O ano de 2025 foi de viradas significativas para a Medicina no Brasil. Mudanças estruturais em políticas públicas, atualizações em exames nacionais, debates sobre financiamento estudantil, avanços regulatórios e tensão nos programas de residência médica redefiniram os rumos da formação e do exercício profissional.
Da reformulação do Revalida à tramitação do Profimed, chamado de “OAB da Medicina”, o período consolidou decisões que tendem a moldar 2026 e influenciar toda a próxima década.
A seguir, o Melhores Escolas Médicas reúne os principais acontecimentos que marcaram o ano. Confira a Retrospectiva da Medicina 2025 completa:
1. Residência médica no centro do debate público

A residência médica voltou a ocupar espaço nas discussões nacionais, especialmente após o Decreto nº 12.681/2025, que fixou o auxílio-moradia em apenas 10% da bolsa federal, aproximadamente R$ 400. O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou a mudança como um “retrocesso”, argumentando que o valor ignora diferenças regionais e reduz um direito previsto em lei. O tema avançou no Legislativo, com um Projeto de Decreto Legislativo tentando sustar a norma.
Enquanto isso, o Distrito Federal adotou caminho oposto, aprovando uma bolsa complementar de R$ 7.536 para residentes em Medicina de Família e Comunidade. A iniciativa, voltada à fixação na Atenção Primária, foi uma das políticas locais mais comentadas do ano.
No Congresso, outro projeto buscou isentar residentes do pagamento da anuidade do CRM, aliviando custos num cenário de bolsa congelada e aumento do custo de vida.
2. Exames nacionais e regulação da formação passam por mudanças profundas

O Revalida, exame destinado à revalidação de diplomas médicos estrangeiros, passou por sua maior reformulação em anos. A Portaria nº 773 eliminou a prova discursiva da 1ª etapa, que agora é exclusivamente objetiva, e transformou a 2ª etapa, que passa a exigir escrita técnica, incluindo elaboração de laudos, atestados e encaminhamentos. A atualização aproxima o exame do Enamed e das novas Diretrizes Curriculares.
Já o Profimed, proposta que institui um exame obrigatório para registro profissional, teve avanço decisivo: por 11 votos a 9, o Senado aprovou o projeto, que agora segue para a Câmara. O texto cria ainda a Inscrição de Egresso em Medicina (IEM), permitindo atuação limitada até a aprovação no exame.
Outro movimento relevante foi a simplificação do Enare, da Ebserh, que removeu a análise curricular. A mudança visa tornar o processo mais objetivo e reduzir desigualdades entre candidatos.
3. Acesso e permanência ganham novas políticas

O Ministério da Educação lançou a Bolsa Permanência destinada a estudantes de Medicina do Mais Médicos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com objetivo de reduzir evasão e garantir condições de estudo. As inscrições começam em fevereiro de 2026.
No Congresso, dois projetos chamaram a atenção: um que propõe eliminar o teto do Fies para cursos de Medicina, e outro que autoriza abatimento mensal de 1% do financiamento para médicos que atuarem em regiões de difícil provimento, estimulando a fixação no SUS.
4. Ensino superior vive um ano de ajustes estruturais

Um novo decreto estabeleceu que o curso de Medicina deverá manter mais de 70% da carga horária em atividades presenciais, reforçando o papel do treinamento prático e da supervisão direta.
Paralelamente, o ministro da Educação reacendeu o debate sobre regulação de mensalidades no ensino superior privado, diante do alto custo dos cursos de Medicina. O tema dividiu instituições e reacendeu discussões sobre modelos de financiamento e transparência.
5. Segurança e ética voltam ao centro da agenda

A Operação R1, da Polícia Federal, desarticulou um esquema de fraude no Enamed. Entre os itens apreendidos estavam dispositivos eletrônicos usados para envio de respostas, documentos falsos e evidências de cobrança de até R$ 140 mil por candidato. Cinco participantes foram presos durante a aplicação da prova. O caso reforçou preocupações com a segurança dos exames de ingresso na residência.
No Rio de Janeiro, o CREMERJ publicou normas para garantir repouso mínimo em plantões, medida associada à segurança ocupacional, redução de erros e melhores condições de trabalho.
6. Mudanças demográficas consolidam o novo perfil da Medicina brasileira

A Demografia Médica 2025 registrou um marco histórico: pela primeira vez, as mulheres são maioria entre médicos no país, especialmente entre os recém-formados.
O dado reflete uma transformação estrutural no perfil da profissão e abre novas discussões sobre carreira, maternidade, especialidades e condições de trabalho.
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O ano de 2025 marcou uma virada decisiva para a Medicina no Brasil. As mudanças em exames, políticas de formação, residência médica e regulação profissional sinalizam um novo ciclo, com impactos diretos já a partir de 2026.
Mais do que ajustes pontuais, o período consolidou tendências que devem redefinir a formação médica, a carreira e o exercício da profissão nos próximos anos.
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