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Saúde mental: mais de 70 mil profissionais da saúde se afastam do trabalho

Técnicos, auxiliares de enfermagem e enfermeiros somam mais de 70 mil afastamentos.
Levantamento aponta que mais de 70 mil trabalhadores de enfermagem solicitaram afastamento por motivos de saúde mental no Brasil.

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A enfermagem enfrenta uma emergência que não aparece nos prontuários, mas que paralisa hospitais e sobrecarrega um sistema de saúde já fragilizado. Levantamento realizado em parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério Público do Trabalho, com base em dados do INSS, revela que mais de 70.701 trabalhadores da área solicitaram afastamento por problemas de saúde mental. 

Entre eles estão técnicos, auxiliares de enfermagem e enfermeiros, profissionais que sustentam a linha de frente do cuidado no Brasil.

Os números por categoria

Os afastamentos se distribuem da seguinte forma: técnicos de enfermagem lideram com 48.160 casos, seguidos por auxiliares de enfermagem com 17.993 e enfermeiros com 14.548. Juntos, esses profissionais representam mais de 3 milhões de trabalhadores que atuam sob pressão constante e em condições de trabalho desgastantes.

Dados dos Conselhos Regional de Medicina e Enfermagem de São Paulo indicam que quase 60% dos médicos e aproximadamente 55% dos enfermeiros já sofreram algum tipo de agressão no ambiente de trabalho.

Depressão, ansiedade e estresse lideram os diagnósticos

Os motivos mais frequentes para os afastamentos são episódios depressivos, transtornos ansiosos e reações a estresse grave com transtornos de adaptação. Esse retrato clínico não é exclusivo do Brasil. A OIT estima que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente no mundo inteiro em decorrência de depressão e ansiedade, com impacto de quase um trilhão de dólares à economia global. 

Segundo o Relatório Mundial da Saúde Mental, publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022, esse fenômeno afeta tanto países de baixa renda quanto nações desenvolvidas, o que evidencia uma crise estrutural e não apenas conjuntural.

Mulheres são as mais afetadas

Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional revelou dados preocupantes sobre a saúde mental de trabalhadores da área. Pesquisadores ouviram 581 profissionais de enfermagem da região Sul do país, sendo 84,9% de mulheres, para investigar a prevalência do risco de suicídio na categoria, e identificaram que 8,8% dos entrevistados convivem com algum grau desse risco. 

Os dados apontam que mulheres entre 41 e 68 anos, LGBTQIAPN+, de etnia branca, com ensino médio completo, sem filhos e sem companheiros são as mais afetadas.

Além do elevado risco de suicídio, outros fatores comprometem a saúde dos trabalhadores de enfermagem. O sobrepeso atinge 27% dos profissionais, a hipertensão afeta 17,2% e a depressão e o estresse atingem 16,2% da categoria. Ainda mais alarmante: 28,6% dos entrevistados relataram ter mais de uma doença crônica associada ao trabalho.

Trabalho como fator de risco

Para a OIT, o ambiente profissional pode ser tanto promotor quanto destruidor da saúde mental. Quando bem organizado, o trabalho oferece estrutura de rotina, contato social, propósito coletivo e identidade. Mas quando marcado por sobrecarga, prazos irrealistas, isolamento e insegurança, ele se torna um gatilho para o adoecimento psíquico.

Uma questão estrutural

Especialistas apontam que o avanço dos afastamentos por saúde mental não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de transformações profundas na organização do trabalho no país. As categorias mais afetadas são justamente aquelas com menor poder de negociação e maior dependência da continuidade laboral para garantir renda.

Entre os fatores estruturais identificados pelos pesquisadores estão as relações precárias de trabalho, com contratos temporários e alta rotatividade, o medo do desemprego, que amplifica a insegurança emocional, o excesso de metas atreladas à remuneração, o volume excessivo de jornadas e a ausência de reposição adequada de pessoal.

Enfrentamento da crise

Em resposta à gravidade do cenário, algumas iniciativas estão sendo aplicadas na tentativa de mitigar essa problemática. Em janeiro de 2026, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) aprovou a criação da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde Mental. O novo grupo busca reunir especialistas para subsidiar políticas de saúde e fortalecer ações de apoio aos profissionais da categoria.

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