O caso suspeito de peste pneumônica que havia acendido um alerta entre autoridades de saúde da Rússia foi descartado nesta terça-feira (6). A suspeita surgiu após a morte de uma pesquisadora de 28 anos que trabalhava em um centro de pesquisas sobre a doença na região de Irkutsk, na Sibéria.
A pesquisadora morreu após desenvolver um quadro de pneumonia. No entanto, exames realizados pelas autoridades sanitárias russas não identificaram a presença de microrganismos associados à peste e apontaram pneumonia de causa desconhecida. A informação é da Rospotrebnadzor, agência de vigilância sanitária da Rússia.

A suspeita levou cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a pesquisadora a serem colocadas em quarentena. Medidas preventivas também foram adotadas por autoridades de países como Quirguistão, Uzbequistão, Cazaquistão e Mongólia, além da União Europeia.
As autoridades russas ressaltaram que as medidas foram adotadas como precaução diante da gravidade e do potencial de transmissão da peste pneumônica, caso a suspeita fosse confirmada.
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Peste pneumônica x peste bubônica: qual é a diferença?
A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis. A principal forma de transmissão ocorre pela picada de pulgas infectadas que entram em contato com roedores e outros animais. Na peste pneumônica, a bactéria também pode ser transmitida diretamente entre pessoas.
A doença foi responsável por grandes epidemias ao longo da história, especialmente durante a Peste Negra, no século XIV. Apesar dos avanços no diagnóstico, no tratamento e no controle sanitário, a peste não foi erradicada e ainda provoca casos esporádicos em algumas regiões da África, da Ásia e das Américas.
No Brasil, os registros da doença são atualmente raros e estão relacionados principalmente a focos naturais da bactéria. O último caso da doença aconteceu em 2005, em Pedra Branca, no Ceará.
A peste pode se manifestar de diferentes formas, de acordo com a região do organismo mais afetada:
Peste bubônica

É a forma mais comum da doença. Provoca o aumento doloroso dos gânglios linfáticos, chamados de bubões. A transmissão geralmente ocorre após a picada de uma pulga infectada.
Peste pneumônica

É a forma que afeta os pulmões e pode provocar pneumonia grave, falta de ar, febre e tosse, que em alguns casos pode vir acompanhada de sangue. Diferentemente da forma bubônica, a peste pneumônica pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio de gotículas respiratórias expelidas durante a tosse ou o espirro.
A doença pode evoluir rapidamente e, sem tratamento, apresenta alta letalidade.
Peste septicêmica

Ocorre quando a bactéria chega à corrente sanguínea. Pode provocar febre, sangramentos, alterações da circulação, falência de órgãos e necrose dos tecidos. Em alguns casos, pode ocorrer como complicação das formas bubônica ou pneumônica.
Quão contagiosa é a peste?
A peste é uma doença grave e pode apresentar alta letalidade quando o tratamento não é iniciado rapidamente. No entanto, o cenário atual é muito diferente daquele observado durante as grandes epidemias medievais.

A peste bubônica não costuma ser transmitida diretamente de pessoa para pessoa. A principal via de transmissão é a picada de pulgas infectadas.
Já a peste pneumônica pode ser transmitida entre pessoas, principalmente por meio de gotículas respiratórias. Por isso, casos suspeitos dessa forma da doença exigem medidas de isolamento e investigação imediatas.
Na imagem: roupas utilizadas pelos médicos durante a epidemia da peste na Idade Média para evitar contágio.
A gravidade também varia de acordo com a forma da doença e a rapidez com que o tratamento é iniciado:
| Forma da peste | Como se espalha | Risco sem tratamento | Com tratamento |
|---|---|---|---|
| Bubônica | Principalmente pela picada de pulgas infectadas | Pode chegar a cerca de 30% a 60% dos casos, dependendo das condições | A mortalidade cai significativamente com tratamento precoce |
| Septicêmica | Bactéria presente na corrente sanguínea; pode surgir como complicação de outras formas | Pode ser muito elevada | O tratamento precoce aumenta significativamente as chances de sobrevivência |
| Pneumônica | Pode ocorrer por inalação de gotículas respiratórias de uma pessoa infectada | Pode ser próxima de 100% quando não tratada | O risco de morte diminui significativamente quando os antibióticos são administrados rapidamente |
Por que a peste ainda é perigosa?
Um dos principais motivos é a velocidade de evolução da doença. Na peste pneumônica, por exemplo, o quadro pode se agravar rapidamente e o tratamento precisa ser iniciado o quanto antes diante de uma suspeita clínica.
Apesar da gravidade, a peste tem tratamento com antibióticos. Medicamentos como estreptomicina, gentamicina e doxiciclina podem ser utilizados, de acordo com a avaliação médica e as características do caso.
O diagnóstico e o início rápido do tratamento são fundamentais para reduzir o risco de complicações e morte.
Além disso, medidas de vigilância epidemiológica, controle de roedores, controle de pulgas e melhoria das condições sanitárias ajudam a evitar a ocorrência de grandes surtos.
A bactéria Yersinia pestis continua presente em populações de animais silvestres em algumas regiões da África, Ásia e Américas. Por isso, embora a peste seja atualmente rara em muitos países, a doença não foi erradicada e continua sendo monitorada pelas autoridades de saúde.
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