O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) confirmou, em reunião realizada nesta quinta-feira (29), que os cerca de 13 mil médicos que não atingiram o nível de proficiência no Enamed 2025 poderão obter o registro profissional (CRM). Apesar de o Conselho Federal de Medicina (CFM) articular uma resolução para barrar futuras inscrições de alunos com baixo desempenho, a medida não terá efeito retroativo, garantindo o direito ao registro para a atual turma de formandos.
O anúncio ocorreu durante o evento “Enamed Zero”, transmitido pelo canal oficial da autarquia no YouTube, motivado por um desempenho abaixo do esperado em aproximadamente 30% dos cursos de medicina do Brasil.
Do que se trata o “Enamed Zero”?
A reunião, organizada pela Comissão do Médico Jovem do CREMESP, teve como objetivo debater os resultados dos médicos recém formados no Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enamed) 2025.
O presidente do CREMESP, Dr. Angelo Vattimo, classificou o cenário revelado pelo exame como uma “catástrofe”. De acordo com os dados apresentados, o exame serviu para expor deficiências graves na formação médica em instituições que operam com viés mercantilista e sem estrutura hospitalar adequada.
O encontro reuniu autoridades do conselho, juristas e estudantes para analisar o impacto desses resultados na segurança do paciente. Os participantes destacaram que a proliferação indiscriminada de escolas de medicina, muitas vezes amparadas por liminares judiciais, contribuiu para a queda da qualidade técnica dos novos profissionais.
Nova resolução
Para conter o avanço de profissionais sem o preparo necessário, o Dr. Francisco Cardoso, infectologista e conselheiro federal do CFM, anunciou que propôs uma resolução para impedir que alunos reprovados no Enamed obtenham o CRM no futuro.
A fundamentação jurídica para essa exigência baseia-se no Decreto 44.045/58, que permite aos conselhos regionais exigirem “documentos complementares” para a inscrição profissional, desde que previstos em resolução do CFM.
A proposta prevê que o boletim de desempenho do Enamed, atestando o nível “proficiente”, torne-se um requisito obrigatório para a solicitação do registro. No entanto, Cardoso esclareceu que a norma deve ser publicada antes do próximo edital do exame para evitar conflitos jurídicos sobre retroatividade. “Infelizmente, esses 13 mil que reprovaram vão ganhar o CRM”, afirmou o doutor, referindo-se aos egressos de 2025 que já tiveram seus diplomas registrados pelo Ministério da Educação (MEC).

As críticas do conselheiro
Durante sua fala, o Dr. Francisco Cardoso fez duras críticas à elaboração do Enamed pelo MEC, afirmando que a prova foi criada como uma reação política para barrar o projeto de lei que cria um novo exame de proficiência em Medicina. O infectologista descreveu o exame como tecnicamente simples, chamando-o de “uma prova de pai para filho ou de avô para neto”.
Apesar do baixo nível de dificuldade, Cardoso ressaltou que os resultados foram alarmantes e serviram como uma prova documental das falhas no ensino. “O Enamed trouxe uma tomografia da doença. A gente já sabia que ela existia… mas isso não estava metrificado”, declarou o conselheiro. Para ele, permitir que alunos não proficientes exerçam a profissão equivale a conceder uma “licença para matar”, dada a gravidade do risco de erro médico para a sociedade.
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