As doenças respiratórias avançam no Brasil com intensidade incomum para essa época do ano. Antes mesmo da chegada do inverno, o país já registra números que normalmente só aparecem nos meses mais frios, e especialistas apontam que a pandemia de Covid-19 mudou de forma permanente o comportamento sazonal dos vírus respiratórios.
Segundo levantamento do Instituto Todos pela Saúde, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave causados pelo vírus influenza quase dobraram entre janeiro e meados de março de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, foram 3.584 casos este ano contra 1.838 no ano anterior.
No mesmo período, mais de 800 pessoas morreram por vírus respiratórios no país, de acordo com o Ministério da Saúde. Até meados de março, o Brasil já contabilizava cerca de 14 mil casos de SRAG no total.
O isolamento social adotado durante a pandemia alterou o ciclo sazonal da maioria dos vírus, que antes se concentravam predominantemente no inverno. O resultado é que os surtos passaram a surgir de forma mais imprevisível ao longo do ano, antecipando picos que antes só eram esperados entre junho e agosto.
Diante desse cenário, o governo federal antecipou a campanha nacional de vacinação contra a gripe, com meta de imunizar 90% dos grupos prioritários até 30 de maio.
BH e Contagem decretam emergência
O impacto desse avanço nas doenças respiratórias já se traduz em decretos de emergência em saúde pública em Minas Gerais. Belo Horizonte oficializou a medida nesta sexta-feira (10), e Contagem, na Região Metropolitana, havia tomado a mesma decisão na terça (7).
Nos dois casos, o instrumento legal permite agir com mais agilidade: contratar profissionais e comprar insumos sem licitação, ampliar leitos e solicitar recursos extras ao governo estadual e federal.
Em BH, os atendimentos por doenças respiratórias quase dobraram entre fevereiro e março. Só em março, 49.574 pessoas procuraram as unidades de saúde da capital com queixas respiratórias. Desde janeiro, a cidade soma 112 mil atendimentos e 80 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave.
A secretaria municipal de saúde projeta um pico de casos nas próximas duas semanas e adotou a emergência como medida preventiva para evitar a sobrecarga do sistema.
Em Contagem, o cenário é igualmente preocupante. O município já registra 381 internações e 21 mortes por SRAG em 2026, com crianças de até 5 anos respondendo por 36% dos casos e idosos por outros 26,3%. Os vírus identificados no município incluem H3N2, SARS-CoV-2, Influenza A e Rinovírus. Para ampliar a capacidade de resposta, a cidade abriu dez novos leitos de UTI pediátrica e contratou dezenas de profissionais de saúde em regime emergencial.

O que são a gripe e a SRAG
A gripe é uma infecção respiratória aguda causada pelo vírus influenza. Diferente de um resfriado comum, ela provoca sintomas mais intensos, como febre alta, dores no corpo, cansaço intenso, tosse seca e dor de garganta.
Os sintomas costumam durar de três a sete dias, mas a sensação de fraqueza pode se estender por semanas.
Em alguns casos, a gripe evolui para a Síndrome Respiratória Aguda Grave a SRAG. Trata-se da forma mais severa das infecções respiratórias, quando a doença compromete seriamente a capacidade de respirar e passa a exigir internação hospitalar, frequentemente associada à pneumonia. A SRAG pode ser causada não apenas pela gripe, mas também pela Covid-19 e por outros vírus respiratórios.
Risco de complicações
Qualquer pessoa pode contrair doenças respiratórias, mas alguns grupos têm risco significativamente maior de desenvolver quadros graves.
São eles: crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos, gestantes, pessoas com doenças crônicas como diabetes, asma e doenças cardíacas, e indivíduos com imunidade comprometida.
Para esses grupos, a atenção deve ser redobrada e qualquer piora nos sintomas merecem avaliação médica sem demora.
Como se proteger das doenças respiratórias
A vacinação continua sendo a medida mais eficaz de proteção. A vacina contra a gripe já integra o Calendário Nacional de Vacinação do SUS durante todo o ano para grupos prioritários, sem necessidade de aguardar campanhas sazonais. Também estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde vacinas contra Covid-19, pneumonia e influenza tipo B.
Além da vacina, alguns hábitos do dia a dia reduzem bastante o risco de contágio:
- Lavar as mãos com frequência, especialmente após contato com superfícies públicas
- Evitar aglomerações ao apresentar sintomas respiratórios
- Manter ambientes ventilados em casa e no trabalho
- Manter boa hidratação e alimentação equilibrada
- Procurar uma unidade de saúde diante de febre alta, tosse persistente ou falta de ar
O que fazer se os sintomas aparecerem
Na maioria dos casos, repouso, hidratação e medicamentos para alívio dos sintomas são suficientes para a recuperação. No entanto, para quem faz parte de um grupo de risco, é importante não ignorar os sinais de piora. Existem antivirais que, se iniciados nos primeiros dois dias após o início dos sintomas, podem reduzir a duração e a gravidade da doença.
Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, menor o risco de complicações.
Se você ainda não se vacinou e faz parte de um dos grupos prioritários, não precisa esperar basta procurar a unidade de saúde mais próxima e garantir sua dose de proteção.
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