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Médica explica crises convulsivas que tiraram Henri Castelli do BBB

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A médica Olyvia Spontan explica as causas, tipos e o que fazer em casos de convulsão.

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O ator Henri Castelli deixou o Big Brother Brasil 26 após sofrer crises convulsivas durante sua participação no reality show. De acordo com a produção do programa, o ator estava em observação médica após apresentar dois episódios de convulsão e, por orientação médica, precisou deixar definitivamente o confinamento.

O ator participava da prova do líder quando teve a primeira convulsão. Ele foi prontamente socorrido e encaminhado a um hospital, onde passou por uma bateria de exames. Inicialmente, chegou a ser liberado pela equipe médica para retornar ao programa, mas apresentou uma nova crise convulsiva pouco tempo depois, sendo novamente hospitalizado.

Diante do quadro, com receio de novas crises convulsivas se desencadearem, os médicos recomendaram o afastamento imediato de Henri Castelli do reality.

Para esclarecer as dúvidas sobre o tema, conversamos com a médica Olyvia Spontan, que detalha o funcionamento dessas crises e como agir em situações de emergência.

O que é uma convulsão?

Embora assuste quem presencia, o fenômeno tem uma explicação fisiológica precisa. Segundo a Dra. Olyvia Spontan, trata-se de uma falha elétrica.

“De forma simplificada, a convulsão é um ‘curto-circuito’ no cérebro. Nossos neurônios se comunicam normalmente por impulsos elétricos organizados; na convulsão, ocorre uma descarga excessiva e simultânea de todos ou um grupo de neurônios. Isso gera sinais errados para o corpo, causando movimentos involuntários e/ou alterações de consciência ou sensoriais, dependendo da área do cérebro afetada.”, explica a médica.

Quais são os tipos de convulsão?

A manifestação dos sintomas varia de acordo com a extensão da descarga elétrica no cérebro. A médica explica que é possível dividir os quadros em dois grandes grupos: as focais e as generalizadas.

Nas crises focais, a descarga começa em uma área específica. O paciente pode permanecer consciente enquanto apresenta contrações isoladas em um membro, ou ter a consciência alterada, ficando com o olhar vago e realizando movimentos involuntários ligados àquela região cerebral.

Já nas crises generalizadas, a atividade elétrica envolve todo o cérebro. O tipo mais conhecido é a convulsão tônico-clônica, na qual a pessoa cai, fica rígida e se debate.

Porém, também existem as crises de ausência, mais comuns em crianças, onde a pessoa apenas “desliga” por alguns segundos, além de outros tipos menos frequentes.

Por que convulsões acontecem?

O caso de Henri Castelli ilustra uma das causas possíveis das crises convulsivas (o trauma físico), mas existem diversos gatilhos. Segundo Spontan, o problema ocorre quando o equilíbrio do cérebro é rompido.

“Cada pessoa tem um limiar de excitabilidade neuronal. Convulsões acontecem quando os mecanismos de excitação e inibição do cérebro não conversam e esse limiar é ultrapassado”, afirma a especialista.

Ela detalha os principais fatores desencadeantes:

“Podem ser provocadas por fatores agudos, como febre alta, hipoglicemia, infecções, desequilíbrio de eletrólitos como sódio baixo, intoxicação por drogas e álcool ou mesmo abstinência, traumatismo craniano (TCE) e derrame (AVE), além de sequelas de TCE e AVE, tumores, malformações congênitas e síndromes genéticas.”

Ator deixou o reality após sofrer duas crises convulsivas durante o programa, foi hospitalizado e afastado por recomendação médica.

Qual a diferença entre convulsão e epilepsia?

É comum confundir o sintoma com a doença crônica. A médica esclarece que ter uma crise não significa, automaticamente, ser epiléptico.

“A convulsão é o evento, o sinal, a crise. Já a epilepsia é a doença crônica caracterizada por uma predisposição duradoura a gerar crises recorrentes de convulsão. Ou seja, toda pessoa com epilepsia pode ter convulsões, mas nem toda pessoa que convulsiona tem epilepsia.”, define Olyvia.

Toda crise convulsiva é epiléptica?

A resposta é não. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 10% das pessoas em todo o mundo terão pelo menos uma crise convulsiva durante a vida sem que isso configure epilepsia.

A dra. Olyvia complementa essa informação diferenciando as situações: “Não. Existem as crises provocadas (ou sintomáticas agudas), que ocorrem como resposta de um cérebro normal a um estresse severo momentâneo”.

Nesses casos, a solução está em tratar a origem do problema. “Se tratarmos a causa base, a crise não tende a voltar espontaneamente”, conclui.

Quais sinais antecedem uma crise convulsiva?

