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Cientistas criam primeira vacina com Inteligência Artificial que pode prevenir futuras pandemias

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Vacina criada com inteligência artificial
Estudo selecionou 39 voluntários saudáveis, entre 18 e 50 anos, que participaram do estudo entre 2021 e 2023.

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Cientistas do Reino Unido deram um passo importante na busca por vacinas mais preparadas para o futuro. Eles desenvolveram uma vacina com ajuda de inteligência artificial para tentar proteger não só contra o coronavírus atual, mas também contra outros vírus parecidos que possam causar novas pandemias.

A vacina experimental se chama pEVAC-PS e foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Cambridge, com apoio da empresa DIOSynVax. Ela foi criada para atingir os chamados sarbecovírus, grupo que inclui o SARS-CoV-1, o SARS-CoV-2 e outros vírus encontrados em animais.

Embora ainda esteja em fase inicial e não pronta para uso público, a pesquisa chama atenção por ser a primeira vez que uma vacina com componente ativo desenhado inteiramente por simulações computacionais é testada em humanos.

O estudo foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Cambridge, com apoio da empresa DIOSynVax. (Imagem: Reprodução)

Sobre o estudo

O estudo foi publicado na revista científica Journal of Infection e corresponde a um ensaio clínico de fase 1. Esse tipo de teste é a primeira etapa em humanos e serve para avaliar se a vacina é segura e bem tolerada pelo organismo.

A pesquisa foi realizada em dois centros ligados ao sistema público de saúde britânico, em Southampton e Cambridge. Ao todo, 39 voluntários saudáveis, entre 18 e 50 anos, participaram do estudo entre dezembro de 2021 e setembro de 2023.

Todos os participantes já tinham recebido duas ou três doses de vacinas contra a Covid-19 e não tinham infecção recente pelo coronavírus. Eles receberam duas aplicações da pEVAC-PS com intervalo de 28 dias, em quatro níveis de dose diferentes.

Os cientistas avaliaram segurança, efeitos colaterais e também a resposta do sistema imunológico após a vacinação. Como os voluntários já tinham algum grau de proteção anterior, a análise da resposta imune ficou mais difícil, já que cada pessoa carregava um histórico diferente de vacinação e contato com o vírus.

Resultados dos primeiros testes

Os primeiros resultados mostraram que a vacina foi segura e bem tolerada em todas as doses testadas. Além disso, não houve registro de efeitos adversos graves relacionados ao imunizante.

Os pesquisadores observaram eventos adversos leves ou moderados, além de algumas alterações laboratoriais sem gravidade, todas resolvidas sem necessidade de intervenção médica. Outro ponto positivo foi que a segunda dose causou menos reações do que a primeira.

Por outro lado, a resposta imunológica foi considerada modesta. A vacina não conseguiu provocar um aumento muito forte dos anticorpos além daqueles que os voluntários já tinham por causa da vacinação anterior e da exposição ao vírus durante a pandemia.

Mesmo assim, os cientistas identificaram que alguns participantes desenvolveram anticorpos capazes de reconhecer uma região conservada presente em diferentes sarbecovírus.

O que é o “superantígeno”?

O “superantígeno” é o nome usado para descrever um antígeno desenhado com ajuda de inteligência artificial para reunir características comuns de vários vírus da mesma família. Ao invés de mirar apenas em uma variante, ele tenta cobrir um grupo inteiro de ameaças.

O antígeno é a parte ativa da vacina, responsável por ensinar o sistema imunológico a identificar um invasor. Nas vacinas comuns, esse alvo costuma ser baseado em cepas já conhecidas. O problema é que os vírus mudam com o tempo, e isso pode reduzir a proteção oferecida.

O que falta para a vacina chegar ao público

Apesar do avanço, os próprios cientistas deixam claro que a vacina ainda está longe de chegar à população. O estudo de fase 1 serve para mostrar segurança e oferecer pistas iniciais sobre o funcionamento da estratégia, mas não é suficiente para comprovar proteção ampla.

Um ensaio de fase 2 deverá investigar melhor a força e a duração da resposta imunológica, além de verificar se o imunizante consegue realmente ampliar a proteção contra diferentes coronavírus.

Mesmo com essas limitações, o trabalho é visto como promissor. Ele mostra que a inteligência artificial pode ajudar a criar vacinas mais amplas e voltadas não apenas para o vírus que já circula, mas também para ameaças que ainda podem surgir no futuro.

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