Uma fala do ex-deputado federal de São Paulo, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), chamou atenção para o sistema de pagamentos dos Estados Unidos, o Zelle, após o comparar com o Pix do Brasil. A declaração ocorreu em entrevista à rádio TMC News, na última quarta-feira (3).
A comparação dos sistemas de pagamento surge em meio as sanções norte-americanas. De acordo com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Zelle é um exemplo de serviço que pode ser utilizado em negociações com o governo americano para evitar que novas sobretaxas sejam aplicadas ao Brasil.
Mas afinal, o Zelle é mesmo o Pix americano? Não é tão simples assim e existem diferenças fundamentais que os tornam mais diferentes do que semelhantes.
Zelle X Pix: quais as diferenças?
Público X Privado
O Zelle, embora também permita que transações de pagamentos sejam realizadas pelos usuários, possui uma grande diferença quanto à origem e público que pode utilizar. Enquanto o Pix é um mecanismo de pagamento gratuito, público e desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, o Zelle é um meio privado.
O sistema de pagamentos americano foi criado pela Early Warning Services, uma empresa de tecnologia controlada por grandes bancos dos Estados Unidos. Ao todo, são 7 instituições financeiras: o Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.
Efetivação da transferência
O tempo de efetivação do Pix é imediato, ou seja, a transferência acontece em questão de segundos. Já o Zelle precisa de alguns minutos para que o valor saia de uma conta para a outra.
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Gratuitidade
Outra diferença está na taxa de serviço aplicada às transações. No Pix, o valor cobrado é zero para pessoas físicas. No entanto, a taxa do Zelle depende da relação do cliente com a instituição financeira. Isso permite que seja aplicado uma taxa sobre o valor enviado, mas não é uma regra do sistema.
Chaves para transferência
O Pix permite que o usuário decida qual chave quer utlizar para receber a transferência: CPF, número de celular, e-mail ou uma chave aleatória (única) criada a partir da combinação de diferentes números e letras.
O Zelle, por outro lado, só permite duas chaves: e-mail ou número de celular.
Cancelamento da transferência
De acordo com o próprio site da Zelle, o valor enviado não poderá ser estornado se o destinatário já estiver cadastrado na plataforma. O Pix, no entanto, atua diferente.
Embora não tenha garantia de ressarcimento, o sistema de pagamento conta com o Mecanismo Especial de Devolução (MED), utilizado para ajudar pessoas que foram vítimas de fraude. Para a recuperação ser bem sucedida, ela depende de uma análise do caso e da existência do saldo na conta do recebedor.
Para transferências realizadas por engano, ainda não há regras determinadas. No entanto, o Banco Central orienta que os consumidores procurem o banco quando acontecer o envio por engano.
Por que o governo americano deseja regular o Pix?
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Não é a primeira vez que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impõe uma ameça ao Pix. Em março desse ano, ele já tinha apresentado o meio de pagamento como uma das barreiras comerciais que causam supostos prejuízos às empresas americanas.
Segundo uma fonte ouvida pela BBC News Brasil, um dos motivos que tem, atualmente, instigado essa pressão do governo americano foi o resultado da recente reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesta, o Brasil optou por bloquear uma “proposta dos EUA e outros países para estender a moratória de tarifas aduaneiras sobre transmissões eletrônicas, que inclui serviços digitais como streamings, softwares e jogos”.
Para o governo americano, a atuação do Banco Central como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses e opera práticas que restringe o comércio com os norte-americanos.
O documento americano, produzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, propõe tarifas de 25% a produtos brasileiros. A medida ainda está em análise e deve ser discutida ao longo das próximas semanas.
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