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48% dos estudantes brasileiros utilizam IA para auxiliar nos estudos, diz Pisa 2025

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Pisa 2025 estudantes brasileiros
Dados do Pisa 2025 mostram Brasil abaixo da média mundial em aprendizado. Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo.

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A nova edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2025 divulgou os dados referentes aos conhecimentos dos estudantes de 15 anos em relação à tópicos como matemática, ciência e leitura. O programa avaliou mais de 760 mil estudantes em 91 países, cujo dados revelaram um panorama desigual do desempenho educacional em todo o mundo.

Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as pontuações caíram entre 2015 e 2025. Em ciências, o foco principal do Pisa 2025, a queda foi cerca de 10 pontos; já em matemática, as pontuações caíram 22 pontos; e em leitura a queda foi mais acentuada, com uma redução de 28 pontos.

Já nos países que não fazem parte da OCDE, o desempenho se manteve estável em matemática, em declínio em ciências e uma queda de 16 pontos em leitura.

O que é o Pisa

O Pisa é uma avaliação internacional, organizada pela OCDE, que mede o desempenho de estudantes de 15 anos de todo o mundo e permite analisar o desempenho educacional entre as nações. É realizado a cada três anos, com o objetivo de analisar se os alunos conseguem aplicar conhecimentos e habilidades para lidar com problemas reais.

O Brasil participa desde 2000, quando ocorreu a primeira aplicação do programa oficialmente. Na edição de 2025, o país envolveu 30.140 estudantes, onde:

  • 72,4% estudavam em escolas da rede estadual;
  • 96,9% estavam matriculados em escolas das áreas urbanas;
  • 78,1% frequentavam escolas localizadas no interior;
  • 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio.

Os resultados dos estudantes brasileiros foram semelhantes aqueles percebidos em 2022 e se mantém estável por mais de uma década. Hoje, veja como o Brasil se compara com outros países:

Como o Brasil se compara com países da OCDE

Os resultados dos estudantes brasileiros mostraram pontuações inferiores à média da OCDE. Na avaliação em ciências, cerca de 48% dos alunos participantes atingiram o nível 2 ou superior; a média do países da OCDE é 74%. De acordo com os dados, isso significa que os estudantes conseguem reconhecer a explicação por trás dos fenômenos científicos comuns e podem identificar se uma conclusão é válida com base nos dados fornecidos.

Quanto à demonstração de proficiência, apenas 1% dos alunos apresentaram desempenho excepcional no conhecimento ciêntífico (em comparação a uma média de 7% dos países da OCDE). O que significa que esses estudantes conseguem aplicar os conhecimentos científicos de forma autonôma a diversas situações.

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No caso de matemática, apenas 28% dos alunos atingiram o nível 2 ou superior; a média da OCDE foi de 65%. Isso quer dizer que esses estudantes conseguem interpretar, sem necessidade de instruções, situações matemáticas simples. Quanto ao desempenho, quase nenhum estudante brasileiro conseguiu alcançar um nível de proficiência excepcional.

Por último, cerca de 49% dos estudantes atingiram o nível 2 ou superior em leitura; os países da OCDE alcançaram uma média de 69%. Isso significa que, no mínimo, os alunos brasileiros conseguem entender a ideia principal de um texto de extensão moderada, encontrar informações com base em instruções claras e refletir sobre o propósito do texto.

No entanto, apenas 1% dos estudantes obtiveram pontuação igual ou superior ao nível 5 de leitura (média da OCDE é 6%). Ou seja, esses alunos conseguem compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos e estabelecer distinções entre fato e opinião.

59% dos estudantes brasileiros relatam que se esforçam mais quando o trabalho é desafiador. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília.

Aprendizagem dos estudantes brasileiros

O Pisa 2025 ainda refletiu sobre as atitudes dos estudantes brasileiros em relação à aprendizagem. De acordo com os dados, 52% dos alunos do país acreditam que a inteligência pode ser cultivada por meio de esforço e feedback. No entanto, apenas 39% deles relatam que planejam sua abordagem de estudo com frequência ou muita frequência.

Porém, não é apenas a mentalidade do aluno que é avaliada: os recursos humanos, materiais e digitais também entram na análise da vida escolar no Brasil.

Em 2025, 21% dos alunos frequentavam escolas cujo o ensino, de alguma forma, era prejudicado: seja pela falta de professores ou falta de pessoal de apoio. Além disso, 26% dos participantes frequentavam escolas com falta de material didático (livros, equipamento de informática/laboratório) e uma infraestrututa física que era percebida como obstáculo no ensino.

Recursos digitais no aprendizado

Embora muito utilizado para auxiliar em atividades na sala de aula, com uma média de 1,3 horas por dia dedicadas à resolução de atividades com recursos digitais, 25% dos estudantes relataram perceber, também, que seus colegas se distraem com bastante frequência com o uso dos dispositivos durante a maioria das aulas.

Outro fator analisado pelo programa é referente à utilização de chatbots de IA para as tarefas escolares. No Brasil, 48% dos alunos utilizam ferramentas de IA para auxiliar nos estudos pelo menos uma vez na semana; a média da OCDE é de 46%. Entre os principais usos estão:

  • Pesquisas preliminares sobre um novo tema (Brasil: 40%; média da OCDE: 31%);
  • Resumir um texto que tiveram que ler (Brasil: 31%; média da OCDE: 30%);
  • Rascunhar textos para trabalhos escritos (Brasil: 27%; média da OCDE: 29%).

Entre os participantes, apenas 11% dos estudantes relataram nunca (ou quase nunca) utilizar IA para a realização de tarefas escolares avaliadas no Pisa.

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