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Comissão aprova piso salarial de 13 mil para médicos e cirurgiões-dentistas

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piso salarial para médicos
Proposta também prevê reajuste anual do piso, aumento no valor por trabalho noturno e por horas extra.

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (14), em Brasília, o Projeto de Lei 1.365/2022, que cria um novo piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas no país. O texto fixa remuneração mínima de R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais. Agora, o PL segue para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

A proposta é de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) e foi aprovada na forma de um novo texto apresentado pelo relator, senador Nelsinho Trad (PSD-MS). De acordo com Nelsinho, o valor hoje usado como referência para essas categorias está defasado e não acompanha a realidade atual do mercado de trabalho.

“O projeto corrige, depois de 60 anos, uma injustiça que precisa ser reparada. Podem ter certeza que o resultado vai ser sentido com melhores condições de trabalho e o melhor serviço prestado à população. Muitos [profissionais da categoria] não podem aposentar em função da sua idade porque se aposentar ganha menos que um salário mínimo”, disse Trad.

Sobre a proposta

O principal ponto do projeto é a criação de um piso salarial de R$ 13.662 para médicos e cirurgiões-dentistas com jornada de 20 horas por semana. A regra vale para profissionais da rede privada e também para aqueles que trabalham no serviço público.

A proposta foi construída para substituir uma regra antiga, em vigor desde 1961. No parecer aprovado, o relator afirma que o valor atual ficou desatualizado ao longo das décadas e precisa ser revisto para garantir uma remuneração mínima mais compatível com a realidade dessas categorias.

Reajuste anual

O texto também prevê atualização anual do piso. Para trabalhadores com vínculo empregatício, o reajuste será feito com base na inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No caso de servidores públicos com regras próprias de carreira, o reajuste poderá seguir o que for definido em lei do respectivo estado, município ou outro ente público.

Representantes de sindicatos de médicos e dentistas compareceram à reunião da CAE em apoio ao novo piso salarial (Saulo Cruz/Agência Senado)

Trabalho noturno e hora extra

Outro ponto aprovado é o aumento no valor pago por trabalho noturno e por horas extras. Pela proposta, esse pagamento deverá ser 50% maior que o valor da hora normal de trabalho.

Hoje, no caso do adicional noturno, o percentual previsto é menor. Com a mudança, o projeto iguala esse pagamento a um patamar mais elevado, tanto para médicos quanto para cirurgiões-dentistas.

Pausas durante a jornada

A proposta mantém o direito a uma pausa de 10 minutos a cada 90 minutos de trabalho. Esse trecho já existia na legislação anterior e foi preservado no novo texto.

Como ficará o pagamento no serviço público

A proposta prevê que o aumento de despesas para estados, Distrito Federal e municípios seja custeado com recursos transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS). A intenção é evitar que governos locais arquem sozinhos com o impacto da mudança.

Para a rede pública federal, o parecer cita uma estimativa do Ministério da Gestão e da Inovaçãoem Serviços Públicos (MGI). Segundo o documento, o impacto do novo piso pode chegar a R$ 8,14 bilhões em 2026, sem contar gastos adicionais com trabalho noturno e horas extras.

Próximos passos

Depois da aprovação na CAE, o projeto segue agora para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Se for aprovado nessa fase, o texto ainda poderá avançar no processo legislativo. Como se trata de uma proposta que muda regras nacionais, ela ainda precisa cumprir as etapas previstas antes de virar lei.

Projetos na Câmara dos Deputados

O projeto aprovado no Senado é diferente de outras propostas que tramitam na Câmara dos Deputados. Na outra Casa legislativa, há três projetos apresentados pelo deputado Vanderlan Alves (União Brasil-CE)que tratam de pisos salariais nacionais para médicos, cirurgiões-dentistas e farmacêuticos.

Esses textos propõem valores diferentes dos discutidos no Senado. Para médicos, a proposta na Câmara prevê piso de R$ 17 mil para 20 horas semanais. Para cirurgiões-dentistas, o valor sugerido é de R$ 12 mil para a mesma carga horária. Já para farmacêuticos, a proposta fixa R$ 8.500 para jornada de 30 horas semanais.

Ou seja, embora tratem de temas semelhantes, são propostas diferentes e que tramitam separadamente da matéria aprovada no Senado.

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