Como fazer intercâmbio na faculdade de Medicina? 

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Escrito por:

Leila Lima

O intercâmbio acadêmico tornou-se uma das mais eficazes maneiras de expandir horizontes e enriquecer a formação profissional, especialmente para os estudantes de Medicina. Se antes a busca por experiências internacionais parecia distante para muitos, hoje, graças a programas como o IFMSA, AIESEC e a mobilidade acadêmica oferecida pelas universidades, é uma realidade ao alcance de quem deseja ir além da sala de aula.

Participar de um intercâmbio é mais do que uma experiência cultural; é uma verdadeira imersão na prática da Medicina em contextos distintos. Estudar Medicina no Brasil é um desafio único, mas realizar um intercâmbio oferece a chance de vivenciar realidades de sistemas de saúde diferentes, além de expandir o entendimento sobre doenças, tratamentos e políticas de saúde pública.

Além disso, essa vivência pode ser um diferencial competitivo no mercado de trabalho, já que médicos com experiências internacionais são altamente valorizados, principalmente em um cenário globalizado de troca constante de saberes. Outro ponto importante é o aprimoramento de idiomas e a adaptação a novas culturas, habilidades essenciais em um mundo cada vez mais interconectado. 

Como participar de programas de intercâmbio?

Cada programa de intercâmbio tem seu próprio regulamento. Por isso, para participar é preciso ter atenção às especificidades de cada um, tanto em relação à inscrição quanto aos requisitos para permanência durante a duração do programa. Por exemplo, alguns programas têm como pré-requisito a apresentação de certificados de proficiência no idioma do país de destino, sendo que o nível de conhecimento da língua exigido também é variável.

Ainda, o edital especifica a partir de que etapa do curso os alunos podem se inscrever: em alguns programas é necessário já ter cumprido um percentual específico da carga horária, por exemplo, 30% de todos os componentes curriculares. Em resumo, a dica é ler atentamente os editais em que você deseja se inscrever.

Programas internacionais:

IFMSA

A Federação Internacional das Associações de Estudantes de Medicina (IFMSA), uma das maiores e mais respeitadas federações de estudantes de Medicina do mundo, é uma excelente oportunidade para aqueles que buscam vivenciar a medicina fora das fronteiras do Brasil. Com representações em mais de 130 países, o IFMSA organiza programas de intercâmbio que permitem aos estudantes estagiar em hospitais e clínicas no exterior, além de participar de congressos e eventos acadêmicos.

O programa é dividido em áreas específicas, como prática clínica, saúde pública, pesquisa e até mesmo experiências em comunidades carentes. A grande vantagem do IFMSA é a possibilidade de imersão total na realidade da saúde pública de outros países, o que proporciona uma visão ampla sobre as diferentes formas de atuação médica, além de fomentar o networking internacional.

A participação em projetos de pesquisa, atlética e Ligas Acadêmicas, por exemplo, geram pontos e é um dos critérios para seleção dos estudantes. Os editais abrem todos os anos e é obrigatório ter domínio do Inglês. 

Confira mais informações e documentação necessária no site: IFMSA

AIESEC

Outro programa bastante procurado é o de Voluntariado Global pela AIESEC, uma organização não governamental filiada à Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se de uma experiência de trabalho voluntário junto a ONGS, escolas ou fundações vinculadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Com duração variável — geralmente, em torno de 6 a 8 semanas —, o Voluntariado Global não é exclusivo para Medicina. Porém, você pode conseguir atuar em hospitais. Além disso, mesmo que a vivência não seja na área da saúde, trata-se de um programa que fará muita diferença na sua formação.

Universidades e diretórios

DENEM

O DENEM (Diretório Nacional dos Estudantes de Medicina) também desempenha papel crucial na promoção de intercâmbios. Embora o diretório seja uma organização voltada para a defesa dos direitos dos estudantes de Medicina no Brasil, a entidade organiza, ao longo do ano, diversos eventos, congressos e, principalmente, oferece plataformas de troca de experiências entre as universidades brasileiras e internacionais.

Através de parcerias com outras associações e universidades, eles facilitam o acesso dos estudantes aos programas de mobilidade acadêmica, atuando como um elo entre a formação médica nacional e as experiências globais. Além disso, a interação com colegas de outros países permite a troca de saberes e práticas, essencial para a formação de um médico mais consciente e preparado para os desafios da medicina em um cenário global.

Universidade de São Paulo 

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), através da Comissão de Relações Internacionais, também oferece vagas para alunos matriculados a partir do 3º ano do curso para estágios de pesquisa em laboratório afiliados à Harvard Medical School (HMS), EUA. Os candidatos que forem selecionados permanecem no país  por um período de 12 meses, a partir de janeiro de 2026.

O processo de seleção acontece em duas etapas e as inscrições deverão ser realizadas de até o dia 07 de março de 2025, exclusivamente via Internet (Google Forms). Confira mais informações no link do edital.

Mobilidade acadêmica 

Se você é estudante de Medicina e deseja ampliar seus horizontes acadêmicos, a mobilidade acadêmica é um dos caminhos mais diretos para um intercâmbio internacional. Muitas universidades brasileiras mantêm convênios com instituições de ensino e hospitais estrangeiros, oferecendo aos seus alunos a possibilidade de realizar parte do curso fora do país. Essas parcerias incluem desde programas de estágio até módulos de especialização e atividades de pesquisa em instituições renomadas.

A mobilidade acadêmica tem se tornado um dos maiores atrativos para os estudantes de Medicina, visto que a troca de conhecimentos e vivências com estudantes internacionais enriquece a formação e amplia as perspectivas profissionais. 

Em Sergipe, por exemplo, a partir do ProMAI – da Universidade Tiradentes – alunos de Medicina cursando entre o terceiro e sétimo período, podem fazer a mobilidade em instituições distribuídas por países como Argentina, China, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, Letônia, México, Moçambique, Peru, Portugal e Uruguai.

Desafios

Entretanto, o caminho para um intercâmbio na faculdade de Medicina não é simples. Requer planejamento, dedicação e, muitas vezes, o domínio de uma língua estrangeira, já que a maioria dos programas exige fluência no idioma do país de destino. O processo seletivo também pode ser rigoroso, com a exigência de bons desempenhos acadêmicos, habilidades extras e até mesmo cartas de recomendação.

Porém, o esforço vale a pena. Com os avanços nas políticas de mobilidade acadêmica, têm contribuído para democratizar o acesso a essas oportunidades. Se você está em busca de um intercâmbio durante a faculdade de Medicina, é hora de se planejar, explorar as opções e preparar-se para essa imersão enriquecedora. Não perca a oportunidade de transformar sua carreira e seu entendimento sobre a Medicina — o mundo está ao seu alcance.

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