Através de um medicamento experimental da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Polilaminina, 2 pacientes com lesão medular completa (perda total de movimentos da cintura para baixo) recuperaram sensações e voltaram a se mexer.
Na mesma semana do acontecimento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 de estudos clínicos para avaliação de segurança do medicamento. Com a autorização, 5 pacientes irão receber o composto experimental.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma proteína estudada há mais de 20 anos pela UFRJ, sob a coordenação da bióloga Tatiana Sampaio. Ela é desenvolvida a partir da placenta humana e já demonstrou potencial para estimular a regeneração da medula espinhal, como em casos de paraplegia e tetraplegia.
Esse estudo é uma parceria da bióloga Tatiana com o laboratório Cristália, utilizando tecnologia 100% nacional. O composto foi recriado da laminina, que é uma proteína presente no desenvolvimento embrionário e que auxilia na conexão dos neurônios.
Casos com uso do medicamento experimental
Até o momento, 3 casos de lesão medular completa usaram as aplicações de polilaminina. Todas foram autorizadas judicialmente e realizadas pelo neurocirurgião Bruno Côrtes. Ainda não houve evidências conclusivas, mas os casos apresentam indícios do avanço clínico.
- 1º paciente
Luiz Fernando, de 37 anos, sofreu um acidente durante uma apresentação de motocross, onde ocasionou na lesão medular. Ele recebeu a aplicação do medicamento e, após 48h, relatou sensibilidade nos membros inferiores, conseguindo contrair músculos da coxa e da região anal.

Reprodução. Luiz Fernando Mozer foi o primeiro paciente a receber aplicação da polilaminina.
- 2º paciente
O segundo paciente, Bruno Freitas, tem 35 anos e ficou tetraplégico após um acidente de carro em 2018. Após a aplicação, ele apresentou leve movimento do pé, ocasionando celebração da equipe médica.
- 3º paciente
A terceira paciente, de também 35 anos, recebeu o composto há cerca de uma semana e ainda não apresentou nenhum avanço clínico.
Aprovação da Anvisa
No dia 5 de janeiro de 2026, a Anvisa liberou a primeira fase do estudo clínico, onde avaliará segurança, mas não eficácia. Nesta fase, 5 participantes voluntários receberão as aplicações. Todos eles com lesões agudas torácicas (T2-T10), ocorridas há menos de 72h, com indicação cirúrgica.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, considera o experimento um marco importante para quem sofreu as lesões, mas também para a família dos pacientes. “Cada avanço científico é sempre uma nova esperança renovada”, disse o ministro.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Os locais de realização do estudo ainda serão definidos, mas a empresa patrocinadora deve coletar, monitorar e avaliar sistematicamente todos os efeitos adversos, visando garantir a segurança dos pacientes.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, essa aprovação foi priorizada pelo comitê de inovação com o objetivo de acelerar pesquisas de interesse público. “Uma pesquisa 100% nacional, que fortalece a ciência e saúde do nosso país”, afirmou.
A autorização da Anvisa destrava anos de pesquisa básica e abre caminho para as fases 2 e 3, que medirão eficácia e impacto real na recuperação funcional.
Riscos, limites e ética da polilaminina
Apesar do avanço clínico em alguns casos, a equipe científica afirma que há possibilidade de resposta da medula ao tratamento, mas é preciso estar atento a necessidade de estudos controlados.
Não existem dados robustos de segurança ainda, o que significa que as informações ainda não são suficientes, confiáveis e bem comprovadas para garantir que o procedimento seja um sucesso.
As respostas sensitivas podem não ser apresentadas por todos os pacientes que se submetam ao procedimento. Nem todas as pessoas terão os mesmos resultados; fatores como idade, condição clínica e gravidade da lesão podem influenciar o resultado.
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