O Instituto Fronteiras da Educação Médica (IFEM) anunciou o lançamento do HUB da Educação Médica, uma iniciativa voltada para reunir escolas médicas a diferentes atores envolvidos na formação e no desenvolvimento da saúde no Brasil. Em parceria com a Fundacred, o projeto pretende, entre outros, criar uma rede permanente de colaboração e troca de experiências pensadas para a transformação da educação médica, unindo qualidade e inovação.
Após a intensa expansão do número de cursos e vagas, a iniciativa chega em um momento crucial da formação médica brasileira, incorporando mais intensamente debates acerca de avaliações, qualidade de ensino, desenvolvimento de competências e preparação dos futuros médicos.
Para o médico e educador José Lúcio Martins Machado, responsável pelo IFEM e pela construção do HUB, o novo cenário da educação médica no país reforça a necessidade de criar espaços que aproximem instituições e profissionais envolvidos na área. “A questão da quantidade de escolas médicas e da quantidade de vagas está sendo superada para uma visão qualitativa da formação médica”, afirma Machado.
Diante desse cenário, iniciativas como o Enamed, os testes de progresso e o avanço das discussões sobre avaliação por competências ajudam a colocar a qualidade da formação no centro da agenda. Para o IFEM, muito mais do que a concessão de notas, a avaliação é uma importante ferramenta relacionada à capacidade das instituições de identificar desafios e aprimorar seus processos de formação.
O que é o IFEM
Segundo o Dr. José Lúcio, o IFEM nasceu nos primeiros 10 anos desse século, por volta de 2007, em uma versão de evento profissional cujo nome era apenas “Fronteiras da Educação Médica”. Esse era um evento que tinha como objetivo trazer personagens internacionais, professores e pesquisadores do mundo todo, para uma série de workshops com conexão entre a educação médica mundial e a brasileira.
Por algum tempo depois desses eventos o instituto permaneceu desativado. No entanto, diante da transformação e do novo contexto em que a educação médica está inserida, surgiu entre os responsáveis pela criação, Dr. José Lúcio incluso, a vontade de reativar a ideia lançada tantos anos atrás; dessa vez no formato de instituto.
“E o Instituto, ele trabalha orientando a boa formação: fazendo parcerias com as escolas, trabalhando em projetos de desenvolvimento de currículos integrados, alinhando esses projetos pedagógicos às diretrizes curriculares e trabalhando em prol da construção de um Sistema Único de Saúde orientado a ser a escola de formação dos recursos de saúde dos estudantes brasileiros”, explica.
Para transformar a educação médica em uma rede de colaboração, a ideia firmou-se em criar um HUB.
HUB da Educação Médica
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Em tradução literal do inglês, HUB significa “eixo” ou “centro”. Ele funciona como um ponto de conexão entre atores sociais. No sentido da educação médica, esse HUB tem como principal objetivo criar um ambiente de conexão e colaboração entre escolas de Medicina, aproximando mantenedores, gestores acadêmicos, professores e pesquisadores envolvidos com a educação médica.
A proposta é que essas instituições possam compartilhar experiências, discutir desafios comuns e desenvolver projetos conjuntos, em vez de atuarem de forma isolada. Com a junção das visões dos componentes da educação médica, Dr. José Lúcio acredita que o passo seguinte é ir além do cuidado individual médico-paciente. Para o IFEM, a formação médica precisa acompanhar as transformações que acontecem no sistema de saúde.
Hospitais, ambulatórios, atenção básica, saúde suplementar, indústria farmacêutica, empresas de equipamentos médico-hospitalares e novas tecnologias fazem parte desse cenário e impactam diretamente a prática profissional. “Para que ele consiga enxergar tudo que está em torno deste paciente, não só a sua doença, o seu processo saúde-doença, mas que tudo aquilo que hoje mantém esse ecossistema vivo da saúde.”
Nesse contexto, recursos como telemedicina, inteligência artificial e impressão 3D também passam a integrar o debate sobre a formação dos profissionais. “O HUB vai trabalhar através das conexões dessas escolas com o mundo do trabalho, com o mundo da produção em saúde, que é composto por todos esses elementos”, explica.
Parceria com a Fundacred
O projeto é desenvolvido pelo IFEM em parceria com a Fundacred, uma instituição que tradicionalmente atua na área de crédito educacional. Segundo Machado, a aproximação entre as duas organizações ocorreu durante uma missão brasileira à China organizada pelo Semesp. A partir do encontro entre representantes das instituições, começaram as conversas para construir uma iniciativa conjunta voltada à educação médica.
Dr. José Lúcio diz que parceria nasceu da convergência entre os objetivos das duas organizações e resultou na construção de um projeto que pretende envolver também as próprias escolas participantes. “O HUB de conexão não é do Instituto Fronteiras da Educação Médica. Ele é do Instituto Fronteiras da Educação Médica, da Fundacred e das escolas que farão parte dessa rede”, destaca.
A ideia é que a participação das instituições seja baseada em colaboração, e não competição, a fim de criar um ambiente para que diferentes experiências possam ser compartilhadas e transformadas em conhecimento aplicável à educação médica.
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Eventos de lançamento acontecem em setembro
O lançamento do HUB será realizado em dois eventos, marcados para ocorrer em setembro. O primeiro acontecerá no dia 15 de setembro, em São Paulo, na véspera do início do Fórum do Semesp.
O encontro deverá reunir cerca de 45 mantenedores de instituições de ensino médico, selecionados a partir de critérios relacionados à qualidade das instituições, à disposição para inovação e à diversidade regional.
Já o segundo encontro será realizado no dia 18 de setembro, em Porto Alegre, durante o Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM), na sede da Fundacred. Dessa vez, o público será formado principalmente por gestores acadêmicos e coordenadores de cursos de Medicina. Entre os convidados estão especialistas que participaram do curso de formação de gestores acadêmicos da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) e que desenvolvem projetos de inovação em suas instituições.
A partir desses encontros, Dr. José Lúcio explica que o HUB funcionará com reuniões mensais online e pelo menos dois encontros presenciais por ano. Aos interessados, o contato deve ser feito através do e-mail [email protected].
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