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Inep irá testar inteligência artificial na formulação do Enem

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Após antecipação de questões em 2025, órgão testará IA para simular alunos e blindar a prova.

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O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciaram uma mudança estratégica na elaboração das futuras edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em resposta direta aos recentes episódios de antecipação de questões do Enem 2025, o órgão confirmou que passará a utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) nos processos de testagem dos itens.

O objetivo central é reduzir a necessidade de intervenção humana nas etapas prévias à prova, mitigando assim os riscos de que o conteúdo sigiloso chegue ao conhecimento público antes da aplicação oficial.

Resposta do Inep

A decisão surge como uma medida de segurança após as falhas identificadas na logística de “pré-testes” do exame. Atualmente, para calibrar a dificuldade de uma pergunta, o Inep precisa aplicar essas questões a um grupo real de estudantes, o que expõe o material ao risco de cópia e memorização.

O presidente do Inep, Manoel Palacios, detalhou que a autarquia iniciará testes com sistemas avançados de IA. A intenção é substituir os milhares de alunos que hoje participam da validação dos itens por algoritmos capazes de simular o comportamento humano diante da prova.

Palacios destacou como a tecnologia será empregada para garantir a precisão estatística do exame sem comprometer o sigilo:

“Hoje, para fazer um pré-teste de questões, precisamos de 15 mil estudantes reais. O principal desafio disso é manter o sigilo do material. Vamos experimentar sistemas já desenvolvidos em que a IA simule ser alunos fortes, medianos e mais fracos respondendo.”

Segundo o presidente, o processo contará com a supervisão de uma equipe de especialistas humanos, que atuarão como “juízes” para alinhar as máquinas, assegurando que a calibração pedagógica seja exata. Para o Inep, esse parece ser “o caminho mais produtivo” para modernizar o exame.

Manoel Palacios, presidente do Inep.

De onde vêm as questões do Enem?

Para entender a gravidade do problema e a solução proposta, é preciso compreender o funcionamento do Banco Nacional de Itens (BNI). Este “estoque” de perguntas é alimentado através de um processo rigoroso dividido em três etapas:

  1. Elaboração: Educadores e pesquisadores criam as perguntas.
  2. Validação Pedagógica: Especialistas conferem se o item condiz com a matriz de referência.
  3. Pré-testagem: É a fase crítica. As questões são aplicadas em exames menores para populações semelhantes às do Enem. O objetivo é medir o nível de dificuldade, a capacidade de discriminação (diferenciar quem sabe de quem não sabe) e a probabilidade de acerto ao acaso (o “chute”).

Foi justamente na etapa de pré-testagem que ocorreram as brechas de segurança recentes. As questões, embora “disfarçadas” em outras avaliações, acabaram sendo identificadas e vazadas.

Enem 2025

A urgência na adoção da inteligência artificial deve-se aos incidentes registrados no Enem 2025. A edição deste ano foi marcada pela divulgação antecipada de 12 questões de matemática e ciências da natureza (8 da aplicação principal e 4 da edição na Grande Belém). As questões circularam na internet com números e alternativas iguais às oficiais.

Diante da gravidade da quebra de sigilo e da comercialização do material, o MEC agiu com rigor e acionou a Polícia Federal.

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