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Enem 2028 poderá ter questões abertas, diz presidente do Inep

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Presidente do Inep revela planos de inserir questões abertas para o Enem dos próximos anos. Afetando a maneira de preparação dos estudantes e resolução das perguntas. Foto: Reprodução

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Novas mudanças previstas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem alterar a forma como os estudantes se preparam para a prova nos próximos anos. Entre as possibilidades estudadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estão a inclusão de questões discursivas, que exigem respostas elaboradas pelos candidatos, e de uma parte optativa relacionada aos itinerários formativos do ensino médio.

A possibilidade foi revelada pelo presidente do Inep, Manuel Palácios, que explicou que o instituto avalia maneiras de fazer com que o exame consiga medir não apenas a capacidade de identificar uma alternativa correta, mas também como o estudante constrói seu raciocínio e demonstra seus conhecimentos.

Entre as propostas em estudo estão questões voltadas à compreensão leitora e à capacidade de síntese. Uma das possibilidades seria solicitar que o candidato produzisse um resumo de um texto, identificando e organizando suas principais ideias.

Apesar das discussões, as mudanças não devem ser implementadas imediatamente. A previsão apresentada pelo Inep é que esse novo modelo possa começar a ser aplicado a partir de 2028, dando tempo para que estudantes e redes de ensino conheçam previamente o formato e adaptem a preparação.

Mudanças no Enem

Antes mesmo da possível inclusão das questões discursivas, o Enem passará por uma mudança importante em sua função. A partir de 2027, o exame também será utilizado como instrumento de avaliação da aprendizagem dos estudantes no final da educação básica, substituindo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) na avaliação do 3º ano do ensino médio.

Com isso, o exame deverá cumprir duas funções principais: continuar sendo uma das principais portas de entrada para o ensino superior e, ao mesmo tempo, fornecer dados sobre a aprendizagem dos estudantes ao final da educação básica.

O Enem dará oportunidades aos alunos de escolher uma área de interesse nos próximos anos. Foto: Reprodução.

A mudança tem como objetivo ampliar a quantidade e a qualidade das informações disponíveis sobre o desempenho dos alunos. Segundo a proposta apresentada pelo Inep, a avaliação pelo Enem poderá permitir que redes de ensino tenham dados anuais mais detalhados sobre a aprendizagem dos estudantes.

A expectativa do instituto é que até 80% dos alunos possam realizar a prova nas próprias escolas de ensino médio. Para estudantes da rede pública, a inscrição automática no Enem está prevista na Portaria nº 422/2026 do Ministério da Educação (MEC).

Como podem funcionar as questões discursivas do Enem?

A principal novidade em estudo é a inclusão de questões abertas, nas quais o estudante não terá apenas de escolher uma alternativa, mas precisará construir a própria resposta.

A mudança permitiria avaliar habilidades que uma prova exclusivamente objetiva tem mais dificuldade de mensurar, como argumentação, interpretação, capacidade de síntese e organização do raciocínio.

Uma das possibilidades discutidas pelo Inep é pedir ao estudante que leia um texto e produza um resumo capaz de apresentar suas principais ideias. Nesse modelo, a avaliação não estaria concentrada apenas no resultado final, mas também na capacidade do candidato de compreender uma informação e expressá-la de maneira adequada.

O ex-presidente do Inep Francisco Soares também defendeu a adoção de questões discursivas. Em entrevista ao Correio, ele classificou a mudança como necessária e destacou a importância de desenvolver habilidades que vão além da simples escolha de alternativas.

Formato de avaliação pode ser ampliado com novas modalidades de questões. Foto: Reprodução

Enem poderá ter questões relacionadas aos itinerários formativos

Outra possibilidade que está sendo estudada é a criação de uma parte optativa do Enem, relacionada aos itinerários formativos escolhidos pelos estudantes durante o ensino médio.

Os itinerários formativos correspondem à parte flexível do Novo Ensino Médio e permitem que os alunos aprofundem determinadas áreas de conhecimento ou sigam formações técnicas e profissionais de acordo com seus interesses e objetivos.

Na prática, a ideia discutida pelo Inep é manter uma base comum para todos os candidatos e acrescentar módulos ou questões opcionais que possam considerar diferentes trajetórias formativas. Dessa forma, um estudante poderia realizar a parte comum da avaliação e, posteriormente, responder a questões relacionadas à área de aprofundamento escolhida durante o ensino médio.

A proposta ainda está em discussão e, caso seja implementada, deverá ser comunicada previamente aos estudantes e às redes de ensino. O objetivo é evitar que candidatos sejam surpreendidos por um formato diferente de avaliação e permitir que as escolas adaptem seus processos de preparação.

O que muda na preparação para o Enem?

Caso as questões discursivas sejam incorporadas ao exame, a preparação dos estudantes também deverá mudar. Isso porque o modelo exigiria habilidades que vão além da resolução de questões de múltipla escolha.

Em vez de concentrar os estudos apenas na identificação da alternativa correta, os candidatos deverão praticar a construção de respostas, interpretação de textos, argumentação, síntese e organização das ideias.

Para estudantes que pretendem disputar cursos altamente concorridos, como Medicina, a mudança pode ser especialmente relevante. Além de dominar os conteúdos cobrados tradicionalmente no exame, será necessário demonstrar, por escrito, como o conhecimento foi utilizado para chegar a determinada resposta.

Por isso, mesmo que o novo formato esteja previsto apenas para os próximos anos, estudantes que estão atualmente no ensino médio já podem desenvolver habilidades importantes para esse modelo, como a produção de textos argumentativos, exercícios de interpretação e atividades que exijam a explicação do raciocínio utilizado para chegar a uma conclusão.

A mudança, portanto, não representa apenas uma nova maneira de responder ao Enem. Ela pode significar uma transformação na própria lógica de preparação para a prova, que passaria a valorizar de forma mais explícita a capacidade de compreender, argumentar e construir respostas.

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