Pouca gente sabe, mas a Universidade de São Paulo (USP) mantém, há décadas, uma base avançada de ensino, pesquisa e assistência no Norte do país. Trata-se do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/USP), um centro que atua diretamente no território amazônico, desenvolvendo pesquisas, atendimento à população e projetos que conectam ciência e comunidade em parceria com o curso de Medicina do UNIFAEMA.
Instalado em Montenegro (RO), a 50 km de Ariquemes, e coordenado pelo médico e professor Luís Marcelo Aranha Camargo, o ICB se dedica a três frentes essenciais: atenção primária à saúde, pesquisa científica e formação de profissionais.
É um trabalho que alcança populações urbanas, rurais, indígenas, ribeirinhas, extrativistas e comunidades isoladas, muitas com acesso extremamente limitado aos serviços de saúde.
Além de investigar temas como doenças infectoparasitárias, zoonoses, parasitoses, envelhecimento e saúde coletiva, o instituto leva ao campo tecnologias sociais, telemedicina e ações de prevenção, tornando-se um elo vital entre o SUS e a Amazônia profunda.
Como nasce a parceria entre o UNIFAEMA e o ICB/USP?

Há cerca de quatro anos, o UNIFAEMA iniciou um projeto ambicioso: construir um curso de Medicina alinhado às demandas reais da Amazônia e ao perfil de saúde da região Norte.
Para isso, buscou o ICB/USP, uma instituição com décadas de experiência prática no território amazônico, para colaborar na elaboração do projeto pedagógico, no desenvolvimento dos cenários de prática e nas estratégias de inserção precoce dos estudantes no SUS.
A cooperação se consolidou formalmente há dois anos e envolve:
- pesquisa científica e acadêmica,
- atividades de extensão,
- telemedicina,
- estágios nos territórios atendidos pela USP,
- e uma formação integrada baseada em metodologias ativas.
Segundo o professor Luís Marcelo Aranha, que coordena tanto o curso de Medicina do UNIFAEMA quanto a unidade da USP em Montenegro, o objetivo é claro: formar médicos humanizados, resolutivos e profundamente conectados às singularidades da Amazônia.
“Queremos um profissional capaz de atuar onde vive, que compreenda as diferenças culturais e os desafios da região. Um médico que não encaminha, mas resolve.”
Um curso de Medicina que começa pelo SUS e pela realidade amazônica
A parceria transforma a experiência acadêmica desde o primeiro dia de aula. A disciplina Vivência na Comunidade, eixo central da matriz curricular, leva o estudante ao SUS já no segundo dia de curso.
Eles realizam triagens, aferem pressão, conversam com usuários e aprendem, na prática, como funciona a rede de atenção à saúde. A disciplina acompanha o aluno do 1º ao 4º ano, garantindo formação contínua, integrada e territorializada.
Essa conexão com o ICB possibilita experiências raras na formação médica no Brasil:
1. Telemedicina para comunidades de difícil acesso
Os estudantes acompanham atendimentos remotos em regiões do rio Madeira com apenas duas horas de energia por dia.
Mesmo nessas condições, a equipe leva exames como eletrocardiograma digital, retinografia, espirometria e pequenas cirurgias, um laboratório vivo de criatividade e resolutividade.
2. Contato com múltiplas culturas amazônicas
A formação inclui vivências com populações indígenas, ribeirinhas, extrativistas, mineradoras, rurais e periurbanas.
Cada contexto exige respeito aos saberes tradicionais, comunicação intercultural e capacidade de adaptação, competências essenciais ao médico generalista.
3. Formação voltada para resolutividade
Enquanto grande parte das escolas ainda forma profissionais para encaminhar casos ao especialista, o UNIFAEMA e o ICB buscam preparar médicos capazes de resolver até 90% das demandas da Atenção Primária, ajudando a desafogar o SUS.
4. Metodologias ativas e integração curricular
Nada é estudado de forma isolada: fisiologia, anatomia, histologia e clínica dialogam entre si desde o início. O estudante aprende a partir de problemas reais, unindo teoria, laboratório e campo.
O papel social do ICB: ciência aplicada e impacto real
Para as populações da Amazônia, o ICB é mais que um centro de pesquisa: é uma ponte entre conhecimento científico e necessidades reais. O instituto atua em áreas onde muitas vezes não há médicos, levando diagnóstico rápido, prevenção e ações de saúde ambiental.
Projetos como Saúde Infinita 1, 2 e 3 atendem comunidades remotas com:
- telemedicina,
- exames e procedimentos do SUS,
- diagnóstico de hanseníase e câncer de pele,
- educação em saúde,
- ações com agentes comunitários,
- planejamento familiar,
- cuidados ambientais e prevenção de doenças negligenciadas.
Essa atuação, reconhecida nacionalmente, melhora diretamente a qualidade de vida de milhares de pessoas no Vale do Jamari e no Baixo Madeira.
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Formação que transforma o território, e fixa médicos na região
Ao aproximar o estudante do SUS e das realidades amazônicas desde o primeiro semestre, o curso da UNIFAEMA contribui para fixar profissionais qualificados na região Norte, reduzindo a migração para o Sul e Sudeste.
No ICB, os futuros médicos aprendem a lidar com contextos adversos sem perder a ética, a empatia e o compromisso social. Eles também desenvolvem autonomia e criatividade, habilidades fundamentais para atuar onde faltam insumos, energia ou infraestrutura.
“O aluno também será um educador em saúde. Primeiro formamos um médico generalista completo; depois, se quiser, ele escolhe sua especialidade.”
Mais que uma parceria: uma visão de futuro para a Amazônia
A integração entre o UNIFAEMA e o ICB/USP, na amazônia, vai além de acordos institucionais. Ela representa um projeto de desenvolvimento regional e de fortalecimento do SUS. Significa formar médicos com a “alma da Amazônia”, preparados para resolver problemas reais e comprometidos com as populações que mais precisam.
Como resume o professor Aranha:
“Eu quero que o médico formado pelo UNIFAEMA tenha a alma do SUS, sensibilidade, ética, criatividade e resolutividade. Esse profissional vai transformar o Vale do Jamari e as comunidades que dependem do nosso trabalho.”






