A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em investigação de 13 casos suspeitos de neuropatia óptica Isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) associadas ao uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. Classe a qual pertencem as canetas emagrecedoras, indicadas para diabetes e obesidade.
A NOIA-NA é uma doença visual rara que leva a perda de visão temporária ou permanente, causada pela obstrução dos vasos sanguíneos que irrigam o nervo óptico, responsável por ligar o cérebro e os olhos. Isso causa perda de células nervosas, atrofiando o nervo e resultando em uma piora repentina e indolor da visão.
As notificações ainda estão sob análise do órgão e são tratadas como suspeitas. Até o momento, não há comprovação científica da relação entre o distúrbio e os remédios.
O que se sabe até agora?
Dentre os 13 casos, foram identificados 12 relacionados ao uso de medicamentos à base de semaglutida e 1 à base de tirzepatida. Sendo que 5 associados ao uso de Ozempic, 3 ao Wegovy, 2 ao Wegovy FlexTouch, 2 ao Rybelsus e 1 ao Mounjaro.
A investigação ocorre enquanto um grupo de pacientes que passaram por perda visual pela NOIA-NA processam empresas como Novo Nordisk e Eli Lilly, segundo informações do The Wall Street Journal. As companhias afirmam que não há evidências de que os medicamentos aumentem a incidência da doença e que estão em constante troca de informações com as autoridades sanitárias.
Em julho de 2025, a Anvisa já tinha emitido um alerta sobre o risco da doença para o uso de medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy. No mesmo mês, as bulas dos remédios passaram a incluir o distúrbio como efeito adverso muito raro. Medidas semelhantes já haviam sido tomadas internacionalmente como na Europa.
No entanto, não há estudos que comprovem a associação efetivamente. Algumas pesquisas já trataram sobre o tem e uma publicada em 2024 na revista científica, JAMA Ophthalmology, acirrou o debate.

O que diz o estudo?
Os pesquisadores avaliaram 16.827 prontuários, registrados entre 1º de dezembro de 2017 e 30 de novembro de 2023. De acordo com os resultados, pacientes com diabetes do tipo 2 que faziam uso da semaglutida apresentaram um risco 4,28 vezes maior em comparação com aqueles que não. Enquanto, em pacientes como obesidade, o risco foi 7,64 vezes maior.
No entanto, trata-se de um estudo observacional e os próprios pesquisadores reconheceram as limitações do trabalho, afirmando que há necessidade de mais investigações. Uma vez que outras condições pré-existentes já poderiam ter causado a NOIA-NA como a diabetes, hipertensão, obesidade e alterações cardiovasculares.
No caso da diabetes, ocorrem danos na camada interna dos vasos sanguíneos, o que causa um enfraquecimento e torna-os mais propensos à falta de sangue.
É preciso interromper o tratamento?

Segundo especialistas, não há necessidade de interromper o uso dos medicamentos à base de semaglutida. Em nota conjunta, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) e outras entidades, afirmaram que os benefícios comprovados excedem o risco muito baixo.
Bem como citaram outras pesquisas que não apresentaram associações. “Em 13.809 pacientes que receberam semaglutida em estudos randomizados anteriormente: FLOW, SELECT, PIONEER 6 e SUSTAIN-6 não houve nenhum caso de NOIA-NA relatado”, explicaram.
A própria doença em si é rara e tem incidência de 0,002 a 0,01% na população geral, ou seja, 2 a 10 casos a cada 100.000 pessoas.
A recomendação das organizações é reforçar o uso somente com acompanhamento e prescrição médica apenas para quem possui indicação. Além de realizar exames oftalmológicos periodicamente e pacientes que experienciem perda visual repentina ou recentes devem procurar um médico imediatamente para interromper o uso da semaglutida.
Mas, atenção! A interrupção do tratamento não deve ser feita por conta própria.
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