Três jovens estudantes da Bahia desenvolveram o ChocoMed, um chocolate formulado especialmente para pessoas com diabetes tipo 2. A criação saiu do Centro Territorial de Educação Profissional Médio Rio das Contas (Cetep/MRC), em Ipiaú, no interior baiano, e chama atenção por unir ciência, saúde e sabor em um único produto.
Lívia Bispo, de 17 anos, Elias Costa, de 18, e Adígena Neta, também de 17 anos, são os responsáveis pela invenção. Alunos do curso técnico em Biotecnologia, eles contaram com a orientação do professor Lucas da Conceição Santos, doutor em Educação para a Ciência pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru).
Diabetes tipo 2 e o problema dos chocolates comuns
A diabetes tipo 2 é uma doença crônica marcada pelo aumento da taxa de açúcar no sangue. O problema ocorre quando o pâncreas reduz a produção de insulina ou quando o organismo desenvolve resistência ao hormônio, impedindo que ele controle adequadamente os níveis de glicose.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 13 milhões de brasileiros vivem com a doença, o equivalente a 6,9% da população nacional. A condição é mais frequente em adultos com sobrepeso e histórico familiar da doença.
Chocolates convencionais são ricos em açúcar, o que representa um risco direto para esses pacientes. Por isso, o consumo desse alimento exige controle e acompanhamento médico por quem tem a condição.
Como surgiu o projeto
O ChocoMed nasceu há cerca de um ano, a partir da preocupação dos estudantes com as pessoas que convivem com a diabetes. A equipe dedicou meses a pesquisas, testes e ajustes na fórmula antes de chegar ao produto atual.

O grupo mergulhou em estudos para identificar os ingredientes mais adequados e os melhores processos para desenvolver o chocolate. Um dos maiores desafios foi equilibrar sabor e propriedades nutricionais sem abrir mão de nenhum dos dois.
O projeto foi desenvolvido no âmbito do Programa Ciência na Escola, da Secretaria da Educação da Bahia, com parceria da Escola de Pesquisadores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).
A fórmula do ChocoMed
O diferencial do produto está no uso de ingredientes de baixo valor glicêmico, ou seja, que elevam pouco os níveis de açúcar no sangue. A receita leva cacau 70%, manteiga de cacau, farinha de semente de abóbora combinada com polpa de melão-de-são-caetano e leite em pó zero lactose, sem nenhuma adição de açúcar.
A receita leva:
- Cacau 70%
- Manteiga de cacau
- Farinha de semente de abóbora com polpa de melão-de-são-caetano
- Leite em pó zero lactose
- Sem adição de açúcar
Por que esses ingredientes foram escolhidos
O alto teor de cacau já reduz o impacto do chocolate sobre a glicemia em comparação com versões convencionais. A semente de abóbora e o melão-de-são-caetano entram na fórmula por suas propriedades bioativas, que estudos científicos associam ao auxílio na regulação metabólica e no controle dos níveis de glicose no sangue.
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As fibras presentes nesses ingredientes também retardam a absorção de nutrientes pelo organismo e promovem saciedade, benefícios importantes para quem convive com condições crônicas como a diabetes.
Raízes locais no produto
O projeto também valoriza a cultura agrícola da região. O cacau, principal ingrediente do ChocoMed, é amplamente cultivado no Médio Rio das Contas, fortalecendo a conexão entre a pesquisa e a identidade territorial da Bahia.
Para os estudantes, o ChocoMed vai além de um produto alimentício. O grupo enxerga a iniciativa como uma forma de conscientizar sobre alimentação equilibrada e mostrar que é possível criar alternativas saudáveis e acessíveis para pessoas que vivem com condições crônicas.
O futuro do projeto
O ChocoMed ainda está em fase de desenvolvimento. Os estudantes acompanham um grupo de controle para analisar os efeitos do consumo, e as degustações iniciais já foram realizadas com resultados promissores.
A comercialização depende de novos estudos, obtenção de patente, além de investidores e patrocinadores. Os jovens têm planos ambiciosos: transformar o ChocoMed em uma linha completa de produtos e ampliar o debate sobre o papel do cacau na economia, na história e na saúde da população baiana.
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