Muitas crises ocorrem de forma súbita, sem aviso. No entanto, alguns pacientes relatam a chamada “aura”, que funciona como um alerta prévio do início da crise. Segundo a especialista, os sinais mais comuns incluem:

  • Sensações visuais (luzes, manchas);
  • Cheiros ou gostos estranhos (alucinações olfativas/gustativas);
  • Alterações auditivas (zumbidos, sons);
  • Sensação de “déjà vu”;
  • Medo ou ansiedade súbitos;
  • Angústia epigástrica (frio na barriga);
  • Formigamentos ou flashes de luz;
  • Tontura ou dor de cabeça.

Além disso, reconhecer esses sintomas é fundamental para a segurança do paciente, permitindo que ele procure um local seguro ou peça ajuda antes de perder a consciência.

O que fazer quando uma pessoa convulsionar?

Manter a calma e entendder o passo a passo é essencial durante uma crise convulsiva.

Saber como agir pode evitar lesões secundárias e complicações graves. A dra. Olyvia orienta que algumas medidas simples e corretas fazem toda a diferença no atendimento inicial:

1 – Mantenha a calma.O quadro convulsivo pode ser assustador para quem não tem treinamento, mas o desespero não ajuda e pode atrapalhar o socorro.

2 – Vire a pessoa de lado. Essa posição evita que ela aspire saliva ou vômito, reduzindo o risco de engasgamento.

3 – Proteja a cabeça. Após virar a pessoa de lado, coloque algo macio sob a cabeça (casaco, toalha, almofada) para evitar novos traumas.

4 – Nunca coloque a mão ou qualquer objeto na boca e não tente travar os movimentos à força. A língua é um músculo e não será engolida nem causará sufocamento. Além disso, tentar segurá-la pode causar ferimentos graves nos dedos de quem presta ajuda, nos dentes do paciente ou na própria língua, além de aumentar o risco de broncoaspiração.

5 – Afaste objetos perigosos ao redor, como cadeiras, vidros ou móveis, para evitar lesões durante os movimentos involuntários.

6 – Afrouxe as roupas, principalmente na região do pescoço, para facilitar a respiração.

7 – Permaneça ao lado da pessoa até que ela esteja completamente recuperada e consciente.

8 – Não dê tapas, não jogue água e não ofereça água ou alimentos durante ou logo após a crise.

Por fim, se a convulsão durar mais de cinco minutos, se houver repetição das crises ou se for a primeira vez que a pessoa convulsiona, procure atendimento médico imediatamente.

Como prevenir novas crises?

Para pacientes diagnosticados com epilepsia, a prevenção baseia-se na adesão rigorosa ao tratamento medicamentoso, com acompanhamento neurológico regular.

“A medicação deve ser tomada na frequência certa, na hora certa e só suspensa por ordem médica”, reforça a especialista.

Além dos remédios, a mudança no estilo de vida é vital, o que explica a restrição médica à participação de Henri Castelli no reality show devido as crises convulsivas. Nesse sentido, A médica chama esse cuidado de “higiene de crises”, que inclui:

  • Dormir bem (privação de sono é um grande gatilho);
  • Evitar consumo de álcool e drogas;
  • Gerenciar o estresse;
  • Controlar doenças de base (como hipertensão ou diabetes);
  • Evitar luzes estroboscópicas (luzes piscantes de festas);
  • Identificar e evitar gatilhos individuais.

Como é feito o diagnóstico das crises convulsivas?

De acordo com a médica, o diagnóstico é clínico, realizado quando a equipe de saúde observa a crise ou baseado na história detalhada do paciente e de testemunhas. De acordo com a médica, vídeos de celular gravados por quem presenciou o episódio têm ajudado muito na precisão diagnóstica.

E tem tratamento?

Quanto ao prognóstico, a Dra. Olyvia traz uma perspectiva positiva: “Sim, e é muito eficaz. Cerca de 70% dos pacientes ficam livres de crises apenas com medicação”.

Quais são os sinais de alerta nos casos de convulsão?

Embora a maioria das crises cesse espontaneamente, algumas situações exigem atendimento médico de urgência imediato. Fique atento aos seguintes sinais de gravidade:

  • Crise com duração superior a 5 minutos;
  • Crises repetidas sem recuperação ou com recuperação muito curta entre elas;
  • Primeira crise da vida da pessoa;
  • Ocorrência em gestantes, diabéticos ou pessoas com outras condições de saúde;
  • Lesão física durante a crise (pela queda ou mordedura).

Leia também:

Abordagem da Crise Convulsiva na Emergência e Estado de Mal Epilético: Do ‘Caso do BBB’ às Evidências

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