História do aprovado: Medicina na UFS

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Conheça a história de Williston Augusto, um jovem sergipano de 18 anos que passou no curso de Medicina na UFS acompanhado do Emicida

Fonte: Williston Augusto/Instagram

Você acredita em sinais? Acha que o universo está sempre lhe mandando mensagens ocultas no dia a dia? Foi isso o que aconteceu com Williston quando ele foi fazer o Enem que, até onde ele não sabia, resultaria em seu 1º lugar em medicina na UFS!

  • Eu sonho mais alto que drones

Williston é um garoto de lá do interior de Sergipe, de um pequeno município chamado São Miguel do Aleixo. Por ser filho de uma professora, sempre teve incentivo e gosto por estudar e aprender. Desde o ensino fundamental, sempre teve muita facilidade na área de biologia e um professor muito importante o ajudou a encontrar incentivo para seguir a carreira médica. Em 2015, Williston foi medalhista da OBMEP, em 2016 não conseguiu medalha, mas conseguiu uma menção honrosa. Com a medalha de 2015, conseguiu a bolsa de estudo BIC Júnior (Bolsa de Iniciação Científica Júnio), que iniciou em 2016 e terminou no mesmo ano. Com a BIC, houve uma repercussão na cidade dele e as pessoas perguntavam se ele ia ser matemático/professor de matemática, o que fez com que ele se afastasse um pouco da medicina.

  • Nesse mundo louco é pra poucos

E foi assim até entrar no ensino médio, o qual possuía uma matéria sobre desenvolvimento pessoal: ajudava o aluno a descobrir quem ele era, o que ele queria e qual caminho ele deveria seguir para alcançar aquilo. No início, o sonho dele não era ser médico, mas, sim, livre. “Como assim ser livre?”, ele tentava explicar de várias formas, uma delas: 

“Como um jovem que veio de São Miguel do Aleixo, não tive muitas oportunidades. Principalmente sendo negro e nordestino, infelizmente a gente não tem muitas oportunidades na vida e temos que nos agarrar às poucas. Ser livre pra mim é me libertar dessas amarras que, infelizmente, a sociedade coloca para a gente. Na minha concepção, ser livre era isso.”

Quando chegou no 3º ano, o vestibular bateu na porta. Pensou em ser professor de geografia, fazer engenharia química, engenharia de processos, engenharia  de petróleo, pensou em ingressar na carreira militar, mas não teve muito apreço pelo ramo.

  • Sei que não foi sorte, sempre quis tá onde eu tô

Quando começou a pandemia, ele se sentiu muito na obrigação de fazer alguma coisa. Ao ver os profissionais da saúde bastante desgastados, em condições insalubres de trabalho, aquilo o tocou muito. Foi aí que ele lembrou daquele incentivo do professor do ensino fundamental e também de uma professora do ensino médio e viu na medicina uma forma de alcançar a liberdade que sempre sonhou.

Williston conta que começou a estudar no dia 3 de fevereiro de 2020 até o dia 23 de janeiro de 2021, véspera da primeira prova. “Foi uma trajetória muito dura, muito dolorosa”, afirma ele. Ele dividiu o estudo em 3 fases: a fase de transição, que é quando você começa a estudar, a fase de armazenar conhecimento, pois ele tinha muita defasagem em certas áreas devido ao ensino médio e fundamental, principalmente em biologia, pois praticamente não teve professor de biologia o ensino médio inteiro e a terceira fase é a de lapidação, de ver o quanto já tinha aprendido, tapar os buraquinhos, ver o que tava faltando etc. Baseou o  estudo em resolução de questões, fez muita, muita questão, mais de 30 mil questões.

Quanto ao método de estudo: estudava um assunto e fazia 10 questões básicas sobre ele no mesmo dia. No dia seguinte, fazia questões mais contextualizadas; depois de 7 dias, partia para as questões de vestibular, depois de 15 dias, mais 10 questões de vestibular, e assim sucessivamente.

  • Quem tem um amigo tem tudo

Foi fazendo isso até chegar 3 meses antes da prova. Aí mudou o método: foi para a fase de lapidação. Pegou as provas do Enem e fez uma por uma, sempre pegando as questões que não entendia, analisava o que tinha errado, se era falta de atenção, se era falta de assunto e assim foi tapando os buracos. Quando chegou no dia da prova, ele já estava com um desempenho muito bom. Por exemplo, a prova de humanas que ele mesmo diz achar muito interessante de fazer, resolvia em 45min com uma taxa de acerto de 40 a 43 questões, ou seja, o rendimento era muito bom e isso bastava. Com isso, foi para a prova tenso, mas até certo ponto confiante. 

“Então fui tranquilo. Eu sou um cara que acredito muito em energia, em sinais. Na semana da prova, eu tava no Instagram e apareceu um post sobre sinais, aí salvei o post. Quando tava indo para a prova, fui ouvindo música e foi algo que eu me apeguei muito, pois me ajudou em minha trajetória. Escutei muito o álbum “Amarelo”, do Emicida, eu amo aquele álbum. Eu ouvi ele o ano inteiro. No percurso até o local de prova, eu fui escutando esse álbum e quando recebi a prova, era a prova amarela! E mais, a frase-chave do caderno de prova era: “Quem tem um amigo tem tudo”. Era uma das faixas do álbum.”

Aquilo foi uma energia tão grande no momento, que ele diz que até se perdeu na estratégia de prova. Mas deu tudo certo, acertou bastantes questões no primeiro dia e tirou 960 na redação! Boa, Williston!

  • Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte

O segundo dia foi um pouco mais complicado. Ele conta que o dia estava chuvoso, quando chegou na sala, estava cinza devido ao céu fechado. Pegou a prova e se perdeu na estratégia de prova no meio, ficou nervoso, não conseguiu se alimentar direito, deixou muitas questões de matemática sem fazer, mas tentou se manter tranquilo e continuou acreditando. 

“Os sinais estavam me mostrando que ia dar certo.”

Saiu da prova chorando, um pouco por medo e um pouco por alívio. Corrigiu a prova por meio de um gabarito não oficial e o resultado foi algo que o aliviou muito. Ele conta que acertou 33 em uma área e 32 na outra, foi mais do que esperava, principalmente em natureza, pois tinha muita dificuldade como já foi dito. Quando saiu o gabarito oficial, Williston estava na casa de uma amiga que mora no Rosa Elze (bairro onde se localiza a UFS) e ele viu que tinha acertado praticamente tudo da primeira correção, o que já era mais do que o suficiente. 

“Eu gritei, chorei e fui pra frente da universidade. Foi um momento que me fez ver que valeu muito a pena.”

E aí veio o SISU… Ele conta que foi muito tenso e que o desgastou muito, mas em todos os dias ele ficava em 1º lugar na modalidade, tanto na 1ª opção, quanto na 2ª, que era a UFBA. Naquele momento ele já tinha certeza que tinha passado, mas não imaginava que seria em primeiro. Assim que saiu o resultado final, comemorou com toda a família. Ele disse que pai trabalha numa fábrica de laticínios todos os dias, com folga apenas no domingo, mas, no dia da aprovação dele, o pai não quis saber de trabalhar, ficou em casa para comemorar com ele, soltaram fogos, participaram da carreata com o pessoal da escola… E foi assim que Williston viveu o dia mais feliz da vida dele.

 

Confira o vídeo na íntegra do relato de aprovação em medicina na UFS:

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