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Pancreatite e canetas emagrecedoras: o que se sabe sobre as 6 mortes suspeitas investigadas pela Anvisa

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Pancreatite e canetas emagrecedoras
Agência registra aumento de 60% nas notificações de efeitos adversos em 2025; especialistas alertam para riscos do uso sem acompanhamento e perigos do mercado ilegal.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou 145 notificações suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Desse total, seis casos evoluíram para óbito. O levantamento revela uma tendência de alta: somente no último ano, o número de registros saltou para 45, o que representa um crescimento de 60,7% em relação a 2024.

O crescimento das notificações acompanha a maior popularização das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, usados no tratamento do diabetes e da obesidade.

Contexto dos dados

De acordo com os dados do VigiMed, sistema oficial de monitoramento da Anvisa, o país soma 225 notificações de pancreatite ligadas às canetas emagrecedoras desde 2018. Esse número total agrupa tanto os relatos vindos do uso comercial, quanto aqueles identificados durante estudos clínicos.

A Anvisa destaca que esses registros são apenas suspeitas. Isso significa que ainda não é possível afirmar que a caneta emagrecedora tenha causado a doença. Para chegar a essa conclusão, cada caso precisa passar por uma análise técnica que considera o histórico de saúde do paciente e outros fatores de risco.

Além disso, especialistas alertam que os números podem estar abaixo da realidade. Isso acontece porque médicos e hospitais da rede privada não são obrigados a comunicar esses casos à Anvisa, o que indica que o total de ocorrências pode ser maior do que o registrado oficialmente.

Mercado ilegal e automedicação

Embora os medicamentos originais passem por testes rigorosos de segurança, o Brasil enfrenta um problema adicional: o mercado ilegal de canetas emagrecedoras. Esses produtos são vendidos sem autorização da Anvisa e fora dos padrões exigidos para garantir a segurança do paciente.

Um exemplo é o caso de Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, internada em estado grave em Belo Horizonte após utilizar uma caneta vendida irregularmente como “Lipoless” ou “Mounjaro do Paraguai”.

Uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico aumenta riscos e pode levar a complicações graves. Foto: Reprodução

Diferentemente do produto original, essas versões podem conter doses incorretas ou substâncias perigosas, o que aumenta o risco de complicações graves.

Mesmo quando a caneta é regularizada, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro, o uso sem acompanhamento médico também amplia os riscos.

Pacientes com obesidade ou diabetes já têm maior predisposição a inflamações no pâncreas, o que torna difícil identificar se a pancreatite foi causada pelas canetas emagrecedoras ou pela própria condição de saúde.

Alerta internacional e posição das empresas

O Brasil não está sozinho no monitoramento desses medicamentos. No Reino Unido, a Agência Reguladora de Medicamentos (MHRA) emitiu um alerta para o risco de casos graves de pancreatite associados ao uso das canetas emagrecedoras. O país já registra 19 mortes.

Diante do alerta, a diretora de segurança da MHRA, Dra. Alison Cave, afirmou que, para a maioria dos pacientes, os medicamentos à base de GLP-1 são seguros e eficazes, mas ressaltou que o risco de efeitos graves, embora raro, exige atenção. “O risco é muito pequeno, mas pacientes e profissionais devem estar atentos aos sintomas”, disse.

A MHRA também anunciou um estudo para investigar se fatores genéticos podem influenciar o risco de inflamação do pâncreas em usuários de GLP-1. Segundo a agência, a iniciativa pode ajudar a identificar quais pacientes têm maior probabilidade de apresentar reações adversas e orientar prescrições mais seguras.

Em resposta, as farmacêuticas reforçaram o compromisso com a segurança. A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, destacou que recomenda o uso apenas para as indicações aprovadas e sob supervisão médica, além de monitorar continuamente os dados de segurança.

Autoridades de saúde reforçam que a automedicação eleva riscos e pode resultar em complicações sérias. Foto: Victoria Klesty/Reuters

Já a Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, afirmou que a pancreatite consta na bula como efeito adverso incomum e orienta pacientes a procurarem um médico diante de qualquer sintoma suspeito, ressaltando a importância do uso de medicamentos originais.

No Brasil, a Anvisa adotou medidas para reduzir o uso inadequado. Desde abril de 2025, a venda desses medicamentos passou a exigir a retenção da receita médica.

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O que se sabe até agora

  • Total de notificações: 225 casos suspeitos (somando uso comercial e pesquisas) desde 2018.
  • Mortes: 6 óbitos suspeitos estão sob investigação.
  • Tendência: Aumento de 60% nos relatos em 2025 comparado a 2024.
  • Marcas citadas: Saxenda, Ozempic, Mounjaro, Trulicity, entre outros. Contudo, há forte incidência de produtos falsificados usando esses nomes.
  • Causalidade: A Anvisa trata os dados como suspeitos; ainda não há confirmação definitiva de que o remédio foi a causa única das mortes.

O que é Pancreatite?

Sob o ponto de vista médico, a pancreatite é a inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina e enzimas digestivas. Ela ocorre quando essas enzimas começam a digerir o próprio órgão.

A doença pode se manifestar de duas formas:

  1. Aguda: De início súbito, variando de leve a grave. Na forma grave, pode levar à falência de múltiplos órgãos.
  2. Crônica: Inflamação de longa duração que causa danos permanentes.

Sintomas de alerta

O paciente deve buscar ajuda imediata se apresentar:

  • Dor abdominal intensa e persistente (parte superior da barriga);
  • Dor que irradia para as costas;
  • Náuseas e vômitos que não passam;
  • Febre e taquicardia.

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