Estudantes, moradores e profissionais da saúde entregaram uma petição pública à reitoria da Unicamp, na última terça-feira, 3, cobrando a criação do curso de Medicina no campus de Piracicaba. A proposta, debatida originalmente em 2023, voltou a ganhar força em setembro deste ano.
Na última quarta-feira, 4, na sessão ordinária realizada na Câmara Municipal de Piracicaba, o vereador Josef Borges (PP) destacou a importância da criação de um curso público de medicina para educação, saúde e desenvolvimento de Piracicaba.
“A implementação de um curso público de medicina pode representar para a educação uma oportunidade de formação superior pública, o fortalecimento da rede de saúde e da formação médica (…), e o desenvolvimento que é o crescimento econômico, cientifico e social do nosso municipio”, declarou o vereador.
“Hoje a cidade tem um curso particular de medicina, que cumpre seu papel, mas o jovem que quer medicina pública vai para Campinas, Ribeirão Preto, Botucatu ou São Paulo, e muitos não voltam. Médicos que se formam em uma região tende a ficar nela”, destaca Luciane Leães, superintendente do desenvolvimento econômico da prefeitura municipal.
Imagem: stefamerpik
A ideia do curso se conecta ao projeto do Distrito de Inovação de Piracicaba, que busca reunir universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público em um mesmo território. A política estadual para esses distritos foi instituída pelo Decreto nº 70.683, de 16 de junho de 2026.
A Prefeitura informou que o encontro mais recente foi a primeira vez em que representantes da Universidade de São Paulo (USP), Unicamp, Governo do Estado e município discutiram juntos a implantação do distrito.
Nesse cenário, um curso de Medicina ajudaria a integrar ensino superior, pesquisa, tecnologia e desenvolvimento regional.
A reorganização administrativa e financeira da área de saúde da universidade é apontada como uma das condições para viabilizar a expansão e a abertura de novas graduações. O Conselho Universitário aprovou a proposta em dezembro de 2025.
O que a petição argumenta:
Na fundamentação da solicitação é mencionado que a instituição de ensino atua há seis décadas, conta com o Hospital Regional de Piracicaba Zilda Arns, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), que é gerenciado pela própria organização e que, de alguma maneira, promoveria a descentralização da formação médica em Campinas e reforçaria as áreas do interior.
Ademais, a graduação em medicina atrairia novos docentes, fomentaria pesquisas, criaria um hospital universitário e ajudaria a reter os talentos jovens na localidade. Com Campinas já oferecendo um curso de medicina, Piracicaba poderia descentralizar e fortalecer a região do interior paulista.
A proposta de criar o curso de Medicina da Unicamp em Piracicaba ainda está em fase de discussão e articulação institucional. Representantes da Prefeitura, do Governo do Estado e da universidade tratam do tema, que não é novo. Segundo a própria Unicamp, a demanda é antiga e o projeto vem sendo estruturado desde pelo menos 2013/2014.
O que a proposta prevê aproveitar o que já existe na cidade:
- A Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) receberia as atividades do ciclo básico. Documentos do debate legislativo apontam a similaridade da grade curricular nos primeiros anos entre Medicina e Odontologia como um ponto favorável.
- O Hospital Regional de Piracicaba receberia as atividades clínicas e os estágios. A Unicamp já participa da gestão do hospital e do AME, o que lhe dá acesso a equipamentos de saúde essenciais.

Imagem: Reprodução.
Segundo o G1, a responsável pelo campus da Unicamp em Piracicaba, professora Karina Gonzales Silvério, enfatizou que a implantação do curso de medicina na localidade, assim como a de outras formações superiores, está condicionada à efetivação de um plano de autarquização – Uma autarquia de saúde representa uma organização pública que possui independência administrativa e financeira –, da seção de saúde da instituição.
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Andamento da criação do curso:
A criação do curso ainda não está aprovada definitivamente. O projeto depende de várias etapas:
Primeiro, a proposta precisa de análises de viabilidade e de discussão e aprovação nas instâncias internas da Unicamp. Também faltam definições sobre investimentos, estrutura física, contratação de professores e a participação financeira do poder público, em especial do Estado e do município.
Além disso, não há cronograma oficial de implantação nem definição do número de vagas. Qualquer data ou número que circule hoje é expectativa, não decisão. Reconhecer isso evita criar falsas promessas.
Como as decisões ainda estão em aberto, a mobilização da população pode pesar. A petição pública busca ampliar o apoio à proposta e mostrar aos tomadores de decisão que a cidade e a região querem o curso. O objetivo é pressionar para que as discussões continuem e avancem até uma decisão, em vez de ficarem paradas. Quem quiser contribuir pode assinar a petição e compartilhá-la.
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