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Prefeito cancela estágios de universidade após estudante debochar de UBS

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Decisão foi anunciada pelo prefeito da cidade após aluno de medicina menosprezar cidade e UBS onde fazia estágio.

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Um vídeo publicado por um estudante de Medicina provocou a suspensão de convênio de estágios da universidade particular Ceuma na rede pública de saúde do município de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís (MA).

A decisão foi anunciada pelo prefeito Fred Campos após a repercussão de imagens em que o aluno menospreza a cidade e a unidade básica de saúde (UBS) onde faria atividades práticas.

No vídeo divulgado nas redes sociais, o estudante, identificado como Ryan Xavier, aparece mostrando um tênis sujo de barro enquanto se dirige à UBS, com os dizeres “Meu tênis branquinho da On [marca sediada na Suíça] vendo que não tá mais em uma prateleira em Zurique e sim indo atender paciente no c# do Maranhão”.

Aluno zomba de UBS que iria atender em vídeo nas redes sociais. (Imagem: Reprodução)

O conteúdo, que gerou indignação entre moradores e profissionais da saúde, fez a prefeitura anunciar o rompimento do convênio com a Universidade Ceuma para a realização de estágios e atividades acadêmicas na rede municipal.

Segundo o prefeito, a atitude do aluno demonstra falta de preparo ético e incompatibilidade com os princípios exigidos na formação médica.

Prefeito Fred Campo repudiou publicação do estudante. (Imagem: Reprodução)

A Universidade Ceuma afirmou, em nota, que repudia a conduta do estudante e informou que abriu procedimento interno para apurar o caso.

A instituição também pediu desculpas à população de Paço do Lumiar e declarou compromisso com a formação ética dos alunos.

Pais do estudante dizem que fala foi “impulsiva”

Após a repercussão, os pais do estudante se manifestaram publicamente classificando a atitude do filho como “impulsiva e infeliz” e afirmaram que a família passou a sofrer ameaças e ataques nas redes sociais depois da exposição do caso.

Segundo os familiares, o estudante estaria abalado emocionalmente e arrependido da publicação.

Eles também defenderam que as críticas não representariam preconceito contra a população local, mas reconheceram que o conteúdo foi inadequado para alguém em formação na área da saúde.

O que diz o Código de Ética do Estudante de Medicina

De acordo com o Código de Ética do Estudante de Medicina, elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o aluno deve agir com respeito, empatia e responsabilidade tanto dentro quanto fora dos ambientes acadêmicos.

Código de Ética do Estudante de Medicina do Brasil foi lançado oficialmente em 2018 pelo CRM. (Imagem: Reprodução)

Entre os princípios destacados pelo CFM, estão o dever de demonstrar respeito ao paciente, preservar a dignidade humana e manter postura compatível com a profissão médica.

CEEM funciona como um instrumento pedagógico que orienta a conduta ética durante a formação acadêmica. (Imagem: Reprodução)

A entidade médica também aponta que publicações em redes sociais podem configurar infrações disciplinares quando expõem pacientes, instituições ou populações de forma ofensiva. Médicos e estudantes devem agir com responsabilidade no ambiente virtual.

Outros casos de desrespeito em estágios médicos

Casos envolvendo estudantes e profissionais da saúde em situações consideradas antiéticas também tiveram repercussão nas redes sociais nos últimos anos.

Em diferentes estados brasileiros, conselhos regionais e universidades já investigaram alunos por gravações indevidas dentro de hospitais, exposição de pacientes em vídeos, selfies em centros cirúrgicos e comentários ofensivos durante internatos e estágios supervisionados.

Em abril de 2025, debates sobre ética digital cresceram após denúncias de alunas de medicina que ironizaram caso de jovem que fez três transplantes de coração e um de rim.

Alunas de medicina foram denunciadas após ironizar caso de jovem transplantada. (Imagem: Reprodução)

Tais práticas do tipo violam princípios de privacidade, respeito e humanização do cuidado.

Para o Conselho Federal de Medicina, o avanço das redes sociais ampliou a necessidade de reforçar a formação humanística dos futuros profissionais.

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