A maquiadora, Roseli Fernandes, de 48 anos, morreu na recepção de uma clínica na zona sul de São Paulo após fazer procedimento de remodelação glútea e de coxas com polimetilmetacrilato (substância também conhecida como PMMA). Roseli saiu do município de Jardim, no Mato Grosso do Sul, para realizar o procedimento em São Paulo.
Segundo a Polícia Cívil de São Paulo, que ainda investiga a causa da morte, o procedimento foi realizado com a finalidade estética de remodelação corporal. De acordo com as informações prestadas, foram utilizadas cerca de 100 seringas para aplicar o polimetilmetacrilato na paciente.
O que é o PMMA?
O PMMA, como é mais conhecido, é um componente plástico com diferentes tipos de aplicação a depender da forma como é processada e desenvolvida a matéria-prima. Em casos de estética, a substância é utilizada como componente preenchedor.
No entanto, a aplicação do PMMA só é autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em casos de tratamento reparador, como correção volumétrica facial e corporal (tratamento de alterações de volume provocadas por doenças como a poliomielite) e correção de lipodistrofia (alteração no organismo que leva à concentração de gordura em algumas partes do corpo).
Ainda, a Agência proibe expressamente a manipulação “em farmácias de quaisquer produtos à base de PMMA, incluindo preenchedores, bioestimuladores e outros produtos intradérmicos destinados ao uso estético.”
Por sua vez, a aplicação do PMMA só deve ser feita por profissional médico ou odontólogo habilitado. Sendo ele, também, o responsável por determinar a quantidade necessária para cada paciente.
Riscos do uso de PMMA
O uso de PMMA para fins estéticos é frequentemente associado a complicações imediatas e tardias. A lista contempla os seguintes riscos:
- Processos inflamatórios;
- Infecções;
- Granulomas;
- Deformidades;
- Sequelas permanentes; e
- Complicações sistêmicas que podem ser fatais
Nota da Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD
Em nota, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lamentou a morte da maquiadora e reafirmou seu posicionamento contrário ao uso da substância para fins estéticos. A SBD finalizou nota afirmando que seguirá atuando de forma ética e responsável em defesa da medicina segura.
Leia a nota na íntegra.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lamenta profundamente mais uma morte associada ao uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos e reafirma seu posicionamento contrário ao uso da substância para fins estéticos e cosmiátricos.
A atual diretoria da SBD defende, inclusive, o endurecimento do controle sanitário e regulatório do produto junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), diante dos riscos graves e permanentes associados ao seu uso.
Esse entendimento está em consonância com manifestações técnicas anteriormente divulgadas pela SBD, isoladamente e em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM), sempre pautadas na defesa da segurança do paciente, da boa prática médica e da medicina baseada em evidências.
Embora existam propostas de restrição do uso do produto a determinadas especialidades médicas, a SBD ressalta que tal limitação não elimina os riscos intrínsecos relacionados ao PMMA, especialmente em procedimentos estéticos eletivos.
O PMMA é um preenchedor permanente, não absorvível, associado a complicações imediatas e tardias, incluindo processos inflamatórios, infecções, granulomas, deformidades, sequelas permanentes e, em situações graves, complicações sistêmicas potencialmente fatais.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia reafirma seu compromisso com a proteção da saúde da população brasileira e seguirá atuando de forma técnica, ética e responsável em defesa da medicina segura.
📲 As principais notícias do dia na sua caixa de entrada! Se inscreva na Newsletter da MEM
























