O curso de Medicina, historicamente o mais concorrido do país, registrou um número recorde de vagas ociosas na chamada regular do Sisu 2026. Em universidades federais tradicionais, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma parcela das vagas foi direcionada à lista de espera já na primeira convocação.
O cenário ocorre após uma mudança nas regras do processo seletivo, que passou a permitir a utilização da melhor nota do Enem entre as edições de 2023, 2024 ou 2025. Com isso, candidatos puderam concorrer utilizando desempenhos anteriores no Sisu, o que alterou a dinâmica tradicional de ocupação das vagas, especialmente em medicina.
Impacto da nova regra na ocupação
A possibilidade de usar notas de até três edições diferentes ampliou o número de participantes com médias elevadas. Parte desses candidatos já estava matriculada em outras instituições ou utilizou a inscrição apenas para testar as chances de aprovação.
Como não há impedimento para que estudantes já vinculados a instituições públicas participem do processo, muitos figuraram entre os primeiros colocados na chamada regular, mas não efetivaram a matrícula. Com a ausência no registro acadêmico, as vagas foram automaticamente destinadas à lista de espera.
Números nas federais do Sudeste

Na UFRJ, no campus da capital, 97 das 200 vagas de Medicina foram encaminhadas para a lista de espera do Sisu. Em 2025, haviam sido 47, e em 2024, 57. No campus de Macaé (RJ), 39 das 60 vagas não resultaram em matrícula imediata.
Na UFMG, que oferece 320 vagas anuais em Medicina, 133 foram direcionadas à lista de espera em 2026. Em 2025, esse número foi de 95, e em 2024, de 80. Entre os aprovados que não se matricularam na chamada regular, 52 utilizaram notas de edições anteriores do Enem.
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Análise do cenário
A ocupação definitiva das vagas ainda depende das convocações da lista de espera e da consolidação nacional dos dados do processo seletivo.
Em entrevista ao portal Melhores Escolas Médicas, Sabrinah Oliveira, especialista em preparação para o Enem e Vestibulares, já previa as vagas ociosas no Sisu.
“Pessoas que nem fizeram o Enem agora, mas já estavam aprovadas, também vão usar a nota e é direito delas. O problema é entender quem acaba prejudicado nessa história: principalmente quem está fazendo o Enem pela primeira ou segunda vez, quem ainda não está em nenhuma faculdade e quem mira cursos de nota de corte mais alta.”
“A tendência é que as notas de corte subam por causa disso. Por outro lado, a expectativa é que as listas também rodem mais, justamente por causa dos ‘colecionadores de aprovações’: eles colocam a nota, mas não querem de fato aquela vaga.”
Além do fator regulatório, outros elementos podem influenciar a decisão de não efetivar a matrícula, como custo de vida nas grandes capitais, manutenção de vínculos acadêmicos anteriores e incertezas quanto às notas de corte.









