publicidade

Surto de Ebola na África: o que se sabe sobre a doença

Compartilhar:

Teste de identificação do vírus Ebola em paciente morto na Serra Leoa REUTERS Tommy Trenchard
OMS declara emergência internacional após avanço do Ebola na RDC e em Uganda.

Compartilhar:

No último domingo (17), a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou os surtos de Ebola na África causados pelo vírus Bundibugyo, na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, como uma emergência de saúde pública de importância internacional. A decisão foi tomada após o avanço de casos de Ebola em áreas da província de Ituri, no nordeste congolês, o registro de infecções confirmadas em Kampala, capital de Uganda, e ao menos 80 mortes por Ebola suspeitas.

A classificação da OMS coloca o evento no mais alto nível de alerta sanitário internacional previsto pelo Regulamento Sanitário Internacional, embora a organização tenha informado que a situação ainda não atende aos critérios de uma emergência pandêmica.

O que diz a declaração da OMS

De acordo com a OMS, o surto foi considerado extraordinário por reunir fatores que elevam o risco local e internacional, como número de mortes suspeitas, confirmação de casos em diferentes pontos, circulação de pessoas entre Congo e Uganda e relatos de mortes na comunidade com sintomas compatíveis com febre hemorrágica viral.

Além disso, a entidade afirmou ainda que há incerteza sobre o tamanho real do surto. Isso porque o número de infecções detectadas pode ser menor do que o total real de pessoas contaminadas.

Onde o surto começou

Um homem é carregado de uma ambulância após a confirmação de um surto de Ebola envolvendo a cepa Bundibugyo em Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo. (REUTERS/Victoire Mukenge)

O foco principal do atual surto de Ebola na África está na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, perto da fronteira com Uganda. Até o último domingo, 16 de maio, a OMS informou notificações em pelo menos três zonas de saúde: Bunia, Rwampara e Mongbwalu. Nessas áreas, já são 8 casos confirmados, 246 casos suspeitos e 80 mortes.

Outros dois casos confirmados foram registrados em Kampala, na Uganda, em pessoas que viajaram a partir da RDC. Um deles veio a óbito.

A OMS também citou relatos de casos suspeitos em Ituri e em Kivu do Norte. Um caso inicialmente mencionado em Kinshasa, capital congolesa, acabou descartado após teste confirmatório negativo para o vírus Bundibugyo.

O que é o vírus Bundibugyo

Para entender o vírus do Ebola, é preciso lembrar que a doença não é causada por uma única variante. Segundo a OMS, seis espécies de orthoebolavirus foram identificadas, mas três estão associadas aos grandes surtos: o vírus Ebola, o vírus do Sudão e o vírus Bundibugyo.

A cepa ligada ao atual surto é o vírus Bundibugyo. De acordo com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), a taxa de letalidade estimada dessa cepa varia de 25% a 40%.

Já a OMS informa que, considerando a doença de Ebola de forma mais ampla, a taxa média de letalidade gira em torno de 50%, podendo variar de 25% a 90% em surtos anteriores.

O atual episódio é o terceiro já detectado com essa cepa, após ocorrências anteriores em Uganda, entre 2007 e 2008, e na RDC, em 2012, informa a MSF.

Quais são os sintomas do Ebola?

Os sintomas do Ebola podem surgir de forma repentina após um período de incubação de 2 a 21 dias. Segundo a OMS, a pessoa infectada não transmite a doença antes de apresentar sintomas.

Os sinais iniciais mais comuns incluem febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Em seguida, podem aparecer vômitos, diarreia, dor abdominal e erupções cutâneas.

Em quadros mais graves, podem ocorrer comprometimento renal e hepático, além de sangramentos internos e externos, como sangue nas fezes, nas gengivas ou no vômito.

Formas de transmissão

A transmissão do Ebola ocorre pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, além do contato com superfícies e materiais contaminados, como roupas e roupas de cama.

A doença também pode ser transmitida por contato com o corpo de pessoas que morreram infectadas. Segundo a OMS, o vírus chega aos humanos a partir de animais selvagens e depois pode se espalhar entre pessoas.

Ausência da vacina

Um dos principais pontos de alerta da OMS é que não há vacina nem tratamento específico aprovado para o vírus Bundibugyo.

Sem imunizante aprovado para essa cepa, a resposta depende de um diagnóstico rápido, isolamento, rastreamento de contatos, cuidados intensivos de suporte, prevenção de infecções nas unidades de saúde e mobilização comunitária.

A dificuldade aumenta em regiões onde há deslocamento frequente de pessoas entre cidades e países. No caso atual, a mobilidade entre a RDC e Uganda é tratada como um dos principais fatores de risco para a expansão do surto de Ebola na África.

Por que a Ebola surgiu na África?

Um estudo publicado na National Library of Medicine sobre a emergência do Ebola na África Ocidental aponta que o aparecimento e a disseminação da doença não dependem de um único fator.

Segundo o texto, a proximidade entre humanos e animais silvestres, que podem atuar como reservatório do vírus, é um dos fatores do surgimento do surto em determinadas regiões. Além disso, mudanças no ambiente, a vulnerabilidade do sistema e a detecção precoce da doença são alguns dos aspectos citados.

O trabalho também destaca que fatores culturais, circulação entre fronteiras e comunicação de risco insuficiente podem favorecer a transmissão sustentada entre pessoas.

Mapa dos surtos de Ebola na África entre 1970 e 2015. (National Library of Medicine)

Cenário atual

A OMS avalia que o cenário exige cooperação internacional urgente, mas ainda não configura uma pandemia.

A diferença é que uma emergência de saúde pública de importância internacional serve para alertar o mundo sobre um evento grave com potencial de cruzar fronteiras e exigir resposta coordenada, enquanto uma pandemia envolve disseminação mais ampla e sustentada em vários países ou continentes, como ocorreu com a Covid-19.

Mesmo assim, o risco de expansão regional é considerado alto, especialmente entre países vizinhos da RDC. Por isso, a organização recomendou reforço imediato da vigilância em fronteiras, restrição de viagem para contatos e casos suspeitos ou confirmados, triagem de saída em aeroportos e passagens terrestres e fortalecimento da preparação dos países com fronteira terrestre com áreas afetadas.

Para a OMS, a prioridade é ampliar a resposta local antes que o número real de casos e de mortes por Ebola se torne ainda maior do que o já detectado.

Índice

Você também pode se interessar por:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nossos conteúdos no Youtube

O mundo da medicina No seu e-mail.

Acompanhe todas as novidades, dicas, notícias e curiosidades do mundo da medicina no seu email.

*Ao enviar seus dados, você concorda em receber comunicações da Melhores Escolas Médicas e nossos parceiros. Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.