Aos 14 anos, a acreana Ana Joyce do Carmo Gomes viu seu nome na lista de aprovados da Universidade de São Paulo (USP), uma das instituições mais concorridas do país. A conquista, por si só expressiva, ganhou ainda mais repercussão pelo conjunto da trajetória: a adolescente foi aprovada em 23 universidades em cursos superiores distribuídos entre instituições públicas e privadas do Brasil.
Ana Joyce é reconhecida como superdotada pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), programa voltado ao acompanhamento de estudantes com desempenho intelectual significativamente acima da média.
Altas habilidades não significa apenas facilidade em provas. O conceito envolve criatividade, pensamento crítico, capacidade de resolver problemas complexos e, muitas vezes, interesses específicos desenvolvidos de forma intensa desde a infância.
O acompanhamento pedagógico é considerado essencial para garantir que o desenvolvimento acadêmico caminhe junto com o equilíbrio emocional.
Responsável pelo acompanhamento de estudantes com altas habilidades, o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades funciona dentro da Divisão de Educação Especial da SEE-AC, oferecendo suporte pedagógico específico.
Rotina e preparação
Atualmente no segundo ano do ensino médio, a jovem mantém uma rotina intensa de estudos. Pela manhã, frequenta a escola; à tarde, participa de atividades extracurriculares; à noite, estuda em curso preparatório para o Enem. Foi nesse contexto que a acreana, de 14 anos, aprovada em 23 universidades pelo país, após acompanhamento do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades.
Apesar do dia a dia intenso, a acreana busca constantemente aprender novas habilidades. De acordo com a mãe, Ana Joyce tem um perfil ‘muito ativo’ e adora descobrir novas áreas. Entre as atividades extracurriculares que a jovem cultiva estão o estudo de piano, ukulele, inglês e até aulas de japonês.

Apesar das aprovações em diferentes áreas, ela afirma que o objetivo principal é cursar medicina na Universidade Federal do Acre (Ufac). Enquanto isso, segue tentando avançar para a conclusão antecipada do ensino médio por meio de novo processo de aceleração.
De acordo com o pai, James Joyce Bezerra Gomes, a conquista da filha representa o maior orgulho da casa. “Não dá nem para mensurar a sensação. Quero apoiá-la sempre no que for preciso para que ela mantenha esse sucesso”, disse.
Desafios da entrada precoce
A entrada de adolescentes na universidade levanta discussões que vão além do desempenho acadêmico. A convivência com colegas adultos, a adaptação a ambientes mais autônomos e a pressão por resultados são fatores que exigem maturidade socioemocional.
Por outro lado, quando há suporte familiar e institucional, a aceleração pode evitar desmotivação escolar e subaproveitamento do potencial intelectual.
Um fenômeno que chama atenção
O caso da estudante acreana se insere em um contexto mais amplo de histórias de alunos que desafiaram expectativas por meio de aprovações acadêmicas precoces. Uma das mais emblemáticas ocorreu em Sergipe há cerca de uma década, quando José Victor Menezes Teles, natural de Itabaiana, surpreendeu o país ao ser aprovado no curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS) aos 14 anos de idade.
Na época, a aprovação gerou desafios legais porque José Victor ainda não havia concluído o ensino médio, requisito obrigatório para matrícula no ensino superior. A família precisou recorrer à Justiça para que ele pudesse realizar provas de proficiência equivalentes ao término da educação básica e, assim, obter o certificado exigido pela universidade.
Após superar essa barreira, ele iniciou o curso e, no ano seguinte, reforçou seu desempenho ao refazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e ser aprovado novamente, desta vez em segundo lugar, como forma de provar que o sucesso não tinha sido fruto de sorte. acreana 14 anos aprovada 23 universidades
Ao longo da graduação, José Victor participou ativamente da vida acadêmica. Durante a pandemia de Covid-19, como estudante de medicina, ele integrou programas de apoio à saúde que anteciparam a formatura de alunos que já cumpriam boa parte da carga curricular, permitindo que ele concluísse o curso e recebesse o diploma ainda muito jovem.
Nos anos seguintes, ele se especializou e, em 2025, estava finalizando a residência em ginecologia e obstetrícia, área que escolheu depois de atuar diretamente no atendimento durante a crise sanitária. Planeja abrir um centro médico em sua cidade natal, reforçando o compromisso com o atendimento à população local.
Histórias como a de José Victor ajudam a iluminar o debate sobre como o sistema educacional e as universidades podem acompanhar, reconhecer e estruturar trajetórias atípicas, sem reduzir o foco apenas ao desempenho nas provas, mas também discutindo questões legais, sociais e de suporte ao estudante.
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