Antes mesmo de estrear, a nova novela das 19h da Globo, Por Você, gerou repercussão nas redes sociais ao exibir personagens médicos utilizando vestimentas vermelhas em ambientes cirúrgicos. A escolha do figurino dividiu opiniões e motivou críticas de internautas, que apontaram uma suposta falta de atenção aos detalhes técnicos da rotina hospitalar.
A cor é pouco utilizada em centros cirúrgicos, normalmente predominando uniformes azuis ou verdes, por questões técnicas e óticas. E apesar de se tratar de uma escolha estética e da identidade visual da obra, o episódio levantou dúvidas sobre as vestimentas médicas.
Mas, afinal, médicos podem usar uniformes vermelhos e por que predominam o verde e o azul?
Por que os uniformes cirúrgicos são verdes ou azuis?
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não existe uma lei que determine a cor dos uniformes utilizados em centros cirúrgicos. No entanto, o verde e o azul se tornaram o padrão em hospitais de todo o mundo por razões relacionadas à ergonomia visual e à prática médica.
Durante uma cirurgia, o olhar do cirurgião permanece concentrado por longos períodos em tecidos, órgãos e sangue, todos predominantemente avermelhados. Como vermelho, verde e azul ocupam posições opostas ou complementares no círculo cromático, o uso dessas cores ajuda a reduzir a fadiga visual e melhora a percepção dos contrastes durante o procedimento.

Além disso, o efeito conhecido como pós-imagem negativa explica parte dessa escolha. Após observar uma mesma cor intensa por muito tempo, os olhos tendem a produzir uma imagem residual da cor complementar. Assim, depois de olhar continuamente para tons avermelhados, o profissional pode perceber manchas esverdeadas ao direcionar a visão para superfícies claras, o que dificulta a percepção de detalhes.
Ao utilizar uniformes verdes ou azuis, esse contraste torna-se menos desconfortável, reduzindo o cansaço ocular e favorecendo a concentração durante procedimentos prolongados.
A evolução das roupas usadas em centros cirúrgicos

Até o início do século XX, era comum que médicos utilizassem aventais brancos durante procedimentos cirúrgicos. A cor era associada à limpeza e facilitava a identificação de sujeiras e manchas, especialmente após a consolidação das práticas de assepsia e antissepsia inspiradas nos estudos do cirurgião Joseph Lister.
Com o avanço da cirurgia moderna, entretanto, percebeu-se que a combinação de ambientes predominantemente brancos, iluminação intensa e longos períodos observando o campo cirúrgico provocava fadiga visual.
A partir da primeira metade do século XX, hospitais passaram a adotar gradualmente uniformes verdes e, posteriormente, azuis nos centros cirúrgicos. Esses modelos evoluíram para os atuais scrubs, conjuntos compostos por blusa de mangas curtas com gola em V e calça, desenvolvidos para oferecer conforto, mobilidade e facilitar os processos de higienização e esterilização.
Médicos podem usar uniformes vermelhos?
Sim. Não há nenhuma legislação brasileira que proíba o uso de uniformes vermelhos ou estabeleça uma cor obrigatória para profissionais da saúde.
Fora do centro cirúrgico, os scrubs podem ser encontrados em diferentes cores, conforme a política de cada hospital ou clínica. Em algumas instituições, as cores ajudam a identificar setores, equipes ou especialidades médicas; em outras, representam apenas uma padronização visual.
Já dentro dos centros cirúrgicos, o verde e o azul continuam predominando porque oferecem vantagens relacionadas ao conforto visual dos profissionais durante procedimentos prolongados. Assim, embora um uniforme vermelho não seja ilegal, seu uso nesse ambiente é incomum justamente por não proporcionar os mesmos benefícios ópticos das cores tradicionalmente adotadas.
























