Pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ) estimaram que o excesso de gordura corporal pode estar associado a até 11,5% dos casos de câncer. O resultado sugere que a relação entre adiposidade e tumores pode ser maior do que indicavam estimativas anteriores, que apontavam uma associação entre 2% e 8% dos casos.
O estudo utilizou dados de 458.543 participantes do UK Biobank, banco de dados britânico de saúde. Os voluntários foram acompanhados por aproximadamente 12 anos e, nesse período, foram registrados 50.136 novos diagnósticos de câncer.
A análise considerou diferentes formas de medir a gordura corporal e buscou reduzir fatores que poderiam esconder a associação entre excesso de gordura e câncer.
É importante destacar que o percentual de 11,5% não significa que 11,5% das pessoas desenvolveram câncer exclusivamente por causa da obesidade. Trata-se de uma fração atribuível à população, ou seja, uma estimativa de quantos casos poderiam estar relacionados ao excesso de adiposidade dentro das condições e dos métodos utilizados no estudo.
Por que a nova estimativa foi maior?
Uma das principais diferenças do estudo foi a utilização de outras medidas de gordura corporal além do índice de massa corporal (IMC). O IMC é calculado a partir do peso e da altura, mas não consegue diferenciar, por exemplo, massa muscular de massa gorda nem indicar onde a gordura está concentrada no corpo.
Por isso, os pesquisadores também analisaram a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril. Essas medidas ajudam a identificar a distribuição da gordura, especialmente a chamada gordura abdominal. Nas análises, as medidas de adiposidade central apresentaram associações mais fortes com o risco de câncer do que o IMC.
Outro ponto considerado foi a chamada causalidade reversa. Alguns cânceres podem provocar perda de peso antes mesmo de serem diagnosticados. Isso significa que uma pessoa que já está desenvolvendo um tumor pode apresentar redução de peso durante o período analisado, diminuindo artificialmente a associação entre excesso de gordura e câncer.
Para reduzir esse possível efeito, os pesquisadores fizeram análises excluindo os primeiros anos de acompanhamento. Quando os primeiros sete anos foram retirados, a fração atribuível calculada a partir da circunferência da cintura chegou a 11,5%.
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Mulheres e adultos mais jovens apresentaram maior associação
As análises de subgrupos indicaram que as estimativas da fração de câncer atribuível ao excesso de gordura corporal foram maiores entre mulheres do que entre homens. Também foram maiores entre participantes com menos de 60 anos em comparação com aqueles com 60 anos ou mais.
No entanto, os próprios pesquisadores apontam que esses resultados devem ser interpretados com cautela.
As análises encontraram evidências de interação por sexo para algumas das medidas de adiposidade e de interação por idade para a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril.
O que pode ajudar a reduzir o risco?
Os resultados reforçam a importância da prevenção e do controle da obesidade como parte das estratégias de saúde.
Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento profissional podem contribuir para o controle do peso e para a redução de fatores metabólicos associados a diferentes doenças.
Quando necessário, o tratamento da obesidade pode incluir diferentes abordagens, definidas de acordo com as características de cada paciente.
























