustentar seu ponto de vista. Ele pode incluir obras artísticas, fatos históricos, dados estatísticos, acontecimentos sociais e referências culturais, desde que sejam pertinentes e contextualizados.

O novo destaque na cartilha não altera as regras da redação, mas esclarece algo que os avaliadores já observavam há anos. A diferença é que, em 2025, o Inep decidiu explicitar a crítica aos “repertórios de bolso”, expressão usada para identificar citações e exemplos genéricos que aparecem sem conexão real com o tema.
Por que repertórios decorados são prejudiciais
Na Competência II, o avaliador analisa se o participante compreendeu a proposta e usou repertório produtivo, ou seja, que realmente contribui para a defesa do ponto de vista. Citações genéricas, quando aplicadas sem análise, mostram apenas memorização, não reflexão.
A cartilha ilustra o problema com um exemplo clássico, como o uso da obra “Utopia”, de Thomas More, citado de forma vaga como sinônimo de “sociedade ideal”. Quando o candidato apenas menciona o título sem discutir o conteúdo da obra ou sua relação com o tema, o repertório é considerado não produtivo.

Para Daniela Toffoli, professora de redação e autora de material preparatório para o Enem, “o repertório decorado é como uma frase de efeito fora de contexto: bonito à primeira vista, mas vazio na argumentação. O corretor percebe quando o estudante tenta encaixar uma citação só para impressionar”.
Por isso, o Inep recomenda que cada referência seja usada de forma analisada, explicada e relacionada ao argumento central. A simples presença de uma citação famosa não garante nota alta, o que importa é o modo como ela é empregada.
Dicas para ampliar seu repertório sociocultural para o Enem sem cair na armadilha do decoreba
O bom repertório nasce da leitura contínua, da observação crítica do mundo e da capacidade de relacionar informações de diferentes áreas.
Quatro passos práticos para o aprimoramento do repertório sociocultural são:
- Cultive o hábito da leitura diária. Artigos jornalísticos, editoriais e ensaios ajudam a compreender problemas sociais e desenvolver vocabulário.
- Assista a documentários e debates. Plataformas públicas e educativas oferecem conteúdos que ampliam a visão sobre temas recorrentes no Enem.
- Crie um banco de repertórios temáticos. Organize exemplos por eixos como cidadania, tecnologia, meio ambiente e cultura, anotando autores e contextos.
- Pratique conexões. Ao estudar cada tema, pense: “Como essa informação se liga à minha tese?”. Esse exercício transforma o repertório em argumento real.
A professora de redação Daniela Toffoli acrescenta que o estudante deve buscar autonomia de pensamento. “Não existe repertório certo para todos os temas. Existe o repertório certo para o seu texto. O Enem quer ver o aluno pensando, não repetindo fórmulas”, afirma.
Autenticidade é o diferencial
A mensagem da Cartilha do Enem 2025 é clara. O exame valoriza autenticidade e reflexão, não o uso mecânico de frases decoradas. Entender e aplicar o repertório sociocultural de forma crítica pode transformar uma redação comum em um texto autoral e coerente. O segredo está em equilibrar informação e análise.
No fim, o bom repertório é aquele que nasce da leitura, da escuta e da curiosidade. Mais do que decorar nomes, o estudante precisa aprender a pensar com base nas referências que domina. Esse é o caminho para uma redação nota mil, e para uma formação mais crítica, conectada e genuína.





